Demissão cara, manutenção do emprego barata. É assim a terapia para vencer a crise

Numa economia de mercado, nenhuma medida de intervenção – como as necessárias nesta pandemia – pode desconsiderar a lógica de mercado, e é por isso que está errada a tão demorada medida trabalhista da equipe de Paulo Guedes – já não dá para dizer que são dele, pois está completamente baratinado pela quebra de seu altar contracionista.

Quer se preservar os empregos e evitar demissões?

Então, o princípio adotado deveria ser o de tornar barata a manutenção dos atuais postos de trabalho e fazer ficarem caras – e por isso, desestimuladas – as demissões.

E como fazer isso?

O Estado assumiria, no todo ou em parte, o pagamento das folhas salariais das pequenas e microempresas (que não têm “banha para queimar”) e, para as maiores, concederia diferimento gradual (adiamento com parcelamento) em suas obrigações fiscais e trabalhistas.

Isto é tornar barato manter o empregado.

Ao mesmo tempo, para tornar cara a demissão de trabalhadores – já que facilitou ao máximo a manutenção do emprego – estendendo para dois ou três meses o aviso prévio demissional e elevando multas rescisórias.

Além, é claro, de criar condicionantes trabalhistas nas concessões de crédito emergencial.

Isso é tornar cara a demissão e, assim, e levar à escolha entre a solidariedade barata e a indiferença dispendiosa.

A MP do governo é errada, tecnicamente, por estabelecer uma “compensação” em redução na jornada de trabalho que, a rigor, ou não existe ou é contraproducente neste quadro de isolamento a que precisamos nos submeter.

Não existe redução de jornada para quem tem de ficar em casa, ou porque é inviável seu trabalho presencial ou porque está em home office. Isto é uma obviedade. Resta quem tem de sair ao trabalho porque este é essencial e este não pode, na prática, ser reduzido, ainda que isso pudesse ser traduzido em turnos menores, pois isso significaria mais deslocamentos e, portanto, mais riscos.

Outro fundamento das decisões é o quadro recessivo que apenas começou a se instalar e vai se aprofundar de agora por diante. Do mesmo modo que em relação ao vírus, é preciso “achatar a curva” do desemprego e da perda de renda.

A demora na adoção de medidas neste sentido é, como no caso do coronavírus, mortal, até porque, como ele, a perda de empregos pela redução das atividades econômicas, ainda não tem “cura” visível no tempo. Muito menos ainda a necessidade de continuar a prover renda básica irá se estender por tempo longo, diretamente ou pela extensão do seguro desemprego.

É por isso que é preciso ser mais incisivo já e reduzir a drasticidade com o passar do tempo do que, como fizeram com o vírus. Ficar esperando agrava-se a situação para intervir.

E será uma longa intervenção, ou alguém pensa que, sem o vírus circulando, mas com a economia arruinada, a renda emergencial (quando afinal passar a existir) pode ser cortada, de uma hora para outra, sem provocar o caos?

Infelizmente, os nossos “especialistas” em economia são muito bons em análises contábeis e muito mesquinhos em entender que as relações sociais são a chave das relações econômicas e não existe “isolamento vertical” dos efeitos que elas geram.

Esta crise contaminará a tudo e a todos e é uma tolice achar que dispensará “respiradores artificiais” para o todo o povo trabalhador e não apenas para os 30 ou 40% que puder sobreviver com seus próprios pulmões.

É preciso dar a todos, não a apenas alguns, a certeza de que não lhe faltará oxigênio.

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19 respostas

  1. O Bolsonaro é apenas o cachorro de estimação da elite , seus latidos são a cortina de fumaça para um governo que monta um circo diário para não dizer nada , até porque quem não faz nada não tem o que mostrar.
    O Chicago Boy do Pinochet trabalha 24 hs por dia para salvar o mercado financeiro.
    A ex-querda trabalha para esse verme.
    Comecem a bater em quem precisa ser desmascarado.
    Parem de transformar o Bolsonaro em um louco pois ele é um criminoso e deve ser tratado assim.

    1. No momento em q estamos qualquer movimento de esquerda sera tratado como terrorismo
      Deixa o psdb ou dem reagirem e serem aniquilados pelas ffaa

  2. O interessante é que o nível do dólar dias depois após a reforma da previdência ser um fato consumado (esta também contracionista) estava no mesmo patamar do impeachment da Dilma. Só não vê quem não quer.

  3. Nada a estranhar. A lógica desse governo, desde o primeiro dia, foi trabalhar em prol dos ricos e tirar dos pobres até sua última gota de sangue, se possível. Se não tomam as medidas sensatas que todos os demais países estão tomando não é por incompetência, é por fidelidade aos seus princípios genocidas.

    1. Mas isso ainda vai levar o Brasil a uma guerra civil. Talvez seja a única forma desse país endireitar para a esquerda.

  4. Fernando não são nem razoáveis em análises contábeis, as planilhas são feitas pelos stags, por favor, não lhes dê mais crédito do que já indevidamente têm. Tenho sérias dúvidas se são bons em alguma coisa. A ver: talvez em sejam bons mesmo em enganar e em auto enganar-se. O que falam no início do pregão não chega de pé ao almoço! Apenas não sabe e não vê o distinto público.

