Aécio “descobriu” o Bolsa-Família só agora?

O Senador Aécio Neves, às vésperas de completar três anos no mandato, teve um estalo de Vieira.

“Descobriu” que o Bolsa-Família, ao completar dez anos, deve ser “institucionalizado”.

O Senador estava aonde, durante este tempo? Até nos bares do Leblon o assunto Bolsa-Família é tema recorrente e é surpreendente que Sua Excelência não tenha tomado posição sobre o assunto.

Até porque existem dúzias de projetos relativos ao assunto tramitando no Congresso onde, em tese, um Senador trabalha.

O mais bonito das eleições é que ele provoca estas “iluminações divinas” na cabeça dos políticos.

Como se não bastasse Eduardo Campos virar “marinista”, agora Aécio virou “bolsista”.

Mesmo assim, pela falta de seriedade, o Senador também “mistura as bolas” e demonstra que entende pouco do Bolsa-Família.

E também do que ele chama, em seu artigo de hoje na Folha, de “o maior programa de transferência de renda em vigor no país, o Beneficio de Prestação Continuada (BPC), previsto pela Constituição de 1988, e implantado pelo governo do presidente Fernando Henrique”.

Por isso, tive um trabalho extra e preparei um gráfico com a evolução dos beneficiários do BPC – idosos e deficientes físicos – para ajudar o Senador a se mancar sobre duas coisas.

Primeiro, que a universalização do Benefício de Prestação Continuada ocorreu no Governo Lula.

Basta olhar os números.

Como a população cresceu algo como 10% no período Lula (em uma década, de 2000 a 2010, o acréscimo foi de 12,3%) o fato de o número de beneficiários ter passado de 1.560.854 (somando pessoas com deficiência e idosos) no fim de 2002  para 3.401.541 no final do Governo Lula significa que a cobertura dos benefícios se ampliou em cerca de 90%, sem falar na elevação real de seu valor, pela vinculação com o salário mínimo, que cresceu acima da inflação.

O segundo esclarecimento é que este benefício jamais pode ser confundido com o alcance do Bolsa-Família.

Pela simples razão que o BPC atinge 4 milhões de pessoas e o Bolsa Família 50 milhões, ou um quarto da população brasileira.

O Benefício de Prestação Continuada, como o nome indica, tem natureza perene – ainda que não seja vitalício – e se volta para pessoas com uma situação continuada de exclusão da vida econômica, tanto que não é excludente do recebimento de Bolsa Família.

Este, ao contrário, quer ter natureza transitória, o que tanto se reclama de “portas de saída” pela inclusão no mundo do trabalho.

O Senador Neves precisa tirar uns dias para estudar os números, as condicionalidades e os efeitos do Bolsa-Família.

Tem aqui um livro, que ele pode baixar gratuitamente, elaborado por 66 especialistas, em diversas áreas, sobre o impacto do programa na realidade dos mais pobres.

São 500 páginas, mas o Senador pode tirar de letra, se fizer um final de semana de retiro.

Fernando Brito:

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  • FFHH não deu nada de graça. FFHH tinha de cumprir a Constituição Federal de 1988 (art. 203, inciso V) a Lei Orgânica da Assistência Social de 1993 - de autoria de Itamar Franco. FFHH tinha um trabalho a ser feito. Optou por dar a quem procurava - se fosse idoso ou portador de necessidades especiais - o direito ao benefício de prestação continuada de um salário mínimo, ou seja, se você precisar, me procure, além de ações descentralizadas no Ministérios como Bolsa Escola, Vale Gás, aqueles programas similares a ação de fornecer caminhões-pipa e cestas básica na seca. Lula foi atrás das pessoas carentes, pediu para as Prefeituras as identificar, e dizer para elas que havia um direito (seja LOAS, seja Bolsa Família, etc.), isso graças à formação de um cadastro básico - o Cadastro Único para Programas Sociais. O nome disso é gestão voltada para a execução de programas sociais.
    Percebe-se a diferença, ou não? O PSDB esperou, e o PT foi buscar. O PSDB é passivo, fica parado, diz pra você cidadão correr atrás do seus direitos. Que sensibilidade social, não? O PT trabalhou com as Prefeituras, foi identificar e buscar (e continua procurando) potenciais beneficiários e deu um cartão para que esse direito fosse intregralmente exercido, sem tutelas.
    E agora, com Mais Médicos, médicos com o tablet na mão, tem a hora de concatenar esses cadastros da Assistência Social com a Saúde.
    Explica isso, Aócio - o cognome não é mera coincidência. Vamos trabalhar?

