Carruagem do clima vira abóbora de Bolsonaro

Não deu tempo de virar a noite.

Nos cortes aplicados por Jair Bolsonaro no Orçamento deste ano, encaminhados na noite de ontem para o Diário Oficial, a dobra de valores para a preservação ambiental, prometida horas antes, no discurso na Cúpula do Clima convocada pelos EUA viraram “abóbora”, como carruagem de Cinderela.

A Folha levantou os números e concluiu que o presidente cortou quase R$ 240 milhões da pasta do Meio Ambiente:

A tesourada atingiu programas sobre a mudança do clima em R$ 5,2 milhões, o que afeta o apoio a projetos de pesquisa relacionados a alterações no clima e ações ligadas à redução dos efeitos de desertificação. Outros R$ 6 milhões foram cortados no programa de prevenção e controle de incêndios florestais nas áreas federais prioritárias.
O apoio a unidades de conservação federais teve uma redução de R$ 1 milhão na verba para o ano. Já a área de fomento a projetos de desenvolvimento sustentável e conservação do meio ambiente perdeu R$ 3 milhões. O maior corte — mais de R$ 200 milhões — foi para planejamento e ações para melhoria da qualidade ambiental urbana.

Mesmo que os recursos venham a ser recompostos por créditos extraordinários – o que só se poderá acontecer se houver folgas num Orçamento já absurdamente “enforcado”- o prejuízo em credibilidade desta notícia, apenas algumas horas depois de Jair Bolsonaro ter representado seu papel de efígie de uma nota de três reais, é imenso.

Bolsonaro, aliás, foi a Amazônia no dia seguinte de seus promessas, mas nada que fosse ligado às preocupações ambientais que diz ter. Foi inaugurar um centro de turismo inacabado e que, claro, não pode ser usado para nada enquanto a mortandade na região espantar qualquer visitante. A Folha dá a pista para entender tanto interesse:

O turismo no Amazonas tem interessado o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Em setembro, os dois filhos do presidente inspecionaram as obras na companhia do governador Wilson Lima (PSC), em uma agenda focada no turismo.
À época, Flávio defendeu a abertura de cassinos na Amazônia. “O que nós ouvimos em Las Vegas é que há um grande interesse que esses grandes players do turismo invistam pesado nessa área em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Amazonas”

Não é “turismo verde”. É das “verdinhas”.

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