Puros e mortos

O Estadão dedica a sua manchete, hoje, a algo que os “vigilantes ideológicos” gostam de fazer sempre.

PT faz alianças com siglas que apoiaram o impeachment “.

“O PT se aliou em 15 Estados a partidos que apoiaram o impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff e integraram o governo Michel Temer. O PT será cabeça de chapa ao governo de seis Estados em coligações com siglas classificadas por militantes e dirigentes petistas de “golpistas”. Na mão inversa, outros nove candidatos a governador de partidos que votaram pelo afastamento de Dilma vão ter o apoio do PT. Desses nove, há filiados ao MDB, PSD, PTB, PR e Rede.”

Louvável a pureza ideológica do jornal dos Mesquita, no diapasão que seguem outros jornais que, claro, também apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff.

Quem sabe publicariam nas suas capas: “Este jornal apoiou a entrega do governo a Michel Temer”?

Sabe-se desde antes de minha bisavó que, quando faltam virtudes a algum cidadão, sua primeira providência é invocar os “pecados” alheios.

Nada surpreendente, pois, como não é surpresa que, também à esquerda surjam, aqui e ali, posturas semelhantes.

Gente cujo objetivo principal é permanecer “pura e casta” no jogo da política, pouco importando que, com isso, o país seja retalhado, vendido e o seu povo mergulhe na miséria extrema e no desespero.

Bem vemos, por Marina Silva, onde acabam indo parar.

Isso nada tem a ver com honradez pessoal e honestidade na gestão pública, mas com uma noção de “superioridade moral” que, no fundo, só traduz o elitismo de quem age assim.

Engraçado é que, à direita e à esquerda, estes mesmos sujeitos reclamem da insistência de Lula e do PT em manterem a sua real posição hegemônica no campo popular. Real, sim, porque não há nem de longe quem possa representá-lo como o ex-presidente.

Aí, ceder o comando a quem não tem voto é “bonito”,  é “desprendimento” e “comportamento democrático”.

Tratam a política com ares “religiosos”, como “bons e maus” e, em nome da pureza não vacilam em entregar os postos de governo aos maus.

Estes, quando fazem suas alianças, são “hábeis”, “democráticos”, “agregadores”.

Sejamos claros, este não é um concurso para ver quem, entre nós, é o mais puro e virtuoso.

É uma luta de vida ou morte para a democracia e para, no horizonte próximo, retomar-se o caminho para a inclusão, para a justiça social, para a nossa própria existência como Nação.

Há um homem numa cela por ter pensado e agido assim.

Mas isto não vem ao caso, o importante é que fiquemos sempre limpinhos, cheirosos e falando apenas entre nós.

Enquanto eles, os donos do mundo, chafurdam no sangue e nas vísceras de um país e de seu povo.

 

 

Fernando Brito:

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  • TADINHOS

    "Lewandowski quer aumento de 16% no salário de ministros do STF
    Ministro do STF defende inclusão de reajuste salarial na proposta orçamentária que o tribunal deve encaminhar ao Congresso até o fim do mês. Com isso, parlamentares poderiam aprovar projeto de lei sobre o tema

    O ministro argumentou que não se trata de um aumento, mas de um reajuste."

    Deve estar faltando algum tipo de auxílio para eles. Que tal um auxílio busão no valor de R$4300 por mês pra pegar o frescão???

    https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2018/08/08/internas_economia,699609/lewandowski-quer-aumento-de-16-no-salario-de-ministros-do-stf.shtml