  • FERNANDO BRITO, eu sou uma pessoa de curto alcance.
    E ontem (me perdoem), assisti ao fANTASTICO.
    e em uma participação do filho de Chico Anisio, ele falou
    sobre a libertação dos escravos, que foi uma farsa, e q

  • FERNANDO BRITO, eu sou uma pessoa de curto alcance.
    E ontem (me perdoem), assisti ao fANTASTICO.
    e em uma participação do filho de Chico Anisio, ele falou
    sobre a libertação dos escravos, que foi uma farsa, e que
    os negros não sabiam o que fazer economicamente, logo
    D.Pedro 1 , 1 ,3 4, 5, e segue começaram a dar o bolsa f
    familia até nos dias de hoje.
    Poderia elucidar-me esta aparição na Globo ontem....
    Grato

  • Para aqueles muitos que, mesmo com a demonstração prática dos seus benefícios após 10 anos de implantação (demonstrados no livro cujo link consta do post acima), ainda assim continuarem a ser contra o Bolsa Família, aí vão alguns “numerozinhos” para ajudar na reflexão de que o programa, independentemente de todos os seus benefícios, valeria a pena mesmo se fosse apenas um “Bolsa Vagabundagem” ou, até mesmo, um “Bolsa Esmola”, como alguns costumam chamá-lo, preconceituosamente:

    - O PBF deve custar ao Tesouro Nacional, em 2013, cerca de R$ 24,0 bilhões, para atender a cerca de 13,5 milhões de famílias. Supondo que cada família atendida pelo PBF tenha em torno de 4 membros, teríamos um grupo de cerca 50 milhões de brasileiros “vagabundos” (incluindo suas crianças e idosos, também certamente “vagabundos”) sustentados pelos outros 151 milhões de brasileiros.
    Admitindo que um quarto dos brasileiros “não vagabundos” fossem crianças ou idosos, teríamos, de fato, cerca de 114,0 milhões de brasileiros “produtivos” sustentando os “vagabundos” do PBF. Ou seja, cada brasileiro efetivamente “produtivo” estaria “pagando” R$ 212,00 por ano para sustentar aos seus conterrâneos “vagabundos” ou, se preferirem, 58 centavos por dia. Será que isso é pedir demais para manter a dignidade de quem, muitas vezes, não tem absolutamente nada para comer?
    Vejamos o que se compraria com essa “esmola” diária: o quilo do pão de sal está em torno de R$ 11,00, o que significa que um único pão de sal de 60 grs. está custando em torno de R$ 0,69. Portanto, por intermédio do Tesouro Nacional, os brasileiros “produtivos” estão distribuindo aos brasileiros “vagabundos” menos do que um pãozinho de 60 grs. por dia!!!!

    Por outro lado, o nosso mesmo Tesouro gastará, em 2013, cerca de R$ 200 bilhões para pagar os juros da dívida pública. Assim, cada um dos mesmos 114 milhões de brasileiros “produtivos” (porque os “vagabundos”, certamente, não têm renda para ajudar a pagar a dívida pública...) estará “pagando” R$ 1.754,00 por ano para sustentar os “banqueiros” ou, se preferirem, R$ 4,80 por dia, ou seja, mais de oito vezes mais do que gastam para sustentar os “vagabundos”.

    No entanto, não se vê ninguém na mídia ou nas redes sociais (muito menos políticos de oposição, como o Aébrio Neves ou a “sonhática” Marina Itaú da Silva), reclamando de estar sustentando os “banqueiros” brasileiros ou declarando a necessidade de se buscarem “portas de saída” para essa, sim, verdadeira sangria de dinheiro público que, lamentavelmente, os governos do PT também não tiveram coragem de enfrentar. Por que será?

  • O Benefício de Prestação Continuada, pago a idosos e deficientes físicos de baixa renda, nada mais é do que uma OBRIGAÇÃO CONSTITUCIONAL de qualquer governo, já que previsto na Constituição.

    Mesmo assim, como muito bem mostram os números, apenas no governo Lula é que o BPC passou a ser pago a todos os que tem direito, com aumento expressivo de beneficiários em relação ao fim do governo FHC.

    E esse Aécio dizer que o BPC é "o maior programa de transferência de renda em vigor no país", e não o Bolsa Família, é brincar com a inteligência das pessoas. Basta ver o número de beneficiários, 10 vezes maior no Bolsa.

