Ciro morde espaço do Governo, Ramos vira pingue-pongue

A experiência das últimas décadas ensina que tanto maior é a velocidade de trocas e arranjos ministeriais num governo, mais fraco ele está.

É o que acontece, agora, quando Jair Bolsonaro entrega o núcleo do governo – a Casa Civil -ao senador Ciro Nogueira, coronel do Centrão, no lugar do general Luiz Eduardo Ramos, que há três meses havia saído da Secretaria de Governo, para ali alojar-se a deputada Flávia Arruda, como despachante do outro líder do grupo político o o presidente da Câmara, Arthur Lira.

Para manter Ramos no Planalto, desloca-se, mais uma vez, Onyx Lorenzonni, da Secretaria de Governo para um recriado Ministério do Trabalho, sem poder algum, do que restava sob o controle de Paulo Guedes. Qualquer coisa serviria a Onyx, até um “Ministério da Casinha de Cachorro”, porque a ele interessa flutuar no gabinete de governo até poder se lançar candidato ao governo estadual gaúcho.

Nogueira ganha o ministério para tentar resolver três problemas interligados: aliviar a pressão da CPI da Covid no Senado, lubrificar a aprovação de André Mendonça e a recondução de Augusto Aras, respectivamente, ao STF e à PGR e, finalmente, rearticular a base aliada no Congresso, ressentida da falta de liderança desde que Davi Alcolumbre deixou a presidência do Senado.

Mas, para isso, é preciso entregar mais um naco do Governo – e das verbas públicas – ao Centrão e não apenas dividir a cota que já tem Arthur Lira, porque, em acordo político, o que foi dado não é tomado sem traumas.

Bolsonaro parece satisfeito com o que crê ser sua habilidade política, que só existe na cabeça dele.

Seu ministério não tem área política, tem despachantes de deputados e, agora, senadores, para manter maioria ou, ao menos, capacidade de evitar a abertura de processos de impeachment.

Falta agora resolver o “problema” Davi Alcolumbre, que quer estar também na cota de “caciques” no Senado e reclama ter sido abandonado depois de costurar a candidatura de Rodrigo Pacheco para a presidência da Casa.

E os vários “problemas”, comuns a estas situações, o do “vou querer também” generalizado.

 

Fernando Brito:
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