Sem sindicato, a corporação que ganha é a dos ricos

Segundo o IBGE, a parcela de trabalhadores brasileiros sindicalizados caiu, em 2019 , a pouco mais de dois terços do que eram há apenas sete anos: 16,1% dos trabalhdores eram filiados a sindicatos em 2012, contra 11,2% no ano passado.

Os números só comprovam o quanto o trabalhador brasileiro está crescentemente indefeso e, faça-se justiça, nem só por obra do neoliberalismo.

É verdade que o combate à sindicalização alimentou-se de várias fontes, desde que a era Tatcher o atacou violentamente no processo de re-selvagerização que que, a partir dos anos 80, venceu a idéia dominante do pós-guerra do Welfare State, o estado do bem-estar social.

O gráfico aí de cima, não por acaso, mostra o que aconteceu desde 1980 não só com o número de sindicalizados no Reino Unido (e o processo, mais lentamente, ocorreu em toda a Europa) mas também como, em sentido inverso, propiciou a dobra da participação do 1% mais rico na renda total dos britânicos.

Aqui, porém, acontecia um processo inverso: “amansados” pela ditadura, os sindicatos se reerguiam e voltavam ao palco das lutas políticas.

O ódio da ditadura aos sindicatos – afinal, uma das “desculpas” para o golpe de 64 não foi a imaginaria “República Sindicalista” que o trabalhismo queria implantar? – iria ressurgir no período FHC, sob o argumento de que o sindicalismo defendia o “atraso” na economia e, já na última década, de que seriam um processo de “esquerdismo socialista” em implantação no Brasil.

Parte da esquerda, inclusive a de origem sindical, também reciclou o discurso dos anos 50, encantada com os conceitos de “liberdade e autonomia sindical, aderiu ao suicídio das suas organizações, incorporando os argumentos do capital de que o imposto sindical era uma tunga aos trabalhadores e, de outro lado, fazendo com que a partidarização das centrais sindicais levasse a um “pluralismo” que só as enfraqueceu e reduziu sua capacidade de pressão política.

Os números de 2020, quando saírem, mostrarão um cenário ainda mais sombrio para o sindicalismo, por conta da crise econômica e do quadro de precarização do trabalho que vai sendo caprichosamente desenhado no Brasil.

Na escravidão, afinal, não havia sindicatos.

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