A CPI tem provas, não precisa de “espetáculo”

A entrevista de Omar Aziz, na Folha, alertando para o fato de que a CPI da Pandemia, passada – e muito bem – a fase investigatória, tem de fechar seu relatório e apontar as responsabilidades pelos crimes cometidos durante o enfrentamento – e também o não enfrentamento – da Covid-19 é lúcida e prática como se revelou o senador que a preside.

Estendê-la, apesar de várias provas que ainda surgem, é fazer o jogo do governo, que pretende vê-la reduzida a um cenário de brigas entre parlamentares, algo que fica nítido, desde o princípio, no comportamento de sua “tropa de choque”.

Apesar do banalizado “me reservo o direito de permanecer em silêncio”, é mais do que farto o conjunto de provas levantado, tanto pela “embromation” na compra das vacinas quanto do círculo de picaretas que se formou no ministério da Saúde e adjacências.

Ficou claro que se montou uma estrutura de charlatanismo coordenada pelo Planalto que teve a efetiva direção da ação sanitária do governo, reunindo aloprados médicos e não-médicos, comerciantes da saúde e que “empurrou” sobre os brasileiros o inútil “kit covid”.

Não faltam evidências de que, sob o comando presidencial, quis-se atirar os brasileiros sem proteção alguma nas ruas, para que todos se infectassem e atingisse a tal “imunidade de rebanho”, coletivo, afinal, muito adequado à visão bolsonarista do que é povo.

Nem é preciso mais qualquer prova disso, por que o próprio Jair Bolsonaro o confessou em seu discurso na ONU.

Também não se requer mais provas da evidente formação de um pelotão de picaretas, civis e militares reformados, que percorria, de boca aberta, os corredores do ministério da Saúde, gestão de Eduardo Pazuello, à procura de “tacadas” junto à burocracia.

Tudo o que se revelou tem, agora – aliás, tardiamente -, de entrar em fase de apuração policial e judicial, com os resultados devidos em indiciamentos e denúncias aos tribunais.

Se isso vai acontecer rápido ou se vai cair no preguiçoso ritmo da Procuradoria Geral da República tem pouca importância: está sedimentado em documentos inquestionáveis e, ainda que demore, terá consequências.

Na política, porém, estas consequências já vieram e são boas.

É que a CPI, pelo seu impacto público, conduziu o Senado a uma posição crítica, ainda que com limitações, ao governo, algo essencial quando o Planalto transformou, pelas mãos de Arthur Lira, a Câmara dos Deputados em um “puxadinho” de seus interesses.

Embora não completamente, isso impede que Bolsonaro avance mais ainda na destruição do país que, como projeto, só tem um, agora: o de reconstruir a convivência democrática e o olhar de futuro que o ódio nos roubou.

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