Bolsonaro põe a Petrobras na sua campanha

Não há outra conclusão possível: Jair Bolsonaro colocou a Petrobras no seu comitê e campanha, ao demitir o “novo” presidente da empresa, José Mauro Coelho, apenas 40 dias depois de sua nomeação.

Na verdade, a segunda troca de comando na empresa, porque ela teve Adriano Pires, a Viúva Porcina da estatal – porque foi indicado presidente mas não chegou a assumir o cargo – em 60 dias.

Entra agora um outro Guedes Boy – como Adolfo Sachsida foi para o Ministério das Minas e Energia – absolutamente comprometido para evitar que os preços dos combustíveis continuem pesando nas estatísticas eleitorais para outubro.

Bolsonaro não quer que mude a política de preços – errada! – da empresa, quer apenas que os preços sejam contidos até outubro – primeiro ou segundo turno da eleição, dependendo do resultado – e depois se corrige – como fizeram Sarney, no pós-Cruzado, e FHC, em 1998, com o câmbio.

Mesmo com um mercado financeiro que tolera todas as manipulações do governo, em nome de que Lula não se eleja – o dia será de pandemônio no mercado financeiro e ninguém duvide de quedas de 5% nas ações da empresa, não só porque o garrote de preços está evidente como despareceu completamente qualquer possibilidade de governança empresarial em nossa maior estatal.

Outros dirigentes devem cair, porque Bolsonaro acha que há um complô contra ele feito por seus próprios nomeados:

“A Bolívia cortou 30% do nosso gás pra entregar pra Argentina. Como agiu a Petrobras nessa questão também? Parece que é tudo orquestrado. O gás, se tiver que comprar de outro local, é cinco vezes mais mais caro. Quem vai pagar a conta? E quem vai ser o responsável? É um negócio que parece orquestrado pra exatamente favorecer vocês sabem quem”

Sim, para ele é conveniente tratar do que fazem as pessoas que ele próprio indicou como sendo lulobolivarianos.

Haverá reflexos, até, na privatização da Eletrobras, porque está evidente que, também na energia elétrica, como na do petróleo, não há mais preço, apenas conveniências eleitorais.

Está claríssimo que na “metritocracia” bolsonariana, a pontuação em capachismo é o que mais conta no currículo.

E que não se muda uma política de preços, mas apenas os dirigentes da empresa.

Para assumir o cargo de presidente da Petrobras já não se necessita capacidade. É preciso ser mau caráter.

É preciso desmoralizar a Petrobras para entregá-la.

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