3 reais ambientais

A efígie do Jair Bolsonaro que falou hoje na Cúpula do Clima ficaria perfeita numa nota de 3 reais.

Afinal, o presidente brasileiro só se porta de maneira natural e descontraída – ainda que com aquela coisa idiota de rir compulsivamente das próprias piadas, o do que considera que sejam – quando está falado o que pensa.

Este, talvez, seja o mais positivo no discurso do presidente brasileiro: o de ter falado o inverso do que pensa em matéria de proteção à floresta e à poluição ambiental.

Se, de um lado, é bom que o Brasil não se exiba, mundialmente, como um país negacionista, que nega o aquecimento global, que diz que a devastação do meio-ambiente é promovida pelas ONGs e que legitima a ocupação predatória de reservas naturais e indígenas, é muito ruim que esta “nova postura” não mereça um pingo de credibilidade.

O final de sua fala, no qual pela sacode a canequinha para pedir dinheiro internacional, além do tom chantagista que envergonha, é pouco prático, passivo mesmo.

Vago, sem propostas, ao menos diretivas, da formação de fundos e de iniciativas que possam captar esta ajuda, aumenta a impressão de que o que se quer é a transferência de recursos internacionais para a administração brasileira, o que não acontecerá de forma alguma.

Diante da reação negativa, inclusive dentro dos EUA, a algo que se assemelhe a um “financiar Bolsonaro”, a única possibilidade de virem recursos – e ainda assim parcos – é através de organismos que restrinjam a soberania nacional na sua utilização.

Recursos estrangeiros serão sempre subsidiários em qualquer programa de preservação ambiental no Brasil, porque não se trata de pequenas áreas determinadas, nem de de meras políticas de recomposição florestal, mas principalmente de alternativas de desenvolvimento sustentável.

Apertado pela desmoralização política, Jair Bolsonaro apela para uma ‘venda de imagem reformada” para pedir ‘remuneração’ a serviços ambientais prestados pelo Brasil.

Não é preciso repetir como esta política é burra e só dará – se der – migalhas ao país. A questão do meio-ambiente tem de ser tratada, pelo seu interesse mundial, em conjunto com questões de interesse mundial, como acesso a tecnologia, à saúde, aos mercados internacionais com termos justos nas trocas comerciais.

E disso, o nosso tatibitati presidente passou longe.

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