A acusação a Lula era improcedente. Mas, e daí?

Há quatro anos, a Folha dava manchete apontando que Lula havia se tornado réu pela terceira vez – o que, para um político, já quase equivale a uma condenação – numa ação em que era acusado de receber propinas por obras realizadas pela Odebrecht na África, por intermédio de seu sobrinho, Taiguara Rodrigues.

Quatro anos depois, por unanimidade, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, determinou o trancamento desta ação, por considerar que não havia provas sequer para processar, quanto mais para condenar o ex-presidente.

Insuficiência probatória, o que, traduzido, quer dizer que não havia provas para supor a ocorrência de desvios de dinheiro.

É a quinta vez que Lula é absolvido ou excluído de ações, todas elas fora de Curitiba. Ou seja, fora do Império da Lava Jato e seu Código Penal especial, onde basta que o acusado tenha o nome de Luís Inácio para ser condenado em qualquer processo.

Mas o fato objetivo é que o espetáculo promovido por Sérgio Moro e pela mídia criaram uma impressão pública de que o ex-presidente, com uma dezena de processos, algum crime deveria ter cometido.

Um a um, eles estão caindo e é possível que o caso do triplex, a “mãe de todas as acusações” – e que terminou na absolvição de todos na parte que foi julgada pela justiça paulista – seja derrubado com a decretação da parcialidade com que foi conduzido.

Mas o dano à imagem de Lula está feito e não vai ser reparado pela Justiça e menos ainda pela imprensa, que só discretamente vai mostrando o fiasco da fieira de acusações.

Dia virá – e não está longe – em que a perseguição judicial a Lula se tornará um símbolo do desvirtuamento da Justiça, transformada em partido político e, ainda pior, mãe do filho disforme do moralismo posto em Brasília para tornar o Brasil um país de ódio, intransigência e barbarismos.

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