A CPI da Covid e o frenesi de Bolsonaro

É possível que, ainda durante esta segunda-feira, surjam os primeiras notas intrigantes (ou escandalosas) sobre o que será dito amanhã, na primeira sessão de oitivas da CPI da Covid, por depoentes de peso: os ex-ministros Luiz Mandetta e Nelson Teich.

O primeiro, principalmente, pelos meses de convivência privada com Jair Bolsonaro nos primeiros dias da pandemia, nos quais a subestimação e as bravatas diante da “gripezinha” e o negacionismo até de gente com formação médica (como Osmar Terra) davam combustível para a fornalha de asneiras presidencial.

E não se desconsidere o fato de que, com suas pretensões eleitorais, o ex-ministro dificilmente deixará escapar a chance de se tornar bombástico no grande palanque que terá como testemunha na CPI e, ainda, que os senadores bolsonaristíssimos vão fazer o possível para inculpá-lo (aliás, não dresprovidos de alguma razão) pela timidez e despreparo na fase inicial da pandemia, quando o Brasil teve quase dois meses para preparar-se para a sua inevitável chegada por aqui.

No dia seguinte, Eduardo Pazuello, apesar de todo o “treinamento” que recebeu no Planalto, não vai conseguir “segurar” o tom calmo e distante por muito tempo, durante seu depoimento. Até pela sua condição de militar da ativa – sim, isso se conserva, inacreditavelmente, terá de reagir aos desafios, que não serão poucos, lançados a ele, pessoalmente. Os acontecimentos de Manaus, inevitavelmente, levarão à palavra genocida e a um bate boca que talvez leve à suspensão da sessão, como o “clinch” nas lutas de boxe.

Cenas fortes, que serão repetidas nas televisões e viralizarão na internet, podem apostar.

Na quinta, afinal, haverá um Marcelo Queiroga que tentará se exonerar de todas as responsabilidade por tudo o que foi feito até agora, inclusive da desastrada decisão de “queimar” as reservas de Coronavac tomada quando ele já desfilava como ministro “virtual”, ao lado do general. É certo que Pazuello, querendo, pode dizer que a decisão foi conjunta. Vai ter também de resistir sobre o “muro” em que tenta se equilibrar desde a posse: a prescrição de cloroquina e a oposição presidencial às medidas de distanciamento social.

São os ingredientes previsíveis do caldeirão que começará a borbulhar amanhã no Senado e que vão ser salpicados, talvez fartamente, pela pimenta que Jair Bolsonaro lançará a partir das redes sociais.

Animado pelos movimentos de sábado, ele não tem porque sair de seu roteiro de radicalização verbal. Jair Bolsonaro é o pior inimigo de si mesmo, nestes dias.

 

 

 

 

 

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