Retomada da economia com arrecadação em queda?

O Globo, que não perde chance de bater – com todo o merecimento, aliás – na gestão de Marcelo Crivella, traz hoje um levantamento da arrecadação das 12 maiores cidades brasileiras, contando o Governo do Distrito Federal como uma delas.

O objetivo era mostrar que o Rio perdeu arrecadação: R$ 1,71 bilhão (6,1%) menor que o total arrecadado no exercício anterior, de R$ 27,67 bilhões. Isso em valores nominais, sem correção pela inflação.

Perda real, portanto, acima de 10%, o que é muito grave, com certeza.

Mas o curioso é que só a cidade com melhor desempenho na arrecadação, São Paulo, cresceu acima da inflação (6% em valor nominal e 2% em valor real). Todas as outras 10 cidades (veja a tabela ao fim do post). Outras sete, além do Rio, tiveram desempenho real negativo ou zero.

Claro que problemas de gestão ajudam a ir mal, mas isso não mudou, essencialmente, no último ano.

A arrecadação das prefeituras, além do IPTU, são impostos sobre a atividade econômica: ISS, sobre os serviços, e a cota parte do ICMS, sobre o consumo.

É, portanto, um sinal de que a tal “retomada da economia” ou não existe ou é inexpressiva.

Na conjuntura de desconfiança dos índices em que entramos, observar estes sinais indiretos da atividade econômica passou a ser mais importante.

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7 respostas

  1. Naturalmente, um governo eleito pela maior fraude eleitoral de todos os tempos não poderia deixar de fraudar estatísticas e informações. A falsidade é parte essencial da natureza desse grupo que assaltou o Planalto.

  2. Acredito que é um erro de análise olhar apenas para 12 cidades (ok, são as maiores, mas não são todas) e concluir que representa uma amostragem do Brasil inteiro.

    O crescimento econômico brasileiro, apesar de pouco, se observou em sua maior parte nas cidades menores, devido ao crescimento do agronegócio e exportação de commodities agricolas.

  3. A economia não vai melhorar. E a grande mídia vai continuar com essa lenga lenga inconsequente enquanto as coisas continuarem do jeito que estão: a concentração da renda no topo da pirâmide social aumentando cada vez mais.
    Será que essa tortura nunca vai ter fim? Do jeito que vai, era melhor que esse mundo explodisse de uma vez.

    1. Nem todo o mundo está mal. A economia da África está crescendo a índices astronômicos, e as condições de vida estão melhorando significativamente em todo o continente. O Brasil é um dos grandes responsáveis pela África estar bombando, porque aquele continente foi pioneiramente valorizado, respeitado e ajudado ao máximo pelo governo brasileiro.

  4. Muito analista inclusive de esquerda e relativamente de boa cabeça, acredita que no Brasil irá se repetir pelo menos o vôo de galinha da Argentina no começo do desgoverno Macri.

    Esquecem-se de que o tal vôo deveria ter acontecido no governo Temer, do qual o atual é mera continuidade, e não aconteceu. Por culpa de quê? Um dos culpados foi o fator destrutivo chamado Lavajato, que não existiu na Argentina. Lá, o que houve foi um pequeno saneamento bancário nos últimos dias do governo Cristina, o que deu melhores condições de alento ao Macri. Aqui, o que fizeram foi atiçar ao máximo o voraz apetite dos bancos, sem que eles pudessem se saciar obedecendo a pudores democráticos. Enquanto não se repor condições de renda e consumo estruturais, nem a pau a economia vai se recuperar.

    Inútil esperar por um novo bum de commodities, porque o mercado está saturado e muitos países estão prontos para disputar estes mercados em condições excelentes de produção e de política diplomática.

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