A dança dos tolos

Bastaram dois dias de “calma” – mas não tanta – de Jair Bolsonaro para que os valorosos presidentes dos poderes – os presidentes do STF, Luiz Fux, e o do Congresso, Rodrigo Pacheco – dessem o “passinho para trás” para com o presidente, anunciando que estão disponíveis para o “diálogo” para com quem, na semana passada, ameaçava suas casas. O STF, com o pedido de cassação de dois ministros e o Senado, com uma turba à sua porta exigindo que votasse aquela destituição.

Fizeram parte da contradança, também, o ministro Ciro Nogueira, que ajuda o ex-capitão a disparar canhões e depois posa, ridículo, segurando com Fux uma Constituição com cara de Bíblia, e o general da Defesa, Braga Netto, dizendo na Câmara que não se cogita em intervir militarmente e fazer uma ditadura. Como o general diz que 64 não foi uma ditadura sua garantia, claro, vale bem pouco.

Talvez – só talvez – o Jair calminho não passe da live de hoje à noite, mas não resiste à próxima, porque precisa partir para a ofensiva que pretende exibir no Sete de Setembro, passo seguinte na sua escalada de ameaças.

Até lá, é possível que consiga emplacar a tomada de mais duas colinas, com a aprovação (quase tão certa quanto impensável, diante de suas atuais demonstrações de sabujismo ao presidente) de Augusto Aras na Procuradoria Geral da República, e de seu terrivelmente evangélico André Mendonça para o STF, em gestos de “boa vontade” do Senado, diz-se, na coluna de Lauro Jardim, a pedido de Fux, como sinal de um ” armistício” onde só o outro lado ameaçou com armas.

Jair Bolsonaro, é claro, não faz o jogo de rebolado de seus colegas de Três Poderes e mantém a corda esticada, só afrouxando um pouco quando se trata de, como agora, ganhar mais um pouco no cabo-de-guerra quando do outro lado há a ilusão de que se poderia distensionar a disputa. Com isso, vai-lhe ganhando terreno.

Por frouxidão de caráter – e porque, no fundo, achariam Bolsonaro uma ótima solução, não fossem seus coices e arreganhos – Fux e Pacheco fogem do que seria de seu dever para com o país: travar o caminho de Bolsonaro e impedir que ele siga avançando na direção de seu projeto golpista, uma vez que o eleitoral está arruinado.

Seja como for, menos mal que no Supremo e, em menor escala, no Senado, a composição das Casas está muito menos propensa que seus chefes a aceitar que Bolsonaro as conduza e, de alguma forma, formam resistência à insanidade completa.

 

 

 

 

 

 

 

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