Bolsonaro vai se moderar?A resposta é “não”.

Nos jornais de hoje, além da descrição do massacre sofrido por Jair Bolsonaro na goleada acachapante que levou no TSE, diz-se que ele, agora, estaria procurando “esvaziar peso político do 7 de setembro“, diante da visível impossibilidade de fazer dele a porta para uma aventura de intervenção no sistema eleitoral.

Não vejo isso como possível, porque Bolsonaro não tem um projeto para defender: ao contrário, seu discurso é sempre e unicamente, o do ataque, o da provocação.

Bolsonaro precisa tensionar, dividir, opor, criar inimigos porque é nisso em que se apoia, por absoluta falta de projetos minimamente palatáveis à população e com propostas que, embora agradem à parte mais atrasada da elite econômica, apontam apenas para uma liberdade selvagem do capital que os aproxima dos escravocratas, em pleno século 21.

Ele precisa de mobilização e mobilização feroz, com ímpetos de ruptura, conduzida pela certeza de que são a maioria (ainda que pelo silêncio dos intimidados) e que, por isso, têm o direito de se impor, não importa por que meios.

Se ontem foi um momento de dissuasão de aventureiros pela via institucionais – e o apoio efusivo e maciço o mostrou – Bolsonaro não pode baixar o tom diante das suas falanges, sob pena de que estas percam sua capacidade de intimidação.

Se há alguma alteração possível no discurso da campanha de Bolsonaro, são as que já estão em curso.

O homem “preocupado” com os mais humildes, com o auxílio “turbinado”, que não registrou alteração nas pesquisas eleitorais e a “ofensiva religiosa”, não apenas com a transformação em “cultos” os seus eventos de campanha mas, sobretudo, fazendo espalhar “fake news”sobre uma pretensa intenção de Lula em promover perseguições a evangélicos.

Quanto a esta última, talvez pela necessidade de obter “resultados rápidos” nas pesquisas, houve um evidente erro tático: é que há tempo, fatos e meios (com a televisão) para que seja revertida e acabe, até, provocando uma perda grave para Bolsonaro pelo fato de que as pessoas percebam estarem sendo manipulados.

Não espere “moderação” de Bolsonaro, portanto.

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