Anistia para ‘rachadinha’: surpresa para quem?

Nem Aristóteles, que formalizou o conceito de Justiça Natural com a máxima de que “o fogo arde na Pérsia como na Grécia”, acreditava que, no mundo real, não é assim e que o famoso “a lei é [igual] para todos” não é puro, cândido e isento.

Não é diferente aqui, quando o Judiciário tornou-se um rolo compressor contra Lula e o PT mas, quando chega-se ao escândalo, evidente e vergonhoso, de Flávio Bolsonaro.

As ‘rachadinhas’ de Fabrício Queiroz para o Filho 01 do presidente, fartamente documentadas e absolutamente inexplicadas valem nada, mas um apartamento sem um documento que ligue sua propriedade ao ex-presidente Lula é o suficiente para condená-lo a mais de uma década de prisão.

No caso de Flávio, com o requinte chocante de que seu defensor legal é o mesmo que funcionou como acoitador do Cadê o Queiroz, o sinistro Frederick Wassef.

O senador-filho, na jurisprudência morista que sacramentou o conceito, é o “não vem ao caso”.

Mas coloca o Supremo Tribunal Federal diante de um impasse: como ratificar o sobrestamento das investigações sobre Flávio sob o argumento de que os ritos legais não foram rigidamente seguidos e, ao mesmo tempo, validar processos nos quais os fundamentos da separação entre juiz e acusador foram violados de forma selvagem, como nos processos de Lula em Curitiba.

O caso Flávio Bolsonaro, fadado a morrer nos tribunais – ou, quem sabe, hibernar enquanto pai for presidente – é um triste retrato do que restou da Justiça brasileira desde que ela se tornou ferramenta da política.

 

 

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *