Campanha de Bolsonaro não terá ‘coordenação’. Terá a família

O Globo e a Folha especulam, hoje, sobre a formação de uma coordenação de campanha de Jair Bolsonaro: “Bolsonaro cria comitê de campanha, com Flávio na liderança’, diz o jornal dos Marinho; “Núcleo de campanha de Bolsonaro tem Flávio como 01 e mira estrutura profissional“, afirma o dos Frias.

Não creio que haverá algum “núcleo” ou “comitê” que, como poder decisório ou mesmo bússola de orientação seja composto por ninguém a não ser o próprio Jair e os três filhos.

Achar que Ciro Nogueira, o general do Centrão, ou Valdemar da Costa Neto, o dono do partido que hospeda o presidente vão coordenar ou lá o que seja a campanha bolsonarista é sofrer de uma ilusão que, depois de todos estes anos, dá a quem a tiver o título de tolo.

Não serão e nem querem sê-lo, pela simples razão de que não estão nem aí para a campanha de Jair Bolsonaro, apenas para os recursos que ela poderá trazer para seus deputados e candidatos a deputado.

Os votos que Bolsonaro pode trazer, como em 2018, serão abocanhados por suas matilhas, o que é diferente das máquinas partidárias do “Centrão”. Já não serão tanto e talvez venham a ser poucos: não há para compartir com os “neocorreligionários” bolsonaristas-raiz.

Seu assunto é paroquial e continuará sendo, embora os cobres obtidos com o governismo sempre rendam votos na paróquia eleitoral. Se pudessem, por lá diriam que nem sabem quem são Jair ou Lula, muito antes pelo contrário.

Mas não é só por eles que isso acontecerá, mas porque a família Bolsonaro é, ela própria, um partido, com política, ideologia e finanças próprias e, claro, sempre voltada para dentro de si mesma.

Alguém acha mesmo que o tal “Aliança” pelo Brasil não saiu por “falta de assinaturas”? Num país onde se conseguem registrar 35 partidos, adeptos de Bolsonaro há, com imensa sobra, para cumprir as exigências.

Bolsonaro não quer ter um partido porque tem já o seu: ele e os filhos e ninguém mais.

Seu sucesso foi possível porque os partidos políticos foram destruídos e “avacalhados”, num processo que, reconheçamos, não ocorre somente por aqui, mas que em terras brasileiras teve o poder Judiciário como anjo da morte do qual poucos escaparam, ainda assim estropriados.

Se a política foi demonizada, claro, são os demônios que nela dominarão e como convém aos diabos, frequentemente com discursos angelicais.

Trabalho a que não se dão os Bolsonaro, pai ou filhos.

 

 

 

 

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