Abertos para as moscas

Na capa do Estadão de hoje, a prova do que faz tempo se diz aqui: o problema da economia não é a reabertura do comércio e dos serviços, mas a perda de confiança e de renda da população.

Repete-se com os bares paulistas o que já se verificou nos shoppings: a queda na procura atinge em cheio até mesmo a possibilidade de continuarem abertos, que dirá sua capacidade de manter empregos e, com isso, realimentar a renda dos trabalhadores.

Nem mesmo a proximidade do Dia dos Pais, registra outro jornal – O Estado de Minas -, foi capaz de levar as vendas sequer à metade das do ano passado.

Não vai melhorar significativamente na comparação que realmente interessa à métrica da economia: a com o que ocorria antes da pandemia. Comemorar “crescimentos” sobre meses infernais é uma tolice de natureza meramente publicitária.

Ao contrário, vai piorar, com as empresas que não fecharem, depois de consumirem as ‘gorduras’ que tinham, vão ter de readequar seus quadros de pessoal à minguada demanda destes tempos.

Não existem – e, pelo visto, não existirão – projetos de investimento. O pouco que há tem a marca da ilusão de que o capital externo virá fazer o papel que o Estado brasileiro não faz, como é o caso do saneamento.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email

4 respostas

  1. A multidão inicial era só demanda de sair de casa. Ontem tive que ir a um shopping: melancólico o movimento. Só as lojas de operadora de telefonia e a praça de alimentação tinham gente. Mas não tem problema, “pelo menos tiraram o PT”. Ninguém vai reclamar muito, só resmungar.

  2. Bom, os merceeiros, barzeiros, hamburgueiros, restauranteiros, taxeiros, pastoreiros, lojeiros e que tais, a lumpen-burguesia fascista, no momento bolsonarista, que se esporrou com a destruição dos direitos trabalhistas, sociais e previdenciários dos seus empregados, agora semi-escravos, com os olhos faiscando com a visão do enriquecimento fácil que a vera burguesia lhes pendurou nas testas como cenouras, bom, os ditos cujos – as burguesias degradadas, auto-declaradas empreendedoras (de merda) – poderiam agora, pelo menos, implorar para que os ricaços gastassem pelo menos alguma merreca das centenas de bilhões extorquidos dos pobres (US$ 34 bilhões só para os 42 parasitas mais ricos [1] e apenas durante a pandemia) nas suas padarias, mercearias, barzerias, hamburguerias, restauranterias, taxerias, pastorerias, lojerias e que tais.

    Bom, já que não tem como – tudo isso foi para o rico hemisfério norte -, poderiam então pegar suas bateias e ir para a Amazônia, atrás do messias genocida e protegido pelo exército lesa-pátria de ocupação, incendiar e destruir a floresta, matar indígenas e cavoucar algumas pepitas, antes de serem expulsos das serras peladas, por eles capinadas e prontas para a indústria do garimpo multinacional ou do agro-pop. É o que tem, é pegar ou largar.

    E a teologia da prosperidade, hein? A quantas anda agora, irmãos? Aleluia!

    – – – – – – – – – –
    [1] “”Fortuna de bilionários brasileiros cresce US$ 34 bi na pandemia, diz Oxfam“, em https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/07/27/relatorio-oxfam-desigualdade-pandemia.htm

    1. “Somente a dor faz com que o intelecto reconheça o erro”. Não me lembro onde li nem quem escreveu isso mas certamente uma pessoa que não conhece o Brasil. Muitos, muitos, muitos daqui amam a dor e desprezam o intelecto, o Bozo corre o sério risco de ser reeleito. Se não eles reelegem o Bozo 2. “Vingança é um prato que se come frio”, diz o dito popular. Mentira, tá quentinho quentinho, quentinho.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *