Teríamos um colapso social, imediato, não é? Jornais gritando, ruas cheias, protestos por toda a parte.
Pois, afinal, segundo os dados do IBGE divulgados ontem, 24,7% dos 200 milhões de brasileiros, ou 49 milhões de pessoas, são cobertos, em variados graus, por planos de saúde.
Hoje, porém, a Folha publica um texto que dá quase o caráter de medida eleitoreira ao atendimento médico de um quase igual número de brasileiros -46 milhões de pessoas .
Uma longa matéria sobre os possíveis efeitos eleitorais do “Mais Médicos” se dedica a avaliar que, em muitos estados, o “impacto eleitoral pode ser positivo para campanha de Dilma à reeleição”.
O fato de só com o programa quase 50 milhões de brasileiros, finalmente, poderem ter uma consulta e um acompanhamento primário de saúde é desimportante.
Como sempre foi desimportante que a base de comparação da matéria – o Bolsa Família, que atende a número semelhante de pessoas – signifique a diferença entre comer e passar fome.
Estas 50 milhões, os que serão atendidos pelos médicos – os poucos brasileiros e os muitos estrangeiros que acorreram ao chamado para trabalhar por R$ 10 mil, casa e comida – e os que são atendidos pelo Bolsa Família não têm a mesma importância que nós – ou vocês, já que eu estou sem – que temos um plano a nos garantir que, se passarmos mal, ou se nossos filhos tiverem uma febre alta e resistente, alguém irá nos atender.
Para eles não é o mesmo que para nós, não revoltaria chegar a um consultório médico e encontrar a porta fechada ou ser mandado voltar daí a alguns meses.
Nós somos gente, temos direito, sabemos exigir e exigimos.
Eles? Eles são os invisíveis, metidos naqueles lugares ermos ou perigosos como são a roça, a favela, as periferias.
Basta que sejam “pacificados” como os índios o foram, para morrerem em silêncio ou se prestarem para algumas fotos pitorescas ou tocantes.
Não comove os nossos jornais e jornalistas que quase 50 milhões de pessoas tenham que conviver com essa realidade.
Pior, não comove sequer às nossas corporações médicas.
Tudo o que importa é que isso terá “impacto eleitoral”.
Não é algo cívico e patriótico como a aumentar a taxa de juros, elevar o superávit primário ou os 2% de reajuste que a gasolina terá nas bombas de combustível.
Não tem a importância que o “Obamacare”, que causa tanta polêmica nos EUA, tem, embora o número de pessoas a ser coberto por ele seja igual.
Eu disse pessoas?
Desculpe, lá são pessoas, aqui são eleitores, apenas.
Porque esse, apenas esse, é o único poder que possuem estes 50 milhões de seres humanos.
É o único momento em que, em suas existências miseráveis, valem o mesmo que um gravatinha dos Jardins ou um morador da Zona Sul carioca.
Pensem nisso, quando ouvirem essa conversinha de voto facultativo.
Pensem nisso quando ouvirem a conversinha de populismo.
Até de supostos “esquerdistas”, como uns bobalhões do PT dos anos 80, quando diziam, sobre as três refeições diárias das crianças nos Cieps de Brizola, que “escola não é pensão ”
Afinal, que motivos “baixos” para votar são estes, o de terem o que dar de comer a seus filhos ou ter um médico que os socorra, não é?
Do jeito que as coisas vão, comendo e tendo assistência médica, que absurdo, qualquer dia esta gente vai querer até exigir até que esse país seja justo com todos, não é?
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Para a mídia o povo não interessa.
Para a mídia o povo não interessa.
Falou tudo. Excelente matéria. O Brasil cansou de viver em função das oligarquias, de ver seu povo escravizado. O povo decidiu mudar em 2002 e está muito satisfeito com o rumo que esta tem tomado. Aos lacaios do capital estrangeiro, da elite medíocre que tem síndrome de vira-latas só me resta dizer um MORRAM! SE ESTÃO INSATISFEITOS ENTÃO VÃO EM BORA DO BRASIL. VOCÊS NÃO FAZEM FALTA!
Para a mídia o povo não interessa.
Essa matéria da Folha só escancara a torpeza e o estreiteza do enfoque dado pela elite aos problemas dos desvalidos. Enxergam somente o que cabe no limite de seus longos narizes. O que, por outro lado, convalida o resultado das últimas pequisas, pois o enfoque realmente importante é o dado pelos eleitores, sim, na hora de comparar governos e propostas de futuros candidatos. Quanto à Folha, não dá para não rir... É irrelevante!
A Folha, que na época da ditadura, do AI-5, emprestava carros de reportagem aos agentes da polícia política, torturadores para perseguir opositores do regime, não merece nenhuma credibilidade. Deveria ter o mesmo fim que teve o The Sun e o News Of The World no Reino Unido. Lá sim tem Ley de Medios, como na Argentina e com as bênçãos da rainha Elizabeth II. E a grande mídia ultradireitista nem sequer publica uma linha sobre a lei de meios britânica, se resumem em criticar a que a Argentina aprovou. Em nenhum país do mundo jornais, que não passam de tabloides sensacionalistas, como a Folha, Estadão e O Globo têm tanta importância como aqui no Brasil
Povo, esse mero detalhe esquecido por eles, pelos demo-tucanos. Eleitores são o que eles enxergam. Sim, eleitores. É uma questão do inconsciente deles. Eles veem nos outros aquilo que eles trazem no íntimo. Melhorar a vida dos outros implica ganhar votos. Vale Gás, Vale Leite, Bolsa Escola, tudo isso era programa para angariar votos dos eleitores. Era o fim desses programas. Era o que eles carregavam na alma. Não eram programas de Estado (como eles, demo-tucanos gostam de falar). Eram programas de Governo deles, eram Programas eleitoreiros.
O Bolsa Família (reduz a fome e a miséria) é a porta de entrada pro Mais Médicos, pois sem alimento e sem água não há saúde e condição mínima de existência digna.
O Mais Médicos foi precedido de construção de Unidades Básicas de Saúde, as UBS - com instalações físicas e equipes do Programa Saúde da Família (com enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes de saúde, SAMU). O médico não está só, ele comanda a UBS, recebe pessoas na UBS e faz visitas domiciliares a quem precisa.
O PRONATEC é a porta de entrada de uma nova vida, da vida profissional, proporcionada pelo modelo econômico desse Governo, centrado no povo, para o povo, pelo povo. O PRONATEC é a formação profissional para melhorar a qualidade do emprego procurado, para melhorar a renda do assalariado.
O Minha Casa, Minha Vida proporciona a organização da cidade, impede a favelização, leva saneamento básico, realiza o sonho da casa própria.
Parei por aqui.
Na base de tudo, o povo. O fim de tudo, o povo. A turma do jurão ainda ganha, mas sobra um pouco mais pro povo. Eis a diferença.
Esse era o quadro antes, até porque no extrema da irrespnsabildiade, médicos de regi~eos da mais miserábeis, como da Amazônia,largaram o consultório pela política só para passar o dia vababundando pelos corredores e ganhando fábulas
Para a mídia o povo não interessa.
Sr.Fernando Brito,é muito querer ler em nosso idioma? Meu NOME é NOME e
não 'name'! O que é 'says'? Só tenho obrigação de saber corretamente ler
e falar corretamente nossa língua materna e isso eu sim,muito bem.Se eu
continuar a ser insultada toda vez que acessar o Tijolaço é simples:pas-
sarei a ignorá-lo.Lamentarei,é claro,pois o acompanho desde o Brizola
Neto,mas depois me esqueço.Afinal,são vários os 'blogs sujos'...
A propósito:que é feito do Brizola Neto? Estimaria saber notícias dele.
Sylvia, minha querida, o seu name é nome e o que você "says", fala com muita propriedade. Propriedade é, aliás, o que me falta sobre o programa, que é em inglês, porque o em português deu alguns problemas. Saímos do ar, por uns dias, exatamente por dificuldades de, sem "money", que "nós num have", ter uma estrutura técnica do jeito que queremos. Sabe como é, nossos "blogs sujos" são fartamente subvencionados pelo Governo...rs Eu jamais ousaria insultar quem tem a paciência de ler o que eu escrevo, até porque só isso já é um ato de generosidade. Quanto mais não fosse, a uma Tigre. Quanto ao Brizola Neto, assim que falar com ele, vou dar conta de que o povo está reclamando a presença dele e insistir para que mande um artigo.