A Venezuela a caminho da guerra civil. E da intervenção estrangeira

São cada vez mais apavorantes os sinais de que haverá conflito armado na vizinha Venezuela.

Não que a crise seja nova, pois desde 2002, quando parte da oficialidade, a federação das indústrias local e sindicatos da elite da companhia de petróleo venezuelana se uniram para derrubar e prender Hugo Chávez – libertado também por uma aliança de manifestações populares e uma contra-insurgência da Forças Armadas –  a oposição e os governos chavistas não conseguem ter um convívio minimamente democrático e institucional.

Há alguns anos, porém, a situação se agravou, porque a comunidade latinoamericana, que sempre trabalhara para a pacificação do país deixou de lado qualquer sinal de equilíbrio e se juntou abertamente aos grupos oposicionistas, insuflada, já sem a menor discrição, pelos Estados Unidos, certamente “sem nenhum interesse” no fato de serem ali as maiores reservas de petróleo do mundo, superando até as da Arábia Saudita.

Aparentemente, além do apoio do ainda forte chavismo, que também se expressou hoje em manifestações pouco ou nada mostradas pela mídia, Nicolás Maduro tem suporte em grande parte das Forças Armadas. Ao menos ao que se deduza do noticiário, não parecem ser grandes que a oposição possa chegar ao poder por um “pronunciamiento” militar.

A intervenção estrangeira, porém, já é total na esfera política – seu ápice, hoje, é o reconhecimento por Donald Trump de um autodeclarado governo da oposição, que não detém o controle do país – tende para evoluir para a militar, às medida em que surjam os conflitos armados naquele país, com a montagem – possivelmente pela Organização dos Estados Americanos, a OEA – de uma “Força Internacional de Paz”, sob o pretexto de fornecer ajuda humanitária.

O que vai se passar por lá depende do que resta de força política ao Governo Maduro, isolado desde a morte de Hugo Chávez e mais ainda pela ascensão das forças de direita no continente. Se não a tiver, dificilmente manterá  a sustentação militar.

Mas se a mantiver, como se depreende das declarações de fidelidade à Constituição dos chefes militares do país,  não será um “passeio” uma intervenção militar estrangeira, dada a capacidade que têm sua força armada.  A Colômbia, que proporcionalmente possui as maiores forças armadas do continente   (e um Exército muito bem armado, graças ao Plan Colômbia,  programa norte-americano alegadamente de combate ao narcotráfico) reluta em uma ação direta, sob o comando do Presidente Ivan Duque, enquanto a figura política mais proeminente do país, o ex-presidente Alvaro Uribe é francamente a favor de uma ação militar.

Os militares brasileiros também não parecem muito dispostos a embarcar numa aventura, caso haja resistência. Chegar  até as zonas  mais povoadas da Venezuela exige atravessar centenas de quilômetros de selva montanhosa. Por ar, nem pensar, caso a aviação venezuelana, com seus aviões russos e chineses, esteja operacional. Seria uma insanidade, eles sabem.

Restaria uma ação aeronaval irresistível dos EUA, sem dúvida capaz de “quebrar” uma eventual resistência armada. Que, sejamos claros, só tem como obstáculo o desastre político que traria.

Não creio que as coisas cheguem a este ponto, apesar da insânia reinante.

De qualquer forma, o Brasil perdeu a oportunidade de liderar a busca de uma transição pacífica de regime, sem o esmagamento de qualquer uma das forças. Será a quebra de uma tradição de décadas, que mantivemos na crise do Suriname, nas guerras de descolonização de Angola e na Guerra das Malvinas.

Espera-se, no mínimo, que não se embarque numa aventura intervencionista, ainda mais para encobrir uma crise interna de credibilidade. O mínimo, repita-se, porque esperar sanidade da diplomacia brasileira a esta altura é impossível.

