Ao contrário do que diz Mourão, peça central da política hoje são os militares

Hamilton Mourão apareceu para colocar mais uma colher torta no caldo turvo das reações do governo a uma manifestação do Supremo que, afinal, nada mais diz que o óbvio: que não é atribuição das Forças Armadas serem as moderadoras de conflitos entre poderes da República.

Dizer que “não tem general fardado metido com política” é uma tolice, porque o generais não só não ocupam quase todos os cargos no núcleo do governo quanto estão lá não por participação ou representatividade política, mas por terem estado à frante de postos do Exército que lhes conferiam autoridade e ascendência sobre os oficiais da ativa.

Está em curso um evidente emparedamento sobre o Poder Judiciário para blindar Jair Bolsonaro de processos judiciais. Por extensão, também seus filhos, criando uma espécie de trincheira militar para abrigar o clã presidencial. E o que forma esta parede é a ameaça de usar o Exército como escudo para um grupo que, como qualquer cidadão, tem de responder por aquilo que eventualmente fizeram.

A Folha registra um constrangimento de oficiais que consideram que “as Forças foram [Armadas] colocadas como uma extensão do bolsonarismo militante”.

É difícil para qualquer civil avaliar o que se passa no meio militar, mas a insistência de Bolsonaro e seu grupo em “esticar a corda” é sinal de que estão longe de contar com unidade em torno de um projeto golpista.

 

 

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16 respostas

  1. Penso que já estamos em plena ditadura. É um novo tipo de ditadura, onde a maioria dos Poderes Legislativo e Judiciário se incubem de fazer com que nenhuma atitude efetiva para tirar os ditadores do governo cheguem aos finalmente, de tal forma que na teoria estamos em uma democracia, mas na prática em uma ditadura.
    Quando o general diz “o outro lado”, ele se refere à oposição. E como em ditaduras não se aceita oposição, o que ele disse foi exatamente isso: se puxarem a corda para tirar essa ditadura do poder, eles apelam para uma outra variedade de ditadura,.mais assumida.
    Não é à toa que o PSDB não é a favor do impeachment, todos os golpistas apoiam esse esquema.

  2. Se os militares brasileiros levassem a sério a subordinação ao poder civil não existiria o tweet do General Vilas Boas colocando a faca no pescoço do STF. Simples assim.

    Em sua conta no Twitter, escreveu antes do julgamento do HC do Lula: “Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do país e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?”

    Logo depois, essa:. “Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais”. Mais golpe do que isso?

  3. Excelente seria a convocação desse tal de Ramos, pra se explicar ao congresso. É PRECISO responder a cada avanço da canalhada, devolver a pressão que esses imbecis querem impor. A hora é de lutar mesmo, senão o país vai pro ralo de vez. Eles NÃO vão parar, darão golpe agora ou em 2022. Não querem mais largar o poder.

    1. Se explicar ao congresso? Que congresso?? Fazem parte do golpe. Tem quase 40 pedidos de impeachment e o Botafogo não faz nada.

    1. Será que os Generais aceitaram o chapéu do chefe das forças americanas? penso que estamos vivendo na bananearia é triste pra quem foi militar e sempre acreditou no país!

  4. Houve um momento, no início desta administração, em que os militares que com ela colaboram davam claros sinais de forte presença no governo, através de uma posição de relativa altivez, que não estava radicalmente subordinada ao credo bolsonariano. Isso durou pouco, porque o Olavo de Carvalho interferiu agressivamente contra os ditos militares com uma campanha de desmoralização tão rasteira quanto eficaz, e forçou seu recuo para trás da muralha ideológica de submissão ao regime bolsonariano-olavista. Alguns deles, no rastro daquela hostilidade, saíram do governo. Mas os que ficaram passaram a seguir fielmente os cânones olavistas. E de vez em quando não hesitam em se pronunciar em nome de todas as Forças Armadas.

  5. Estão nossos generais protegendo criminosos? Se estão, configura formação de quadrilha, logo bandidos são.
    Lamentável onde esses oportunistas jogaram as Forças Armadas. Alguém precisa tirar tão importante instituição dessas mãos sujas.

  6. MILITARES GOLPISTAS E ENTREGUISTAS VÃO ENTREGAR UMA NAÇÃO EM CAOS E EM FRANGALHOS!

  7. A plutocracia brasileira, brasileira em suas raízes e alma, sempre contou com auxílio de dois “estamentos” para seu “trabalho” de predação do país e de seu povo: a “canalhocracia jurista” e a canalhocracia armada, que de quando em quando na nossa história ascendem e descendem como ondas do mesmo mar, facções do mesmo partido da ordem de sempre. Ambas burocráticas e corporativas em seu verniz e políticas em suas pretensões, alimentadas pelas “classes” “médias” ambiciosas em sua pretensão de alpinista social de saltar de classe (seja de assalto ou aos pulinhos) em direção ao pináculo para poucos das classes proprietárias, lucrativas e especulativas de um mundo pré-industrial e pré-moderno de sempre, nosso capitalismo de compadrio. Os valentes (sic) canalhas armados de uniformes ou togas estão sempre protegidos no topo de uma corporação civil ou militar de “funcionários” públicos de linha superior (na aparência externa uma burocracia moderna) e pela plutocracia que lhe dá a “força” que eles fingem acreditar lhes ser próprias. Força de ocupação, força de repressão dos movimentos vindos da base da sociedade, polícia política, força policialesca de extorsão da criminalidade comum e de associação com a grande criminalidade, força de assalto contra revolucionária e de restauração da ordem plutocrática, protetores de um Estado pré moderno esse ridícula “república” do bacharéis e das escolas militares, medieval e inquisitorial em todos e qualquer sentido, veja por onde se veja sua atuação.

  8. Os cenários da Líbia, da Síria e do Iraque são amostras de como as “intervenções” americanas terminam: nações despedaçadas, milhões de mortos após sangrentas guerras civis. No Brasil, parece haver colaboracionistas e mercenários dispostos a nos levar a este fim. E uma sociedade atônita diante dos resultados de suas próprias escolhas insensatas.

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