  • De fato, alianças são importantes e revelam o "estado de graça" de um pensamento e ideologia partidários, mas é menos relevante para mim do que as propostas que os candidatos fazem. Afinal são estas, as propostas, que deveriam orientar o nosso voto (é o que interessa) e não a justa indignação se alguma liderança é preso político injustamente, pois este estado de coisas só se resolve com a disposição política "a posteriori", com os elementos de poder que a disposição ideológica "a priori" demonstra nas suas atitudes e projetos de poder (senão vira uma atitude do tipo "deixa que eu chuto", "vamos ver no que vai dar"). Sendo assim, coligações com os Eunícios Oliveiras dos mdbs do cenário político só demonstram as opções de caráter de quem escolhe estas coligações. Mas vamos ao que importa: o plano de governo do pt é o mais de sempre num cenário totalmente diferente daquele onde funcionou razoavelmente, no passado. Para ser radical: samba do criolo doido. Para ser mais tolerante: superficial com toques de ingenuidade, uma surfada na maionese e que sequer menciona desafios futuros com clareza. Por exemplo, para não me alongar demais: não diz o que vai fazer de fato com a mídia, só generalidades (nenhum plano apresentado até agora, aliás) e não demonstra ter a mínima noção da existência de uma 4ª revolução econômica, a digital, que já está em andamento e estamos a cerca de uma década ficando para traz.
    Ah! Tenho visto que a justa expressão "sebastianismo" para o lulismo tem sido confundida por alguns como proteção do santo, são sebastião, é claro. Putz!

  • Segundo aquele juizeco, este pessoal aqui é do bem...

    "Delação atinge Richa e coordenador da campanha de Bolsonaro no PR

    Na campanha à reeleição de 2014, o então governador do Paraná, Beto Richa, PSDB, tinha o apoio de uma coligação composta por dezessete partidos. Agora, candidato ao senado, viu encolher o leque para apenas três siglas. A desidratação política de Richa tem razão de ser. Envolvido até a medula em denúncias de corrupção, o tucano vive um período de intensa turbulência.

    Citado em duas delações premiadas na Operação Quadro Negro como beneficiário de cerca de 20 milhões de reais desviados da secretaria de Educação do Paraná para sua campanha, viu seu nome voltar às manchetes no último dia 26, com a divulgação de outro depoimento à Justiça feito pelo ex-amigo de viagens internacionais, Mauricio Fanini, nomeado diretor da pasta em seu governo.

    Segundo Fanini, Richa teria autorizado a “arrecadar” mais dinheiro para a campanha, via caixa dois. Ainda de acordo com o delator, o tucano justificou o pedido pela necessidade de mais recursos para comprar o apoio de três deputados federais: Ricardo Barros, PP, marido da governadora Cida Borghetti; Alex Canziani, PTB e Fernando Francischini, PSL.

    O delator afirmou que, a partir de então, a secretaria de Educação passou a liberar o pagamento fraudulento para as empresas que financiavam a campanha de Richa, mediante a adulteração nos projetos de reformas de escolas públicas.

    Fanini relatou o diálogo em detalhes. Disse que, em 2014, numa tarde chuvosa de domingo, recebeu o convite de Richa para jogar tênis no Graciosa Country Club, em Curitiba. Escolheram a “última quadra, onde não havia ninguém”.

    Richa teria dispensado os seguranças e motorista para que ficassem aguardando no carro. “No intervalo entre um set e outro, fomos tomar água e ele falou: ‘Olhe, precisamos arrecadar, você precisa arrecadar. Este ano a coisa é bastante brava’. Daí eu falei: ‘Mas eu posso propor alguma coisa diferente para as empresas, posso combinar alguma coisa com eles que possa ser acertado depois, algo nesse sentido, Beto?’”, perguntou Fanini. “Pode, porque eu tenho grandes chances de ser eleito, devo ser reeleito. E aí a gente tem quatro anos depois pra ajeitar a situação dessas empresas parceiras. Pode fazer a parceria que você tiver que fazer”, teria dito o tucano.

    Tempos depois, em uma “reunião de trabalho” na casa de Richa, o então governador reiterou a carta branca. “Pode fazer o que tiver que fazer. Faça para arrecadar”. O tucano justificou a necessidade do dinheiro por ter assumido “compromissos enormes” e mostrou uma lista de pagamentos a serem feitos. Em detalhes, deu uma aula de como faz política.

