O dia em que somos iguais

Hoje é um dia raro, raríssimo: o dia em que somos iguais.

Essa igualdade que a história humana há milênios nega e que há tantos outros milhares de anos os homens procuram.

O carrão de luxo e o tênis velho e surrado levarão, cada um, apenas um voto para a urna.

Deus sabe o quanto se remoem  de ódio deste dia aqueles que se consideram melhores, mais capazes, que se julgam donos das coisas, das pessoas, do país.

Os homens do “mérito” não conseguem compreender que são, como qualquer um de nós, apenas  seres humanos miúdos e insuficientes, que sucumbiria de fome, sede e frio se não fosse parte de uma coletividade, onde produzem o que come, trazem-lhe água e tecem suas roupas.

Que os carros, os apartamentos, os bens são seus, mas as pessoas não lhes pertencem.

E que a vida só pode ser boa para um se for boa para todos, pois o contrário traz o conflito, o rancor, a brutalidade, a violência.

Tentaram, até o último minuto, transformar este dia no dia do ódio.

Quando perceberam o fracasso, redobraram a dose de ódio.

Um ódio sem fome: nem de comida, nem de justiça.

Ódio apenas a que todos tenham o que comer e que possam sonhar com justiça para seus filhos.

Não aceitar que o mundo e a vida sejam feitos de ódio, mas de generosidade,  é como isso pode ser derrotado.

Há mais de 70 anos, no lindo discurso final de O Grande Ditador, Charles Chaplin  parecia ver o que aconteceu, nestes dias, no Brasil:

” O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens… levantou no mundo as muralhas do ódio… e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.”

Eu vou desligar agora meu computador.

Vou para a rua, para urna.

Do mesmo jeito que irá meu irmão e minha irmã mais pobres, do mesmo jeito que irá meu irmão e minha irmã mais ricos.

Com a mesma certeza e as mesmas apreensões de quem me lê, que vai fazer igual.

Vamos, então.

Por mim, por meus filhos, por você e os seus, por todos os seres humanos, meus iguais, seus iguais.

O país não está dividido, senão por aquelas muralhas do ódio.

O povo brasileiro, na sua simplicidade, há de desmanchá-las hoje, ainda que amanhã, teimosamente, eles tentem reconstruí-las.

Mas hoje, não.

Hoje é um dia raro, raríssimo: o dia em que somos iguais e irmãos.

O dia em que somos donos dos destinos do Brasil.

 

 

Fernando Brito:

View Comments (37)

  • Belo texto Fernando. O dia da eleição é o dia mais belo onde todos os homens e mulheres são iguais porque seus votos tem o mesmo peso .

  • Um conquistador o grande,pediu para que seu caixão, fosse semiaberto com as mãos de fora,para que todos vissem suas maos vazias e suas joias fossem espalhadas ao longo do caminho então: Eis aqui o grande que entrou de mãos vazias no mundo e de mãos vazias,sairá e quem não entender sobre a igualdade nesse mundo sedento entrará e sedento sairá.

  • Desculpe, somos iguais todos os dias.
    Mas há dias, que alguem tenta destruir isto.
    Não posso trata-lo como igual, pois as instituições
    protegem as vezes aqueles que não querem que isto
    ocorra...
    Somos iguais no NATAL.Quando Papai Noel nos dá ou
    não um presente. Sabemos que somos diferentes até
    nisto, e isto nos faz caridosos, amáveis, com um
    espirito mais leve.
    HOJE vou votar, e tenho lado, meu lado é DILMA e tudo
    o que lea representa.
    E na segunda Feira, independente do que aconteça, quero
    DILMA levando a JUSTIÇA, todos os culpados pela agressão
    ao dia de hoje..eles tiraram minha alegria plena.
    Segunda Feira, meu computador, meu tempo gratuito esta
    disponivel para quem tiver trabalho a fazer.

