Burocracia e tecnocratas podem inviabilizar ajuda aos pobres

Miriam Leitão, em sua página em O Globo ouve economistas para saber como o governo fará para “encontrar os novos pobres”, queles que estão na informalidade e que teriam, em tese direito a receber o tal “voucher” de R$ 600 diante a crise da pandemia que os impede de ganhar. Fala em chamar ONGs para fazer o cadastro destas pessoas e outras bobagens que só vão semear confusão.

O governo só dispõe de um único cadastro universal e relativamente confiável: o CPF.

Ele tem de ser a base bruta do pagamento, extraindo-se dela – e é relativamente fácil – os que têm vínculo remuneratório: trabalhadores com carteira assinada (que terão outro tratamento, diferente), servidores públicos, aposentados e pensionistas públicos e privados, além de declarantes do Imposto de Renda que, mesmo sem vínculo laboral ou previdenciário, tenham declarado renda anual superior a, digamos, R$ 36 mil em sua última declaração, além dos menores de 16 anos.

Todos estes dados cadastrais estão disponíveis de imediato nos cadastros federais: da própria Receita, do Caged/Rais, da Previdência, dos Estados e das Prefeituras. E podem ser cruzados com velocidade computacional com o cadastro do Banco Central (contas corrente e contas poupança) para se depositar o auxílio sem burocracia.

Fica gente de fora? Provavelmente sim, mas numa quantidade em que se ode resolver com cadastro presencial ou via web, o que é impossível com 40 milhões.

Mais: tem de liberar totalmente o pagamento das aposentadorias “engarrafadas” no INSS, as com e sem exigência, que somam quase 2 milhões. Daqui a seis meses faz-se uma revisão e quem, por acaso, não tiver direito ou não cumprir exigência, terá o tempo recebido acrescentado ao tempo exigível para aposentar-se. A grande maioria deles é idoso (grupo de risco) e com baixa renda. E o o que sai na aposentadoria não sai em voucher.

Idem para a fila do Bolsa Família, de meio milhão delas.

Lembre-se do ditado dos nossos avós: melhor pecar por excesso que por falta.

É essencial proteger o empresário que mantém seu pessoal em casa sem demitir por caminhos não financeiros. Redução de alíquotas de tributos (que é mais fácil que mexer neles) para quem não demite ( ou não demite mais que um micropercentual de sua folha) é um dos caminhos. O governo tem e pedir autorização legislativa para emitir quantia certa, para criar dinheiro para a emergência. A inflação que isso traria, o que torna isso herético para os neoliberais não vai acontecer, porque não não com o quê comprar, nem como comprar. Ampliar o prazo do aviso prévio é outra medida para evitar a degola do empregado como primeira solução.

Estamos numa emergência na saúde e na economia. Na saúde, não se pode tergiversar: é isolar, atender, diagnosticar, tratar e ir até o último recurso para salvar.

Não dá para protelar também na economia, Já quinze dias de terror se passaram e tudo o que temos são anúncios pomposos sem providências práticas.

Fernando Brito:

View Comments (22)

    • Concordo com você, mas precisamos de uma nova eleição e esta que foi fraudada deverá ser cancelada e deixar o povo eleger quem eles quiserem. O novo governo que advirá deverá fazer uma reforma geral., acabando com a maioria destes Ministérios, Fazer um corte de salário de forma vertical de cima pra baixo. O cidadão que ganha de trinta mil pra cima deverá ter seus rendimentos cortados em 30%. Será uma escala. Todos tem de entenderem que estamos perto de uma economia de guerra, Mas, isto é para um governo do "Saco roso" e não estes bunda moles por ai!!!

