O Globo de hoje publica, com muito estardalhaço, uma investigação do Ministério Público de São Paulo, que mostra a proliferação do crime organizado paulista para todo país.
A matéria, contudo, vem repleta de repetidas e enfadonhas defesas do governo Alckmin, e ao invés de analisar os dados colhidos nas investigações, se aferra a bravatas de membros desconhecidos do bando, para transmitir a impressão que as coisas ficaram mais difíceis para o PCC por causa de um suposto endurecimento por parte do governo de SP.
Não ficaram, tanto que o bando cresceu e se espalhou pelo país a fora.
A própria manchete é estranha, porque exageradamente centrada numa suposta ameaça à vida do governador. Na verdade também não passa de uma gíria dita por membro não graduado do grupo.
Fosse realmente comprometida com a verdade, a grande imprensa poderia agora relembrar dois fatos importantes:
1) a declaração de Alckmin, alguns anos atrás, de que o PCC estaria “acabado”. Não acabou. Ao contrário, cresceu.
2) poderia lembrar uma denúncia feita pela Band, em 2012, com documentos secretos da Polícia Civil de São Paulo, que revelam que a Secretaria de Segurança do Estado de SP estaria engavetando denúncias gravíssimas sobre o envolvimento de agentes públicos com o crime organizado.
Entrevistado pela Band, o desembargador e especialista em segurança pública, Walter Maierovitch, alerta que o PCC teria “cooptado” setores do governo de São Paulo. A reportagem fala em altas somas de dinheiro pagas à polícia paulista. A reportagem tenta entrevistar o secretário de Segurança, mas não consegue.