  • Fernando Brito acho que você está pedindo muito para o Senador carioca, re presentante das alterosas. Neste momento creio que ele está focado em fazer valer seu recente casamento...

  • Aético já deu sua opinião sobre o bolsa família sim. Em março/2011 ele se posicionou pelo fim do programa no formato atual, dizendo que teria que voltar ao modelo de programas do passado, devendo ter como intermediários do benefício os prefeitos, a quem caberia repassar à população, como se fazia com as cestas básicas no tempo dos coronéis prefeitos.
    -----------
    (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2011/03/aecio-quer-acabar-com-o-bolsa-familia.html):
    "Aécio quer acabar com o Bolsa-família, entregando o dinheiro na mão de coronéis políticos
    O senador demo-tucano Aécio Neves (PSDB/MG) sugeriu acabar com o Bolsa-família no formato atual.
    Ele declarou ao jornal Estadão:
    "A questão do Bolsa Família acaba com os prefeitos que querem intermediar as políticas sociais e ficam de fora".
    Essa história de "querer intermediar..." é o tipo de coisa que mais dá trabalho à Polícia Federal, e a CGU (Controladoria Geral da União), em escândalos de corrupção com verbas repassadas.
    O demo-tucano está regredindo ao tempo dos coronéis políticos, que submetiam o povo a passar fome, e confundiam, de propósito, direitos do cidadão com favores materiais em troca de voto.
    Os coronéis pegavam dinheiro público para distribuir cestas básicas e coisas do gênero, escolhendo a dedo quem receberia, sem regras claras.

  • Mas ele sempre faz um final de semana de retiro, durante seu governo ele passava a semana no Rio e os finais de semana em retiro aqui em Florianópolis na Praia Brava, terra do Borhausen ou em Jurerê Internacional.

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    “Rede Globo, fantástico é o seu racismo!”
    negrobelchior / 16 horas atrás

    Mazzeo

    “A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil“, deveras sentenciou Joaquim Nabuco. Mas na versão global, ironicamente “inteligente”, ele diz: “O Brasil já é um país mestiço! E não vamos tolerar preconceito!”.

    Por Douglas Belchior

    Nas últimas semanas escrevi dois textos sobre a relação entre meios de comunicação, publicidade e humor e a prática de racismo, o primeiro provocado por uma peça publicitária de divulgação do vestibular da PUC-PR e o segundo por conta de um programa de humor que ridicularizava as religiões de matriz africana. Hoje, graças a Rede Globo de televisão, retorno ao tema.

    Neste domingo 3 de novembro o programa Fantástico, em seu quadro humorístico “O Baú do Baú do Fantástico”, exibiu um episódio cujo tema é muito caro para a história da população negra no Brasil.

    Passado mais da metade do programa, eis que de repente surge a simpática Renata Vasconcellos. Sorriso estonteante ainda embriagado pela repentina promoção: “Vamos voltar no tempo agora, mas voltar muito: 13 de maio de 1888, no dia em que a Princesa Isabel aboliu a escravidão. Adivinha quem tava lá? Ele, o repórter da história, Bruno Mazzeo!”

    http://negrobelchior.cartacapital.com.br/2013/11/04/o-fantastico-racismo-da-rede-globo/

    ASSISTA AQUI O VIDEO SOBRE A ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO, EXIBIDA PELO FANTÁSTICO

    O quadro, assinado por Bruno Mazzeo, Elisa Palatnik e Rosana Ferrão, faz uma sátira do momento histórico da abolição da escravidão no Brasil. Na “brincadeira” o repórter entrevista Joaquim Nabuco, importante abolicionista, apresentado como líder do movimento “NMS – Negros, mulatos e simpatizantes”!

    Princesa Isabel também entrevistada, diz que os ex-escravos serão amparados pelo governo com programas como o “Bolsa Família Afrodescendente”, o “Bolsa Escola – o Senzalão da Educação” e com Palhoças Populares do programa “Minha Palhoça, minha vida”!

    “Mas por enquanto a hora é de comemorar! Por isso eles (os ex-escravos) fazem festa e prometem dançar e cantar a noite inteira…” registra o repórter, quando o microfone é tomado por um homem negro que, festejando, passa a gritar: “É carnaval! É carnaval!”

