A civilização afunda nos céus da Europa

O pateta da foto aí de cima é Michael O’Leary, presidente da Ryanair.

Quer dizer, pateta no meu e no seu  conceito, mas não no do “mercado”.

A Ryanair é uma companhia aérea de “baixo custo” que está causando furor na Europa.

Ela tornou-se a maior, isoladamente,  em movimento de passageiros no continente, 80 milhões de viajantes por ano. O grupo Lufthansa transporta pouco mais de 100 milhões de passageiros, mas nas várias empresas controladas.

O’Leary é um dos sócios da empresa, fundada na Irlanda e especializada em fazer vôos para aeroportos secundários, nas proximidades – às vezes nem tão próximas – das grandes cidades.

Com isso, Ryanair lucrou, em 2012, 570 milhões de euros. Abaixo, portanto dos 990 milhões de euros da Lufthansa.

Mas com uma lucratividade de 11%, contra apenas 3% da alemã.

O boss da Ryanair, que não esconde seu desejo que sejam liberadas as viagens com passageiros de pé nos aviões, está no centro de uma polêmica que, na prática, ele vai vencendo, com a crescente desregulação – em nome da competitividade – das relações de trabalho.

É que O’Leary e sua empresa não apenas convidam suas aeromoças a posarem de biquíni, calcinhas ou soutiens para calendário e para promover-se nos jornais.

Ela submete seus trabalhadores a condições aviltantes de trabalho, que vão desde pagar por seus uniformes até ter de “indenizar” a empresa se resolverem deixar o emprego antes de 15 meses.

O salário de uma comissária é baixíssimo, para os padrões europeus – 10 mil coroas dinamarquesas, ou R$ 4.200 – e o sindicato diz que o contrato de trabalho é escravista.

Mas com a Europa afundada na crise, todos aceitam tudo: os passageiros se multiplicam e a fila por emprego na Ryanair tem cinco mil pessoas esperando.

Aqui, as nossas companhias aéreas seguem cortando custos e nem mais as barrinhas de cereal são gratuitas, enquanto demitem trabalhadores aos milhares.

Consolemo-nos, pelo menos, com o fato de que nossas “atrasadas” leis arruinariam quem chegasse ao ponto que O’Leary  chega.

Ao mesmo tempo, para uma elite endinheirada e para uma classe média alta “arruinada pela carga tributária” multiplicam-se, como registra hoje a Folha, as possibilidades de vôos de luxo, com mimos que vão desde chefs de cuisine até chuveiro a bordo, para quem pode pagar – em geral na conta das empresas, que repassam isso para seus preços – as viagens de primeira classe e  classe executiva.

O’Leary e a Ryanair chocam, é verdade.

Mas o crescente apartheid aéreo choca ainda mais.

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2 respostas

  1. Preferia o Bennetton, ele era mais ousado, ficava pelado mesmo. Em todo caso, podemos ver que a sociedade do espetáculo não criou um povo culto, apenas foi um circo. Ele assim está mais para palhaço, no pior sentido do termo. Berlusconi que se cuide, já tem substituto à altura!

  2. Preferia o Bennetton, ele era mais ousado, ficava pelado mesmo. Em todo caso, podemos ver que a sociedade do espetáculo não criou um povo culto, apenas foi um circo. Ele assim está mais para palhaço, no pior sentido do termo. Berlusconi que se cuide, já tem substituto à altura!

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