O Frankenstein

A provável vitória de Artur Lira – previsão quase unânime da reportagem política – na disputa da presidência da Câmara é um caminho aberto para Jair Bolsonaro empurrar o que quiser em matéria de barbaridades legais de toda ordem, desde privatizações até o seu amado “armas para todos”.

Mas é, sobretudo, uma advertência à parcela da direita (mídia inclusive e sobretudo) de que o monstro que ela criou e achou que podia dominar – um Frankenstein político, feito com pedaços de autoritarismo, militarismo, milícias, temperado com fundamentalismo religioso, idolatria aos EUA e estupidez a gosto – está pronto a esmagar seus criadores.

Pois, afinal, que maiores inimigos pode ter uma criatura monstruosa senão seus próprios criadores e sua capacidade de criar outros?

Jair Bolsonaro, menos de um ano depois de ter feito isso com Sergio Moro, volta-se agora para João Doria e Rodrigo Maia ou, se preferirem ler assim, PSDB e DEM, artífices, junto com o MDB, do golpe de 2016 que montou o laboratório de horrores de Brasília. O castelo do MDB, habitado pelo miasma de Michel Temer fica fora, por enquanto.

Não há terapêutica política para Jair Bolsonaro, exceto a extirpação, algo ainda distante do que se pode pensar hoje.

Até porque os concorrentes do ex-capitão também foram vítimas do processo de destruição da política e dos partidos que estimularam para derrubar o PT, depois de se frustrarem em quatro eleições.

Não conseguem, até agora, encarar o fato de que o antipetismo furioso – e por vezes outros ex-comensais do período petista, também o praticam – é a raiz do ódio que alimenta o bolsonarismo e que este não é um partido, mas apenas um caldeirão de estupidez, senso-comum, rancores e mediocridades.

Ainda me lembro dos mervais da vida dizendo que, eleito, Jair Bolsonaro seria controlado e posto “em seu lugar” pelas instituições.

Não, ele devorou as instituições, a começar pelas instituições políticas e pelas militares.

 

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