Heleno ‘libera geral’ mineração na fronteira amazônica.

A reportagem da Folha sobre as autorizações concedidas pelo General Augusto Heleno para a mineração de ouro (e também tântalo e nióbio, metais raros) é tem potencial para ser uma mina de escândalos.

Tratam-se de permissões minerárias localizadas na “Cabeça do Cachorro”, um região de terras públicas e reservas indígenas, ainda com alto grau de preservação da floresta, que entregam a pessoas e empresas o poder de revirar terras e rios atrás do metal, em boa parte com aquelas dragas que nos escandalizaram, dias atrás, revolvendo o fundo do Rio Madeira, bem próximo a Manaus.

Só que, agora, em uma região onde não há a menor condição de que sua atividade seja minimamente controlada, pelo isolamento da área (a 900 km de Manaus ), pela extensão das concessões (12,7 mil hectares) e sem projeto detalhado das ações de prospecção. A maioria deles, aliás, mantida sob sigilo e todos autorizados “de carreirinha”, entre o fim de abril e a semana passada.

Cabe ao Gabinete de Segurança Institucional, chefiado por Heleno, autorizar atividades na faixa de fronteira e, ali, há limites tanto com a Venezuela quanto com a Colômbia e não se sabe qual é o benefício que terá o país ao permitir, sem nenhum controle, a extração mineral de grande impacto ambiental em áreas virgens.

Os militares sempre se preocuparam com aquele trecho da Amazônia, que supunham ser propício à ação de “guerrilheiros”, mas Bolsonaro sugere ter outras preocupações e mandou, no ano passado, projeto para a liberação da pesquisa e lavra de minérios em terras indígenas, o PL 191/20, que não avançou, embora a atividade avance, comendo pela beirada – como no caso destas concessões – as áreas ocupadas pelos índios.

O presidente sequer disfarça seu olhar para a exploração daquela região. Tanto que esteve lá, em maio, para inaugurar a reforma de uma modesta ponte de madeira, com 18 metros de comprimento e 6 metros de largura, numa viagem que custou três vezes o valor da obra. A ponte, é claro, fica ao lado da área onde se sabe existirem jazidas minerais.

Mas, claro, tudo é mera coincidência, não é?

Fernando Brito:
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