  • Hoje acordei cedo para ir votar.
    Chuva fina o tempo todo e muita alegria no peito por estar contribuindo com o país na escolha de nosso presidente. Sou consciente do ato que estou fazendo. Sei que muitos deram sua vida pra que hoje, eu pudesse exercer o direito de escolha, o direito ao voto. Desse modo, o simples ato de votar possui um valor simbólico inestimável.
    Sou de um tempo onde a grande preocupação de toda família era alimentação e ter o que vestir. E era muito difícil. Não se comprava pacotes de açúcar, café e arroz. Ia-se na mercearia do bairro comprar um punhado, cem ou duzentas gramas disso ou daquilo. O suficiente para um ou dois dias. Tudo era no quilo e se comprava muito pouco. Quando se tinha conhecimento com o dono da mercearia, comprava-se na caderneta, pagando ao fim do mês pelo preço do dia. E a diferença era grande pois todos os dias haviam aumentos de preço.
    Sou de um tempo onde não havia trabalho para todos e quando alguém da família conseguia um trabalho era uma festa. Trabalhava muito e ganhava-se muito pouco. O maior sonho de uma criança era crescer logo para ajudar os pais com as despesas de casa. Lembro-me que quando faltava algo de comer, como uma bolacha e manteiga, logo pensávamos, quando crescer vou trabalhar muito pra sempre ter bolacha e manteiga aqui em casa.
    Sou de um tempo onde frango era um prato caro e só para os domingos. A carne de boi não era para todos os dias e quando se tinha, colocava-se um pedaço no prato e se havia a intenção de repetir o prato, tinha que reservar um pedaço daquela carne pois só havia um pedaço pra cada um.
    Lembro-me da mamãe na cozinha, com os filhos com fome e ela preparando o alimento, um lanche da tarde. “Deixa eu ver o que vou fazer hoje pra vocês...”. Não havia o que fazer. Mas mamãe dava um jeito. Banana frita com açúcar ou banana com farinha. O pouco que havia na cozinha, mamãe acabava por inventar algum prato que saciava a fome dos filhos. Fico imaginando hoje, o sofrimento de minha mãe, sua luta, sua determinação.
    Sou de um tempo onde o pagamento do mês era insuficiente para fazer as compras de supermercado. Raramente mamãe conseguia comprar algo diferente para nós, como uma bandeja de iogurte, e se o fizesse, precisava retirar outro item mais necessário. Maçã era uma fruta impensável, muito cara e inacessível. Lembro-me que meu sonho era comer uma maçã do amor.
    Sou de um tempo onde a maioria que queria estudar em uma faculdade, não poderia. Era coisa de rico. Não bastava querer. Na família não havia uma pessoa se quer que havia feito curso superior. Era algo impensável, distante, difícil, beirando o impossível.
    Sou de um tempo onde não havia empréstimos, financiamentos, parcelas e condições especiais de pagamento. Ou se tinha todo o dinheiro ou não comprava.
    Sou de um tempo que não tínhamos acesso a médicos e hospitais. Éramos tão pobres que a solução eram chás e compressas, quando muito um farmacêutico.
    Sou de um tempo onde tudo que precisávamos, tínhamos que pedir aos doutores da cidade. Um remédio mais caro, uma consulta médica, uma hospitalização, um trabalho, um favor. Precisávamos pedir, nos sujeitar às benesses dos poderosos e benfeitores e lhes ficar devendo favores para sempre, por algo que era um direito. Lembra da conta na mercearia? Era um favor.
    Sou de um tempo sofrido, mas de esperança.
    Talvez um ou outro ache que esse tempo de onde sou é de um passado muito distante. Não se enganem. Era o tempo antes do PT no governo. Antes de Lula era assim.
    Vejo hoje o PSDB que representa a direita nesse país dizer que mudou o país. Leiam. Estudem. Nem o Plano Real é deles. Dizem que tiveram essa ou aquela ideia, mas avaliem. Nunca colocaram nada em prática. A direita que sempre comandou esse país, nunca fez nada aos trabalhadores e pobres. São a direita dos favores. De Lucianos Hucks e Gugus que dão casas de um ou outro como um grande benfeitor. Precisam que existam pobres. Precisam que existam muitos pobres oferecer o que lhes é de direito como um favor, pra que sejam muito gratos para sempre.
    Quando Lula, Dilma e o PT chegaram ao governo, trouxeram dignidade ao povo brasileiro. Não temos que implorar por trabalho e favores.
    Hoje, votei na Dilma, no PT e num futuro muito melhor aos brasileiros.