  5. Ao invés do que eles vendem e os idiotas compram,não é a política que vai atrás da economía.
    São as decisões políticas que definem a economía,mas,a massa estúpida ,ignorante foi levada a escolher um BANDIDO que quando perguntado sobre sua política económica ,mandava falar com o “posto ipiranga”
    .Dizía-lhes,”é o mercado que manda,é a economía que define,não sou eu”,mas ,os imbecis nunca perceberam
    Todo tem um preço,hoje estamos a pagar que a política esteja nas mãos dos MERCADERES.

  6. Deixa eu dizer uma coisa: Tenho conversado com micro empresa e médias empresa até 30 empregados, vocês podem ter uma certeza haverá uma avalanche de demissão. Eles acham que é mais barato demitir agora do que manter seus empregados sem necessidade, pois baseado na opinião deles, esta Economia de guerra vai demorar acabar.Analisemos uma média empresa com 30 empregados e com uma folha de no menos 50 mil reais mensais , se passar um ano com movimento fraco a firma terá gastado 12×50 mil = 600 mil. Chegará no final do ano ele não terá lucro para cobrir a folha de pagamento. E se ele inverter a curva, apanhando dinheiro no Banco a 3.75% no final do ano estará quebrado e com “papagaio de no mínimo de uns 400 mil.

    1. Estes” economistas” com Guedes e sua corja deveriam sentar com os empresários e ouvir deles o que eles acham melhor. Juros de 3.75% ano é barato, mas isto é quando tá tudo normal, mas alguém deveria falar com o Guedes e sua “turma de incompetentes, que adoram socorrer os rentistas) que ele deveria emprestar dinheiro a juros de no máximo 1%! Zero%% ao ano com 36 meses pagar. Nós não somos os EUA do Trump, mas lá eles estão emprestando a juros zero. Somente com o intuito de salvar os empregos. Mas, pelo visto esta medida não está funcionado, pois os números do desempregado deles chegará (previsões feitas por eles) em vinte milhões)

  7. Esta seria a oportunidade de ouro para recomprarmos os titulos da dívida, zerar os juros dos mesmos, com um pouco de emissão de moeda. Assim, quando a pandemia passasse o estado teria mais condições de investir.

    1. Estado mínimo só interessa para os mercenários quando está bom, mas, ao menor sinal de perigo eles correm para pedir ao Governo empréstimo com juros zero. Este governo deveria sim, socorrer as micro e médias empresas com juros baratos e com 36 meses para pagar. E hora de salvar os empregos. Analisemos: Micro e médias empresas (até 30 a 40 empregados) são a maioria e eles é que empregam a maioria da população.
      Esta ‘papagaiada burocratizada” dos ditos economistas (Guedes e seus rentistas) e que não enxergam um palmo adiante do nariz!!. Sabem o que vai acontecer: O Guedes já, já abandonará o barco e nós ficaremos aqui com a batata quente nas mãos e ele irá viver a tripa forra nalgum Paraíso fiscal.
      A prioridade agora é salvar os empregos.

  8. É direito a insalubridade para quem está indo trabalhar, pois estão submetidos a risco biológico.

  9. Mas e o congresso? Vão continuar “em casa”? Só o Maia que fala..fala…fala…? A responsabilidade deve ser cobrada deles também, ou continuaremos a “passar sabão em cabeça de burro”?

  10. Já que estamos falando em “Economia de Guerra”! Então seria hora de entrar um governo com apoio da opinião pública e decretar uma auditoria na dívida e dar um prazo de 12 meses para recomeçar a pagar. Se isto for feito o Governo poderá emprestar dinheiro para os pequenos empresários com juros baratos e salvar os empregos. Mas,o Guedes e o Bozó não querem liberar dinheiro pois, só pensam nos “Rentistas” Que os Rentistas se fodam . Já ganharam bilhões e Bilhões! Chega! Chegou a hora de dar um pé na bunda deste pessoal. O Brasil é um país riquíssimo e produz aquilo que a humanidade quer, que é alimentos. Mas, isto só será possível se entrar um governo do “Saco Roxo”

  11. Estes ditos Economistas e seus parvos ajudantes”, ainda não perceberam que a hora é de salvar os empregos. Seria hora do Governo mandar editar esta dívida , Suspender os pagamentos por no mínimo doze meses. Mas, estes mentecaptos preferem ajudar os rentista e quebrarem o Brasil . A hora é de salvar os empregos é agora.

  12. Ninguém se iluda pensando que o que nós produzirmos não terá compradores, pois os nossos compradores precisam comprar e produzimos aquilo que a humanidade quer, que é alimentos. Se ninguém por acaso não quiser, temos a China pra comprar toda nossa produção seja do que for. Apesar de uns mentecaptos procurarem azedar o nosso relacionamento com a China.

  13. De que adiante demissão cara? As firmas na eminência de falir, pois este é o cenário quase geral, de nada irá adiantar exigir dos empreendedores e empresas criarem lei para evitar a demissão em massa!
    Vai adiantar,? Não vai! Para os Bancos trilhões, mas, para as firmas e micro e médias, nada né! Então vai lá Tereza e senta, vá!! Uma economia de Guerra não deve ser só para bancos e multinacionais, pois estas pelo seu tamanho e o caixa abarrotado devem demitir mais da metade dos seus empregados. La em Goiás .uma firma tinha 3.000 empregados, 1.200 já foram despedidos e tem mais 600 na fila. Perguntem pro Caiadão (está quase nas barbas dele) ele deve saber quem é!!

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