A caneta “brochou”

Jair Bolsonaro, que se proclama “imbrochável” e que se jacta de “ter a caneta BIC” na mão fez, de novo, ontem, o papel de falso valentão.

“Eu não vou na canetada congelar o preço do combustível, muitos querem. Nós já tivemos uma experiência de congelamento no passado”.

É curioso: não houve e não há ninguém está sugerindo congelamento, mas administração dos preços durante os períodos de pico do valor do mercado internacional de petróleo. E isso, sim, é uma política correta, embora possa haver exageros na sua execução, que sempre foi executada. Isso nunca aliviou a pressão política sobre governos que a praticaram e, quando o petróleo caiu vertiginosamente de preço (a partir de 2015) a queda de receita da Petrobras foi, deliberadamente, atribuída à corrupção e não à desvalorização de seu produto essencial, que baixou de 102 dólares por barril (2014) para 40 dólares, em 2016.

Não preciso lembrar ao leitor , para provar que não houve congelamento, a série de “revoltas” com o preço da gasolina no governo Dilma Rousseff, que culminaram com gente do padrão bolsonaristas usando na boca do tanque dos carros, aqueles adesivos abaixo de qualquer padrão de civilidade.

Nenhum governo aumentou tanto, em tão pouco tempo, o preço da gasolina: na última semana de dezembro de 2018, sob o governo Temer, um litro custava, em média, R$ 4,344. Como o aumento de ontem, o preço, em 34 meses de Bolsonaro, vai ficar em torno de 50% maior (a mesma variação do dólar) contra 17% de inflação oficial acumulada.

Bolsonaro diz que não interfere nos preços porque não pode “rasgar contratos”, mas que contratos seriam estes?

Será que são os do pessoal do agro, que já subiu, este ano, em quase 70% o preço do etanol hidratado e o do anidro em 60%?

Será que são os da turma da bufunfa, daqui e de fora, que esperam mais lucros e dividendos das fatias que possuem da Petrobras, enquanto gente como o Paulo Guedes se prepara para entregá-la?

De fato, aí se pode entender a perda de potência da caneta presidencial.

 

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