      • Parabéns pelo trabalho eles esqueceram que agora temos a internet para contrapor as idéias mentirosas. Vamos de Dilma eu já votei por todos os Nordestinos discriminados nessa campanha eu sou do sul e não compactuo com as idéias facistas desses analfabetos morais por isso vamos de 13. um abraço.

    • Oi, Mario.
      Texto fantástico! Sou do mesmo tempo que você. Hoje aos 48 anos me senti como a sua mãe, pois com meu marido desempregado no governo do PSDB, não sabia se teria o que botar na mesa pra eles comerem ou se poderia vê-los se formando... Espero muito que as urnas façam justiça a Dilma e a tudo que o PT fez por este país...

  • Hoje é o dia que Dilma será re-eleita se Deus quiser. E Deus quer. Para um Brasil mais igual para seus filhos, para avançarmos na justiça social, na economia, na educação, para inserirmos o Brasil como um país de oportunidade para todos e uma Nação que se afirma como Potencia Mundial, lutando contra 400 anos de escravidão e colonialismo que muitos teimam em manter.

  • Aqui no Rio tem santinho do Aécio com os quatro times grandes do Rio (será que esses clubes autorizaram?) além de outros panfletos reproduzindo a capa da Veja pelo chão, jogados durante essa noite.

  • PARTIDÁRIOS DO PSDB ANDAM ESPALHANDO NA REDE QUE O DOLEIRO FOI ENVENENADO, INSINUADO QUE FOI O PT. VAMOS ATUAR PARA DESMASCARAR ESSES CARAS, URGENTE! VAMOS USAR A MATÉRIA AI EMBIAXO DO http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/policia-federal-nega-envenenamento-de-doleiro/

    Polícia Federal nega envenenamento de doleiro
    Postado em 25 de outubro de 2014 às 11:35 pm

    O doleiro Alberto Youssef, delator do esquema de corrupção na Petrobras, passou mal no início da tarde deste sábado (25) e foi levado para o hospital Santa Cruz, em Curitiba, capital paranaense. A assessoria de imprensa da instituição e a PF (Polícia Federal) confirmaram, por volta das 23h30, que o doleiro continuava internado, mas sem previsão de alta.
    Em nota, a PF informou que Youssef foi hospitalizado “devido a uma forte queda de pressão arterial causada por uso de medicação no tratamento de doença cardíaca crônica”.
    “Esta é a terceira vez que ocorre atendimento médico de urgência após a sua prisão”, diz a nota, acrescentando que “são infundadas as informações de possível envenenamento” do doleiro, conforme publicaram alguns perfis nas redes sociais na noite de hoje.
    Ainda segundo a PF, que faz a escolta do doleiro dentro do hospital, “Alberto Youssef permanecerá hospitalizado para a adequação da medicação e retornará à carceragem da Polícia Federal na Superintendência em Curitiba, após o seu pleno restabelecimento”.
    Em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, o advogado de Youssef, Antônio Figueiredo Basto, declarou que o doleiro teve um mal súbito e uma queda de pressão na carceragem, onde chegou a desmaiar e teve de ser levado para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

    SAIBA MAIS
    R7

    • Parabéns pelo trabalho eles esqueceram que agora temos a internet para contrapor as idéias mentirosas. Vamos de Dilma eu já votei por todos os Nordestinos discriminados nessa campanha eu sou do sul e não compactuo com as idéias facistas desses analfabetos morais por isso vamos de 13. um abraço.

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