 

 

Fernando Brito:

View Comments (28)

  • o EUA desde sepre foi predador
    e agora temos esse traste medonho e fascista querendo aparecer ao lado

  • Pelo menos lá por enquanto as forças armadas respeitam a Constituição.

  • Eu recebo a maior fortuna da minha vida,to fraco sim ,mas a dúvida é por que eu por mais despreparado pra comandar,por mais fraco que eu seja será que eu posso tentar

  • Mais uma vez o petróleo para abastecer o gigantesco mercado consumidor dos Estados Unidos. Assim foi no Iraque, assim foi na Síria, para faze-la perder o poder na região e para atravessar o petróleo da Arábia e transporta-lo via mar Mediterrâneo, economizando milhões de dólares considerando-se a rota atual, litoral africano pelo oceano Índico e a África do Sul. TUDO se resume a petróleo, será que é tão difícil entender isso? Mas Putin já mandou recado com 2 bombardeios com armamento nuclear. Vai encarar?????

  • Eu acho engraçado quando se fala em transição na Venezuela. Transição de quê para quê ? Transição de um governo eleito para que tipo de governo ? Transição para um governo que aceite ficar de quatro para os EUA ? Sim porque se não for isto a crise continuará.

    • Exatamente.

      Lembrando que, o regime Maduro (em que pese seu perfil pouco articulado, que aliás, é uma característica nossa também) já sofreu a tentativa de, ao menos, dois assassinatos e alguns golpes consecutivos.

      Diga-se de passagem: já ouviu falar de algum deputado se auto-declarar o Presidente “legítimo” de um país, sem ter sequer participado das eleições? Não? Pois na Venezuela, o cidadão disse não só isso, como também, determinou que os embaixadores devem ignorar o Presidente ELEITO !!!

  • Todo o nosso apoio à autodeterminação dos povos, do povo venezuelano e abaixo o imperialismo ianque ! ! !

    Na lingua de (neo)colonização que os / as alienados/as entendem :

    #YankeeGoHome
    #WeAreMADURO

  • NÍCOLAS MADURO É PRESIDENTE LEGÍTIMO DA VENEZUELA,ELEITO COM 67% DOS VOTOS.AS FORÇAS ARMADAS VENEZUELANAS SÃO PATRIOTAS E DEFENDEM AS RIQUEZAS DE SEU PAÍS E SEU POVO. "JAIL" BOLSONARO É UM USURPADOR DO GOVERNO BRASILEIRO ELEITO FRAUDULENTAMENTE COMETENDO CRIMES CONTRA ADVERSÁRIOS, CONTRA O PROCESSO ELEITORAL E TENDO SEU ADVERSÁRIO SIDO PRESO INOCENTEMENTE PARA AFASTA-LO DO PLEITO,AS FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS SÃO IMPATRIÓTICAS,ESTADO DITATORIAL É O DO BRASIL ONDE TEMOS PERSEGUIÇÕES POLÍTICAS E PRESOS POLÍTICOS COM UMA JUSTIÇA A SERVIÇO DO FASCISMO E DA DITADURA.PORTANTO O MUNDO DEVERIA REPUDIAR OS ASSALTANTES DO PODER NO BRASIL.EM NOSSO PAÍS INEXISTEM INSTITUIÇÕES DIGNAS DE RESPEITO E RECONHECIMENTO POR PARTE DO POVO E CABE A ESQUERDA BRASILEIRA SE MEXER REAGIR INDO PRAS RUAS ENFRENTAR SEM RECUAR COM GREVES COM PROTESTOS E BOICOTE ECONÔMICO PORQUE ESSA GENTE PODRE QUE NOS TROUXE O CAOS JAMAIS PENSA NO SER HUMANO E SIM NO SEU DINHEIRO CUSTE QUANTA DOR E QUANTAS VIDAS CUSTAREM.
    VIVA A VENEZUELA,VIVA MADURO E SEU POVO!
    MORTE A DITADURA MILITAR NO BRASIL!

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