Há exatos quatro meses, este Tijolaço perguntava porque o “jornalismo investigativo” não se interessava na figura do ex-presidente da Siemens, Adilson Primo, demitido desonrosamente em 2011, depois de 34 anos na empresa e tão prestigiado nela que chegou a ser cotado para presidente mundial da multinacional alemã…
Demorou ainda um mês para que fizessem algumas matérias sobre ele e abandonou-se essa linha.
Mas a Justiça não estava tão desinteressada quanto os jornais.
Hoje, matéria do Estadão revela que que em agosto, o juiz Fabio Rubem David Müzel, da 6.ª Vara Criminal Federal, já havia determinando ao Banco Central que encaminhasse ao inquérito em planilha e dados tabulados “todas as informações sobre remessas e recebimentos de recursos internacionais e de operações de câmbio, além de outros recursos no exterior e declarações de bens e capitais relacionados ao sr. Adilson Primo.”
Primo, presidente da empresa durante dez anos, é a peça-chave para o esclarecimento dos casos de corrupção envolvendo os governos tucanos em São Paulo e o do Distrito Federal, quando governado por José Roberto Arruda, de quem ele era amigo e ex-colega de faculdade em Itajubá. Tão próximo que Arruda, nos documentos que os tucanos tentam desqualificar, era chamado na empresa de “Mr. Siemens”.
Há, como já se falou aqui, uma conta em Luxemburgo mantida por Primo com € 6 milhões – R$ 19 milhões – no Banco Itaú em Luxemburgo e, agora, a informação que ele sacou mais R$ 1 milhão num fundo de investimento da própria Siemens, para transferi-lo a sua mulher, Thalita Cravieri Vicente.
Como a nossa imprensa está muito preocupada em ver se há manchas no tapete no hotel onde José Dirceu vai trabalhar, o Tijolaço dá uma ajudinha à reportagem.
No dia 28 de novembro de 2011, um mês e meio após sua demissão, Adilson e Thalita abriram a ABR Participações, com capital de apenas R$ 1 mil, 99,9% dele. Dia 15 de dezembro a empresa foi registrada na Junta Comercial de São Paulo, com a finalidade de comerciar imóveis próprios. Em fevereiro o capital foi aumentado para quase R$ 14 milhões, em dinheiro e com uma casa de 350 metros quadrados em Barueri. Hoje, o capital da empresa é de perto de R$ 12 milhões.
Este não é o dinheiro de Luxemburgo, que está órfão, porque Primo diz que não sabia da conta e a Siemens diz que não era dela, como ele alega.
Primo sabe de tudo.