    O contexto

    Não acredito que qualquer conteúdo seja veiculado por um dos maiores conglomerados de comunicação do mundo apenas por um acaso ou sem alguma intencionalidade para além da nobre missão de “informar” os milhões de telespectadores, ora com seus corpos e cérebros entregues aos prazeres educativos da TV brasileira em suas últimas horas de descanso antes da segunda feira – “dia de branco”.

    E me perguntei: Por que – cargas d’água, a Rede Globo exibiria um conteúdo tão politicamente questionável? O que teria a ganhar com isso? Sequer estamos em maio! Que “gancho” ou motivação conjuntural haveria para justificar esse conteúdo?

    Bom, estamos em novembro. Este é o mês reconhecido oficialmente como de celebração da Consciência Negra. É o mês em que a população a f r o d e s c e n d e n t e rememora, no dia 20, Zumbi dos Palmares, líder do mais famoso quilombo e personagem que figura no Livro de Aço como um dos Heróis Nacionais, no Panteão da Pátria. Relevante não?

    Estamos também na véspera da III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, que começa nesta terça, dia 5 e segue até dia 7 de Novembro, em Brasília, momento ímpar de reflexão e debates sobre os rumos das ações governamentais relacionadas a busca de uma igualdade entre brancos e negros que jamais existiu no Brasil. Isso somado à conjuntura de denúncia de violência e assassinatos que tem como principais vítimas os jovens negros, essa Conferência se torna ainda mais importante.

    Voltando ao Fantástico, evidente que há quem leia as cenas apenas como um mero quadro humorístico e como exagero de “nossa” parte. Mas daí surge novas perguntas:

    Um regime de escravidão que durou 388 anos; Que custou o sequestro e o assassinato de aproximadamente 7 milhões de seres humanos africanos e outros tantos milhões de seus descendentes; e que fora amplamente denunciado como um dos maiores crimes de lesa-humanidade já vistos, deve/pode ser motivo de piadas?

    Quantas cenas de “humor inteligente” relacionado ao holocausto; Ou às vítimas de Hiroshima e Nagasaki; Ou às vítimas do Word Trade Center ou – para ficar no Brasil – às vítimas do incêndio na Boate Kiss, assistiremos em nossas noites de domingo?

    Ah, mas ex-escravizados festejando em carnaval a “liberdade” concebida pela áurea princesa boazinha, isso pode! E ainda com status de humor crítico e inteligente.

    Minha professora Conceição Oliveira diria: “Racismo meu filho. Racismo!”.

    A democratização dos meios de comunicação como forma de combate ao racismo

    Uma das tarefas fundamentais dos meios de comunicação dirigidos pelas oligarquias e elites brasileiras tem sido a propagação direta e indireta – muitas vezes subliminar, do racismo. É preciso perceber o que está por trás da permanente degradação da imagem da população negra nesses espaços. Há um pensamento racista que é, ao mesmo tempo, reformulado, naturalizado e divulgado para a coletividade.

    A arte em forma de publicidade, teledramaturgia, cinema e programas humorísticos são poderosos instrumentos de formação da mentalidade. O que vemos no Brasil, infelizmente, é esse poder a serviço do fomento a valores racistas e preconceituosos que, por sua vez, gera muita violência. A democratização dos meios de comunicação é fundamental para combater essa realidade. No mais, deixo duas perguntas ao governo federal e ao congresso nacional, dos quais devemos cobrar:

    O uso de concessão pública para fins de depreciação, desvalorização da população negra e da prática do racismo, machismo, sexismo, homofobia e todos os tipos de discriminação e violência não são suficientes para colocar em risco a concessão destes veículos?

    Por que Venezuela, Bolívia e Argentina, vizinhos latino-americanos, avançam no sentido de diminuir a concentração de poder de certos grupos de comunicação e no Brasil os privilégios para este setor só aumentam?

    Tantas perguntas…

    • Douglas, fiz a pergunta e você me respondeu!
      Como piada, ganhou do cara da Bandeirantes.
      O tal de Brutilis.
      E cai na deles, quando falar o que ocorreu no
      dia 13/05/1888, e o idiota aqui gritou "libertação
      dos escravos", acertei!!!
      Depois fui vendo o que de tão fantástico havia
      na chamada do cara. Pensei que fosse só eu
      a ver "PORCARIA".
      Não vi RACISMO, vi humilhação, vi um baita "SARRO".
      E que o povo só se alegra no carnaval.
      Acho que a Globo, não deveria mais receber o BOLSA CARNAVAL.
      Esta na HORA, do POVO, tomar umas medidas
      quanto a este canal de TV...