PIB cresce; economia, nem tanto

A alta de 1,3% no PIB no primeiro trimestre de 2021 sobre os três meses finais de 2020 ficou bem acima do que se previa, puxado pelo setor agrário-exportador, que respondeu por metade da taxa de 1,2% e pelas indústrias extrativas minerais, ambos “bombando” com o boom das commodities, especialmente a soja (que dobrou seu preço no mercado internacional em um ano) e minério de ferro (que disparou mais de 150% em 12 meses).

O setor de serviços, porém, que responde por perto de 70% do volume de nossa economia teve um resultado pífio (0,4%) e a indústria de transformação caiu 0,5%. O consumo das famílias estagnou (- 0,1%) e o consumo do Governo, outro dado essencial, encolheu 0,8%.

Recuperação econômica nada pujante, como se vê, sustentada por setores que pouco ou nada contribuem para a circulação de riqueza no país e capenga no que toca o emprego e a geração de renda.

As previsões oníricas de crescimento do PIB de até 5,5%, alardeadas pelos jornais, só se sustentariam se as condições de consumo da população estivessem se elevando, e não estão.

Ou melhor, só o preço está se elevando e o Índice de Preços ao Consumidor-Semanal da Fundação Getúlio Vargas, também divulgado hoje voltou a subir forte, para 0,81% no mês, quase o quádruplo do registrado um mês antes.

O resultado do trimestre que se encerra este mês vai apresentar resultado forte na comparação anual (frente ao pior trimestre de efeitos econômico da pandemia) mas modesto na comparação com os primeiros três meses, mas as commodities não subirão tão forte, ainda que soja e milho estejam empurrados pela perspectivas de seca, aqui e nos EUA.

É muito cedo para prever o que vai acontecer, exceto que teremos inflação alta (o acumulado em 12 meses deve tocar os 8% até maio), renda em baixa, desemprego em alta e consumo paralisado.

Terceira onda e apagão são só sombras, ainda, mas cada vez maiores.

 

Fernando Brito:
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