Universidade dos EUA projeta 200 mil mortes no Brasil

Enquanto você vê discussões sobre uma imaginária “imunidade coletiva” que se alcançaria com níveis estranhamente baixos de pessoas já infectadas, melhor ir buscar as projeções feitas por gente que tem expertise em modelos matemáticos aplicados à saúde, como o Institute for Health Metrics and Evaluation ( IHME ) ligado à Universidade de Washington, em Seattle, que é a principal referência usada pelos órgãos de governo norte-americano para orientar suas previsões.

No final da semana, o IHME reviu seus cálculos para o Brasil: no cenário atual, chegaremos a 1° de novembro com prováveis 197,2 mil mortes; alternativamente, no melhor cenário, com 171 mil e, no pior, a 256 mil.

Está no gráfico aí em cima e aqui, para quem quiser conferir.

Com perto de 200 mil mortos, pode-se ou não falar em genocídio, general Mourão?

É óbvio que ninguém está culpando o Exército por promovê-lo, mas por estar – nas exatas palavras do Ministro Gilmar Mendes – se associando a políticas negacionistas que ajudaram a nos levar a esta situação.

O que deveria ofender o Exército Brasileiro é aquele que chama às portas dos quartéis um bando que pede a quebra da legalidade democrática e defende o envio dos pobres para o matadouro, como as concentrações de bolsonaristas fizeram às portas do QG do Exército, sem que houvesse nenhum protesto, nem mesmo uma nota repudiando a tentativa de envolvimento das Forças Armadas em golpismos.

O que ofende, pela hipocrisia, é a sua naturalidade, ontem, na entrevista à Globonews, encarando este morticínio como algo “normal” e inevitável.

74 mil mortes que temos não podem ser vistas assim, menos ainda as 200 mil que estamos fadados a ter pelo acúmulo de irresponsabilidades.

Fernando Brito:

View Comments (9)

  • Cadê as imagens ? Não se vê as imagens das respectivas matérias do Tijolaço... Isso é coisa de milicu, militar bunda vaga.

  • Número muito plausível, pois senão vejamos um retrospecto:
    12.03. Primeira morte (dia 0)
    09.05. 10mil mortes (dia 58)
    21.05. 20mil mortes (dia 70)
    02.06. 30mil mortes (dia 82)
    11.06 40mil mortes (dia 91)
    21.06 50mil mortes (dia 101)
    01.07 60mil mortes (dia 111)
    10.07 70mil mortes (dia 120)
    15.07 75mil mortes (dia 125)
    Vemos pelos dados que o país estabilizou num patamar alto de mortes, em torno de 10mil a cada 10 dias ou 1mil por dia. Em 3 meses e meio, chegamos aos 200mil mortos (mil boeing 737 lotados caindo em menos de 1 ano)
    Parabéns aos responsáveis... foi só teclar 17 e fuder o país ...

  • Pode projetar até 1 milhão, NEM governo NEM a maioria dos brasileiros estão dando importância a isso. As medidas de isolamento, que nunca foram sérias, estão sendo suspensas de forma bizarra. Municípios "colados" tomam medidas diversas, como Arraial e Cabo Frio, por exemplo.

  • A imunidade de rebanho ao COVID-19 pode ser tão ilusória quanto imunidade de rebanho à gripe comum; pesquisas recentes na Espanha, assim como um crescente número de pacientes contraindo COVID-19 pela segunda vez, sugerem que a imunidade à COVID-19 pode durar apenas meses. Se isso for confirmado, não apenas a imunidade de rebanho pelo contágio seria impossível de ser atingida mas mesmo uma vacina perfeita precisaria ser re-aplicada múltiplas vezes por ano até que a doença seja erradicada no mundo todo.

    Isso, diga-se de passagem, reforça o que já se sabe sobre imunidade a outros coronavirus; nos 4 tipos de coronavirus humano que se se tornaram endêmicos (e que provocam gripes comuns) as pessoas perdem a imunidade em menos de um ano, muitas contraindo a mesma exata variante do vírus por múltiplos anos seguidos.

  • Para pandemias muito contagiosas, como é o caso desta, a "imunidade coletiva" ou, o nome técnico e "politicamente menos correto" para ouvidos de quem gosta de dourar pílulas e perfumar 'eme', imunidade de rebanho - até porque o conceito se aplica animais de forma genérica, o que nós somos - é atingida em percentual muito elevado da população, acima da metade, 70 a 80 por cento em muitos casos. Levando em conta uma taxa de letalidade na ordem de um por cento, pode-se avaliar o tamanho do estrago. Mas este não se restringe aos óbitos, o que já é tenebroso.
    Há um número assustador de sequelas, que atingem aqueles que necessitaram de cuidados muito especiais, os que enfrentaram situações críticas. É algo estimado em até três vezes o número de óbitos. São pessoas que terão a qualidade de suas vidas deterioradas por sofrimentos e que demandarão e sobrecarregarão os serviços de saúde.

  • Os epidemiologistas dizem 1/3 das pessoas morre na "subida" e 2/3 na "descida" da curva. Estamos num platô há umas 3 semanas, supondo uma hipótese otimista que chegamos no topo, teremos mais 150 mil mortes na descida e 225 mil no total. 200 mil já é uma previsão otimista.

  • Demos um chute aqui que chegaríamos a 250 mil mortes, o que corresponde ao pior cenário do instituto americano. Mas chutamos também que quando chegarmos a 150 mil mortes toda a empáfia do método "deixa que eu chuto" e toda a indignação dos que se recusam a admitir que não sabem vai virar fumaça, dentro de um festival de gagueira.

  • Para entender melhor a Imunidade de Rebanho. É preciso entender, antes de mais nada, que o conceito só se aplica quando existe uma... vacina. O que não é o caso na atual pandemia. A economista está coberta de razão, estamos diante de uma "Insanidade de Rebanho", especialmente de um certo rebanho de bestas verde oliva.
    https://youtu.be/V-qI05L9vJs

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