    “Ele me mostra assim, indignado: ‘Veja aqui o papel, ó. 800 mil tive que arrumar aqui pro Francischini, pro Solidariedade. 2 milhões aqui pro Ricardo Barros’. Ele me mostra assim... os nomes que eu lembro na época. Era 1,5 milhão pro Canziani, pra ter o PTB. E ele falou assim: ‘Então, veja como é isso aqui, entenda como que é a política. Política a gente faz assim ó. Tem que arrumar dinheiro e tudo dinheiro vivo’” contou o delator. Questionado pelo Procurador, Fanini foi enfático ao afirmar que o dinheiro era para “a compra de apoio político”. E reiterou: “tinha que ser dinheiro vivo. Não era nada dinheiro de caixa 1”. (...)

    https://www.cartacapital.com.br/politica/delacao-atinge-richa-e-coordenador-da-campanha-de-bolsonaro-no-PR

  • Pois é, ao longo da história do PT, os preocupados com um "ideal de pureza" saíram do partido, entre outros, para formar o PSTU e o PSoL. Como dizia Brizola, "a esquerda que a direita adora". Adora tanto que até hoje usa seus meios de comunicação (como o citado Estadão) para defender essa "pureza"...

  • estou encontrando muita gente contra o PT (veja só) por causa da declaração de Eunicio Oliveira que disse que eleição sem Lula é fraude - o cara faz uma declaração e a
    "militância de sofá" já grita que é aliança e parte pra cima

    cansada de tanta má fé somada a uma burrice crônica

  • O artigo apresenta um argumento sensato. Há que se ter em vista o que está em jogo (nossa soberania), e entender que composições e acordos politicos são a essência da democracia. Somente um completo imbecil e ignorante (estou citando nominalmente o Dallagnol) se acredita investido da missão "sagrada" de varrer o mal da face da terra, sem entender que o que resta desse arroubo infantil e grotesco é terra arrasada. Com a agravante de que ele é um agente a serviço do imperialismo, mesmo que disso não tenha consciência (possivelmente ele sabe o que anda perpetrando - atente-se para sua louvação dos americanos e seu denegrir dos brasileiros. A ignorância dele é tão grande quanto sua arrogância típica de idiotas). Os Senhores de marionetes sabem manejar os cordéis.

  • Prezado Fernando Brito, não ponho em dúvida a canalhice dos Mesquita ao "denunciar" esses fatos.
    Mas ponho em dúvida a necessidade de se aliar aos traidores. Só há essa necessidade se acreditarmos cegamente que a saída para derrotar o golpe está em eleições organizadas POR ESSE PODER JUDICIÁRIO.

    O PT deveria priorizar a preparação de um levante popular contra o golpe. Mergulhar de cabeça nessa fraude eleitoral é atitude temerária. Se o mergulho for lado a lado com traidores golpistas, aí é suicídio.

    • É preciso analisar a realidade de cada estado. Aqui no Rio Grande do Norte vamos votar numa senadora do PHS.

      Nessas "análises" cartoriais, feitas a milhares de quilômetros de distância dos fatos, estaríamos nos aliando a um partido golpista que votou 6x1 a favor do impeachment e está aliado a Meireles para presidência na atual campanha.

      No entanto, na realidade dos fatos, sua candidata a senadora no RN foi a única deputada federal do estado que votou contra o impeachment. Foi também contra a reforma trabalhista, contra a reforma da previdência e em todas as demais pautas fundamentais da última legislatura esteve do lado do campo trabalhista.

  • QUANDO A DEMOCRACIA VOLTAR, SERÁ NECESSÁRIO BUSCAR A MÍDIA GOLPISTA FASCISTA ELITISTA RACISTA...
    GLOBO, ESTADÃO, FOLHA, BAND, SBT, RBS, E OS RESTOS MORIBUNDOS DA VEJA...
    LULA/HADDAD 2018!

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