Horror a pobre, mas não à pobreza

A turma da elite já não duvida –  apenas resmunga, irritada- de que Lula esteja à frente – e cada vez mais à frente -das pesquisas presidenciais.

Entre rosnados e lamentos, culpam “os pobres”, “os nordestinos”, “os beneficiários do Bolsa Família”, os “grotões”, as “periferias”. Quando estão em conversas informais, se soltam mais: aí são os “favelados”, a “negrada”, os “vagabundos”…

Aqueles que nasceram para ser pobres eternamente, mesmo que os incomodem aos vidros fechados do carro e junquem as calçadas por onde passam ao saltar dele.

Serve-lhes qualquer candidato que possa iludir, já que Geraldo Alckmin não serviu, até Bolsonaro, o troglodita político.

Sua estratégia de campanha, para cumprir o rito formal da democracia, o do voto?

Eliminar Lula não basta.

É preciso que aquela malta não saiba quem é o seu candidato, tanto que Merval Pereira, aquele que quer tirar Lula das pesquisas, junto com Marina e Bolsonaro, pontifica, hoje, em O Globo:

Haddad, de acordo com a tendência majoritária do Tribunal Superior Eleitoral não poderá usar fotos e filmes sobre Lula em sua campanha, além de não ser autorizado a usar a máscara de Lula como vem fazendo nos comícios e carreatas.
O ex-presidente está proibido pela Justiça de gravar programas e dar entrevistas, e pode ser impedido de participar da campanha mesmo com imagens anteriores à prisão. Seria uma propaganda enganosa de um candidato que não está sub-judice, mas impugnado pela legislação eleitoral.

É o banimento (ou a tentativa de) de Lula, não apenas na presença física quanto, até mesmo, na imagem, no nome, na referência.

É aquele que não pode existir ou ter existido. Que tem de ser eliminado, uma vez que não podem ser eliminados os pobres que nele vêem sua esperança miúda.

Porque os pobres não podem existir, pode existir apenas a pobreza, que lhes permite serem os donos de tudo onde o povo não pode e não deve ser dono de nada: nem do petróleo, nem dos minérios, nem das terras infindas, nem de casas decentes, nem de boas escolas e hospitais, nem de direitos ao trabalho e a aposentadoria.

E nem do próprio voto.

 

 

Fernando Brito:

View Comments (35)

  • O João Ameba é mesmo um ricaço convicto... "Combate-se a pobreza gerando mais riqueza".
    Mas como é que pessoas que sobrevivem de seu trabalho cotidiano votam num merda desses!

    • Quem vota neste merda é uma classe média analfa política senso comum, otária e que se identifica com este burguês explorador do trabalho. Na minha família tem 3 pessoas que vão votar neste bosta e a minha médica que cobra R$ 550,00 na consulta.

      • Olha, o bolsobosta assusta tanto q queria só essa direita rentista de sempre nas eleições.

    • Da mesma forma que votam num ACM Neto, num Aécio, num Alckmim, num Caiado, etc, etc. No dia em que o homem do povo entender que votar no DEM, PSDB, PPS e penduricalhos está literalmente votando em seu inimigo sairemos dessa miséria eterna

    • João Amoedo e seus asseclas de quadrilha estão ricos e com riquezas há SÉCULOS e isso não fez absolutamente diferença alguma para nossos miseráveis. Mas se ele quiser vir aqui na Vila dos Pescadores repetir esse mantra enternecedor entre palafitas imundas e trapiches apodrecidos, quem sabe arranca de algum abençoado um daqueles suspiros de telenovela global, ‘ah, será que o patrãzinho vai nos enriquecer ganhando a eleição?”...

  • A pobreza se combate com a geração e distribuição da riqueza e, portanto, com oportunidades reais para os que sempre estão jogados à margem. Essa estória de somente gerar riqueza já foi vista desde o milagre econômico e resultou em mais riqueza para os ricos e mais pobreza para os pobres. A riqueza nãos e distribui por si, por isso tem que haver política públicas para assegurar sua distribuição. Se o 1% pagasse em dia seus impostos de forma correta ( tributados sobre lucros abusivos, herança, por capital especulativo, por exemplo) já estariam fazendo parte da distribuição da riqueza. Isso tem que ser criado por mecanismos de política pública. É mais fácil passar um camelo por uma agulha do que um rico entrar no céu. Por isso mesmo eles não entendem a preferência por Lula e nunca vão entender.

  • "Somos diferentes por natureza", diz esse excremento.
    Não precisava dizer mais nada.

  • E essa CANALHA,ainda tem mais munição.Quem sabe cancelar as eleições?Quem sabe pobre,não poder votar ?Quem sabe somente eles poderão votar?E tem muito mais.Quem sabe UM SUPRA GOLPE DE ESTADO,com UM GENERAL DO TIPO DE UM,QUE É CANDIDATO A VICE? Eles tem muita munição.

  • "E nem do próprio voto".

    Disse muito bem, Brito. Por essas pessoas a democracia não deveria existir, pois os "ignorantes" (em oposição aos "inteligentes", que seriam apenas eles) não deveriam votar.

    Gostariam de voltar ao século XIX, quando somente os aristocratas decidiam seu próprio destino (obviamente pensando no próprio bolso, como sempre). A única vez que se fez o bolo crescer com distribuição de renda foi durante o Gov. Lula. Todas as outras vezes em que o bolo cresceu, não houve diminuição na desigualdade. É só pegarmos as séries históricas econômicas disponíveis. Era, aliás, uma grande dicotomia, até um cara foda chamado LULA quebrar a regra.

    "Mesmo em meio às diversas questões culturais, econômicas e políticas que impediam a modernização do país, o Brasil teve um papel pioneiro no reconhecimento do voto feminino. Durante o governo de Getúlio Vargas, o novo Código Eleitoral de 1932 permitiu que as mulheres fossem às urnas. O papel vanguardista do Estado brasileiro pode ser comprovado quando posto em contraponto às leis de outras nações europeias que somente nos anos de 1970 permitiram esse mesmo benefício.
    A polêmica sobre o voto dos analfabetos teve uma importante significação para a cultura política contemporânea. Até poucas décadas atrás, o desconhecimento do mundo letrado era usado como premissa para se atestar a incapacidade intelectual mínima de um pretenso eleitor. Contudo, essa visão sectária perdeu terreno paulatinamente. No Brasil, a constituição de 1985 permitiu o exercício democrático dos analfabetos, que havia sido proibido pela antiga carta de 1889"

    https://historiadomundo.uol.com.br/idade-moderna/historia-das-eleicoes.htm

    • Eu me lembro do grande FDP Delfim Neto em 1979... vamos primeiro deixar o bolo crescer para depois dividir. Que grande FDP, nunca dividiram NADA com ninguém, é só para eles mesmos. E esta MERDA ainda tá por aí

      • Esse discurso já foi reciclado várias vezes, dito por várias bocas, e ainda tem trouxa para cair!

  • A Direita está desesperada! Querem apagar um homem vivo da memória dos brasileiros. O azar deles é que esse homem não é mais só um homem; agora é uma ideia. Impossivel de apagar!!

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