Reuters: ‘militares da Saúde’ rejeitavam vacina por cloroquina

A agência de notícias Reuters teve acesso a registros de mensagens internas do Ministério da Saúde no WhatsApp, “contendo milhares de mensagens trocadas entre autoridades do alto escalão no ano passado, quando a corrida global por vacinas estava esquentando”.

“As mensagens revelam que a nova equipe priorizou a hidroxicloroquina e a cloroquina, drogas contra malária defendidas por Bolsonaro como tratamentos para a Covid-19, apesar da falta de evidências científicas de que funcionem”.

Em em 15 de junho, quando as mortes escalavam para 30 mil por mês, o secretário-geral do Ministério da Saúde, coronel Antônio Elcio Franco Filho, dizia que “os índices de letalidade estão caindo drasticamente com o protocolo do remédio do Bolsonaro. A cloroquina está revertendo a situação.”

Certamente do alto de sua experiência médica como instrutor de “forças especiais” e de comandante de brigada paraquedista, o diagnóstico era furado.

Enquanto os países europeus e os EUA faziam grandes contratos de compra de vacina, aqui, mostram as mensagens, havia relutância em fechar acordos com receio de que “as pessoas presumam que houve propina envolvida e seus adversários usem isso como um motivo para iniciar uma investigação”.

A negociação do acordo com a Astrazêneca foi, afinal, encaminhada através da Fiocruz, que não sendo feita pelo Governo, teria mais capacidade de fazer contratos com visão política do peso brasileiro neste mercado selvagem das vacinas. E isso é o que faz a Fundação, até hoje, estar com sua linha de produção parada, sem uma gota de matéria prima para produzir vacinas.

Fernando Brito:
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