O ‘0800’ tem preço

A exibição de Jair Bolsonaro em Dubai não tem limites, nem mesmo na ridícula história do hotel de R$ 45 mil por dia onde está hospedado.

É 0800 pra mim, tá ok? Sou eu e mais nove, dez quartos. Jamais eu ficaria, com todo o respeito, mesmo eu pagando, não ficaria em um hotel desses, jamais”.

Mas é lá mesmo que ficou, com mulher, dois filhos (Flávio e Eduardo) e mais os ministros Paulo Guedes, Augusto Heleno, Braga Netto, Carlos França e mais os secretários Flávio Rocha e o de Cultura (???) Mário Frias, todos na boca rica.

Não creio, porém, que seja uma economia para o país seu presidente exibir-se nas farras e luxos bancados por governos e nobrezas estrangeiras. É que o 0800 custa caro em matéria de dignidade e austeridade que devem ser a marca de um chefe de Estado.

Há um limite entre a acolhida gentil e o usufruir folgazão de prazeres e luxos pelo cargo.

Os 20 anos de serviço junto a Leonel Brizola foram-me outra escola.

Não que ele se furtasse a um bom vinho, se lhe era servido. Mas sem exageros, ou “desbordamentos”, como costumava dizer.

Lembro-me de uma vez, convidado ao programa de TV do empresário Henry Macksoud foi-lhe cedida uma “suíte presidencial” no luxuoso hotel de sua propriedade, o Macksoud Plaza.

Chegamos lá com um Brizola apatetado diante da ostentação e, já no quarto, mostrando como o sapato afundava no felpudo tapete, virou-se para mim e disse:

— Brito, vamos para o Jaraguá (um então decadente hotel que dividia o prédio com a redação do Estadão).

E completou: um luxo destes não tem como não corromper a alma da gente.

Presidir um país não é “curtir um bocão”.

 

 

 

 

 

Fernando Brito:
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