  • Pois é ne! Até agora só conversa fiada. Se esquecem que as firmas preferirão mandar os empregados embora pagando seus direitos, pois ninguém sabe como será a reação da economia .Como um empresário pode manter os seus empregados sem saber como a economia irá reagir. . Veja o que o Governo propõe: Juros pela taxa Selic (3.75%) ao ano com carência de pagamento de seis meses e trinta e seis meses para pagar. Seria a hora do Governo cair na real e abaixar estes juros para um por cento anual, assim o empresariado não poderia despedir seus empregados por um ano . O Paulo Guedes quer emprestar com uma mão e tomar com a outra. Esta turma se esquece que este governo deveria tornar sócio do empresariado. . Porque será que eles querem que a bomba estoure só nas mão do empresariado. O Trump colocará trilhões de dólares nos banco e a favor dos empresários a juros 0%. Afinal de contas: O governo sabe que ele também ganhará com o aquecimento da economia.

  • Parece-nos que estes Economistas do Governo não entendem nada de economia. Vejamos o empresário com medo da recessão, dispensará a maioria dos seus empregados e eles terão direito o seguro desemprego, e dinheiro do seguro desemprego quem paga é o governo. Observem bem a falta de inteligência desta turma. Se Paulo Guede acha que emprestando a juros de 1% ao ano, tomará prejuízo, mas o prejuízo maior será ele ter de pagar os salários desemprego. Vide nos EUA que de poucos meses para cá cresceu de 600 mil e agora está em quase 3,400 mil. Falta a esta turma incompetentes uma assessória e não um bando de analfabetos em economia.

  • Burocracia, tecnocratas e, acima de tudo, má vontade.
    Quando é para favorecer apenas os patrões, fica tudo muito fácil. Até MP com erro de redação esse governo passa.

  • O Eduardo Moreira lançou uma ideia interessante: a caixa econômica emite um cartão de débito para qualquer um que pedir, poderia ser feito um cadastro on-line para isso sem necessidade de ir ao banco, ONGs poderiam auxiliar os hipossuficientes nesta parte, o governo deposita nestas contas. Esse dinheiro só poderia ser gasto em empresas que não demitam funcionários. Como estas empresas irão receber do governo elas têm que emitir nota fiscal e não poderão sonegar, o governo recebe os impostos, acrescenta mais alguma coisa e o ciclo se repete. As regras poderiam ser flexíveis no início e depois se tornando mais rígidas (empresa que demite; beneficiário com outra renda sai do programa).

    • Esta sua teoria das pessoas só comprarem em firmas que não demitiu seus empregados nunca irá funcionar. Mas, como estas e outras medidas só poderão ser implementadas depois que um governo novo (que fale e o povo acredita e não esta turma de parvos que ai estão) O Governo tem de pensar juntamente como o Empresariado. Aquele que demitiu tem de colocar outro no lugar mantendo a quantidade na hora que solicitar o empréstimo que deverá ser de 1% ao ano e com trinta e seis meses para pagar desde que não demita ninguém Mas, isto será possível depois que cancelarem esta eleição fraudada e entrar um novo governo que tenha moral e fale o e o povo acredite.
      ECONOMIA DE GUERRA!.

  • Se o governo não paga os que requisitaram aposentadoria desde 2018 (eu inclusive), como acreditar que vai ajudar quem precisa? Este dinheiro vai acabar mesmo é no ralo, só mesmo idiotas para crer em mais essa falácia.

  • Bravo, Fernando Brito, mais uma vez. Como o guedes deve estar todo empolado de ouvir dizer que vai dar alguma compensação financeira a quem precisa, vai fazer tudo pra complicar. Para colocar essas ações de emergência em prática é preciso algo além de dinheiro: inteligência e humanidade.

    • E, no final das contas, não receberão um chavo.
      Pra que socorrer pobre se o que precisavam deles já tiveram, e aos borbotões: o voto.
      E sabem que em futuras eleições poderão contar DE NOVO, com os que restarem vivos.
      Então, pra que ajudar pobre? Bobagem. Eles sempre voltam pra comer as migalhas nas mãos dos donos.

      • infelizmente. o capitalismo vai se travestir de algo mais palatável, até a próxima crise

    • Muita gente aí não está entendendo nada. A economia tem que se render incondicionalmente à emergência da pandemia. E a economia marota do Guedes, esta tem que se render mais rápido ainda, e depois sumir do mapa rapidinho, não vai dar tempo sequer de jogar no saco faqueiros e castiçais de prata. A rendição tem que ser incondicional, e a imposição é tão poderosa que, se necessário for, justifica até mesmo pegar a guitarra e imprimir uma nota preta para atender à urgência. .

