Bolsonaro é a polarização, não Lula

Mais uma pesquisa – a PoderData, publicada noite passada pelo site Poder360 – confirma que, salvo por algum golpe judiciário o impeça, Lula é o único que, fora das margens de erro, vence Jair Bolsonaro no segundo turno. por 52% e 34%, ampliando a vantagem que tinha há um mês, quando era de 41% a 36%.

Além de reafirmar que o ex-presidente é o nome capaz de enfrentar o ex-capitão em 2022, a pesquisa comprova algo que os defensores da tal “3ª via” detestam que se diga: não é o antipetismo que polariza as eleições, mas o atual ocupante do Planalto.

Só Bolsonaro mantem, contra todos e qualquer um, votos no mesmo patamar, seja em primeiro ou segundo turno. Varia de 31% – voto em primeiro turno – ao máximo de 38% em qualquer das simulações de segundo turno. Sete pontos que são bem menos que os 18 pontos que ganha Lula entre um primeiro turno (34%) os 52% que ostenta na segunda volta.

É óbvio, portanto, que os votos que pertenceriam em primeiro turno a outros candidatos migram, com muito mais facilidade para Lula que para o atual presidente. Arredondando, sete em cada dez eleitores de outros candidatos, com três migrando para Bolsonaro. Não há variação significativa dos votos nulos e brancos.

Onde está, portanto, o fundamento de que Lula seria o candidato que , por conta do antipetismo, seria frágil ante Bolsonaro. E a de que qualquer outro candidato seria mais forte que ele?

Exceto por Luciano Huck e o recall de sua exibição na Globo, com todos os outros nomes o número de nulos e brancos em simulações de 2° turno quase chega a dobrar em relação aos que, numa disputa entre Lula e Bolsonaro, rejeitam ambos.

Como tenho afirmado aqui, todas as pesquisas, até agora, mostram que o ” campo para a terceira via para a eleição de 2022 está abertíssimo” e para o surgimento do que tenho chamado aqui de “Cinderelo” da direita.

É Bolsonaro quem polariza a eleição, não só pelo que é mas por ser governo. Lula torna-se o outro polo porque é a negação de Bolsonaro, a candidatura capaz de não deixar que o terço do eleitorado que ele possui – e que não dá sinais de perder – fazer com que seu confronto seja com um candidato frágil, sem expressão eleitoral e, assim, permita a sua continuidade no poder.

Certamente o caro leitor e a gentil leitora conhece não um, mas várias pessoas que, não podendo ser chamadas de petistas, pendem para o voto em Lula para contrapor-se a Bolsonaro, mesmo tendo críticas ao ex-presidente.

Esta é a realidade. O resto é a guerra de versões que alimenta o balé da política.

E a realidade, ainda que muito a escondam, sempre aparece.

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