A teocracia diabólica

O ministro Ciro Nogueira, líder do Centrão, disse que Bolsonaro está vencendo o debate das eleições porque teria conseguido desviar as discussões sobre o futuro econômico do país (o que ninguém duvida que será desastroso) para a “pauta de costumes” bolsonarista.

Do ponto de vista de gente como ele, para a qual vale tudo para vencer eleições, faz sentido. Inclusive – e principalmente – transformar Deus em “cabo eleitoral” e os templos religiosos em comitês de campanha, onde pastores servem como alto-falantes.

Não apenas se espalha, sem nenhum pudor – uma enxurrada de fake news terroristas atribuídas a Lula sobre coisas sem pé nem cabeça (fechar igrejas, banheiros unissex, abortismo, gayzismo, etc) – como se cria um paradoxo, porque não concordar com Bolsonaro passa a ser discordar de Deus.

A jornalista Eliane Trindade , na Folha de hoje, depois de um mergulho num encontro de evangélicos chic – nada a ver com a maioria de homens e mulheres humildes que professam a fédá-nos um retrato pavoroso do que este novo “PP”, o “partido dos pastores”, antecipa como resultado de uma vitória do ex-capitão. De sua coluna “Evangélicos pregam Brasil governado por igreja com Bolsonaro reeleito“, literalmente transcrito:

Durante quatro dias, líderes evangélicos pops se colocaram na linha de frente da guerra espiritual travada nas eleições deste ano. Perfilados na trincheira bolsonarista e com o lema “Deus, Pátria, Família e Liberdade”, os autodenominados profetas bradam contra progressistas, ideologia de gênero e degradação dos lares, males que associam ao petismo.(…)

“Nós estamos aqui nesse feriado dizendo que o Senhor é o Senhor do Brasil. Jesus, seja entronizado nessa nação. Seja entronizado na economia, no sistema educacional, nas famílias, na mídia, nas artes.” (JB Carvalho, bispo da “Comunidade das Nações”)

“Em 30 de outubro, estamos sendo chamados para a guerra.” (Lucinho Barreto, pastor da Igreja Batista Lagoinha).

“Não é sobre um homem nem sobre um partido. Quem vai governar é a igreja.” (Ezenete Rodrigues, pastora da Igreja Batista da Lagoinha)

Assim vão, apelando aos fiéis que não deem importância às notícias, porque “”a igreja tem que olhar pelo que ela crê, não pelo que vê”, como se fosse possível deixar de ver a iniquidade ou mesmo que este plano de poder se funde com uma aliança com uma falange que, como as romanas, funda seu poder nas armas, na força e da brutalidade.

Não se esconde o desejo de uma teocracia. E, neste caso, uma teocracia diabólica.

 

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