Biden não vai entrar de “bom moço” no governo. Bolsonaro se prepare

É provável que esteja enganado aquele que ache que Joe Biden vai entrar em ritmo de “água morna” no Governo dos Estados Unidos, amanhã, achando que será isso o que reconciliará um pais dividido e radicalizado.

Biden não é um velhinho bonachão, imagem que talvez tenha sido interessante sustentar durante a campanha, exatamente pelo contraste que isso traria com a agressividade de Donald Trump.

Chegar à Casa Branca, porém, num quadro em que os Estados Unidos enfrentam sua pior crise nas décadas recentes, um dia depois de somarem-se 400 mil mortes no país, que passa, assim, o número de mortos na 2ª Guerra Mundial, exigirá muito mais energia e decisão.

E Biden o fará.

O seu primeiro dia de governo será de ordens executivas – uma espécie de decreto, não sujeito à aprovação do Congresso, abrangendo praticamente todos os pontos odiosos da “Era Trump”.

É certo que vai marcar logo as diferenças em campos onde o radicalismo trumpista se impôs: o negacionismo científico na pandemia, as questões raciais, imigratórias, ambientais e na reintegração dos EUA na diplomacia mundial, desprezada pelo presidente republicano.

No enfrentamento da pandemia, é provável que ele expanda as atribuições federais na vacinação – talvez mesmo com o emprego das Forças Armadas – para alcançar suas metas de vacinar 100 milhões de pessoas em 100 dias, e ninguém espere que venham a sobrar vacinas para a exportação das fábricas instaladas em território norte-americano, como as da Pfizer, Moderna e Janssen.

O pacote de ajuda de US$ 1,9 trilhão que pretende anunciar aponta numa direção claramente anti-recessiva, mas que ajudará o manter o dólar longe de aventuras ultramarinas até que a economia tenha um panorama mais claro.

Biden tem um vasto leque de medidas simbólicas a tomar, a começar pela reunião das famílias de migrantes separadas de seus filhos pela política de Trump, que lhe vão render manchetes positivas nos primeiros dias, bem como o já anunciado retorno dos EUA ao Tratado de Paris e a proibição do “fracking” – explosões subterrâneas para a liberação de gás e óleo de xisto – em terras públicas do país.

As consequências para o Brasil não serão, claro, apenas a nova proibição de voos, revogada ao apagar das luzes por Trump. Jair Bolsonaro, o vilão mundial, é um alvo fácil e desejado por Biden, que não citou eventuais sanções ambientais ao nosso país no debate presidencial da campanha por acaso. Amazônia deixa de ser um tema para governantes europeus, apenas e vai estar permanentemente na agenda da Casa Branca.

Não descartem a possibilidade até de adoção de sanções econômicas, como sobretaxação de produtos brasileiros como forma de aparentar políticas de defesa do meio-ambiente.

 

 

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