      • guedes já está sumido. apareceu passeando na praia.

    • Fernando Brito, sozinho, e mesmo distante dos meandros dos sistemas da burocracia, demonstra mais capacidade técnica que todas as equipes de burocratas de merda dos governos de Temer e BolsoNero juntas. Esqueceu apenas três bases relevantes, o Cadastro Único, que registra milhões de beneficiários e potenciais beneficiários do Bolsa Família; o cadastro dos MEI, detido pela receita federal e que registra milhões de autônomos; e o cadastro do PRONATEC, que registra os milhares de estudantes em cursos técnicos. Se juntar isso com os cadastros das prefeituras das grandes cidades para os moradores de rua, além daqueles apontados por Brito, já teremos algo próximo aos que realmente precisam ser beneficiados com urgência. E como ele disse com propriedade, neste contexto, melhor pecar pelo excesso do que pela falta (é melhor um morador de rua receber duas, três ajudas, do que nenhuma).
      Contudo, como sabemos, para isso acontecer, o passo fundamental é TER PODER EXECUTIVO, e para isso BOLSONARO PRECISA SER AFASTADO, PRESO E UM NOVO GOVERNO PRECISA SER RECOMPOSTO.
      A escolha é simples: ou remontamos um governo com capacidade técnica e política executiva ou os mais fragilizados morrerão, de covid-19, de fome ou por qualquer outra perversidade do Bozovid-17.

  • Se o governo vendeu bilhões de dólares, deve ter bilhões ou trilhão de real em caixa, não?

  • Fernando, o cadastro do PIS, gerido pela CEF é muito mais completo que o do CPF, para fins de averiguação de trabalho e renda

    • Que tal se fizessem um cruzamento do CPF, PIS e Cadastro Único, Isto já está pronto, falta somente um pouquinho de inteligência destes ditos "economistas" do Governo. Aqueles que ficarem de fora que se cadastrem para receber ajuda de os ditos 600,00 reais. Mas, o que dá para perceber é que os ditos "economistas" pensam que o Deus mercado fará o reajuste e eles não precisarão de intervir. Mas, pelo que já vivi , nós nunca em tempo algum passamos por um desastre destes. Mas, devemos observar uma coisa: Este governo do Bozó dá azar, pois vejamos: primeiro foi a tragédia de Brumadinho, depois veio a queimada no Amazonas, Óleo nas praias, e agora o Corona.
      O que dá para observar é o seguinte: Estes Economista Paulo Guedes juntos, pensam exatamente em pagar primeiro os rentista e o depois o povo que se fodam. Vejam se não é isto!!!.

  • Qual a melhor solução econômica ante a economia arrasada e o Coronavírus? Seria os "economistas"
    do Governo se tornarem sócios do empresariado. Mas, isto eles não veem. Será que estes "analfabeto" não tem noção do que se se avizinha. Se o Governo através dos ditos "economistas" não procurarem ouvir os empresários, ele estarão no mato sem cachorro! Os empresários com medo da recessão mandarão seus (a maioria) dos seus empregados embora e estes irão requerer o auxílio desemprego e aumentará e muito as dificuldade da "Área econômica", Mas, isto estes mentecaptos não veem. Vejam o Trump, está colocando dinheiro a disposição do Empresariado a zero% com prazos a perder de vista, suspendendo os débitos das pessoas com prestação de casa e cartão de crédito por seis meses exatamente prevendo o que vai acontecer. Será que não seria melhor para o Governo emprestar dinheiro a 1% com carência de um ano e 36 meses para pagar desde que os empresariado não demita seus funcionários. Este tosco deste governo deve pensar como a cabeça do empresariado. Não interessas se os juros serão baratos, mas os empresários farão um compromisso de não demitir ninguém e se demitir terá de colocar outro no lugar, mantendo compromisso na hora de receber o financiamento.

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