Dom e Bruno: Bolsonaro ataca as vítimas

Jair Bolsonaro é, de fato, um verme moral.

Dom Philips e Bruno Pereira, os dois desaparecidos no Vale do Javari, agora são os culpados por seu provável trágico destino, a morte.

Vejam o que acaba de dizer o desqualificado – definição dele próprio, ontem – presidente da República.

“Esse inglês era mal visto na região, porque fazia muita matéria contra garimpeiros, questão ambiental, então, naquela região lá, que é bastante isolada, muita gente não gostava dele.”

Que gente, Bolsonaro? Garimpeiros ilegais, madeireiros ilegais, caçadores e pescadores ilegais, narcotraficantes por óbvio ilegais?

Pois havia gente que gostava deles: indígenas, ribeirinhos, funcionários da Funai, do ICM-Bio, do Ibama, ambientalistas…

Curiosamente, a gente que não gostava de Bruno e Dom gosta de você, Bolsonaro. E os que gostavam dele tem horror ao que você faz.

Bolsonaro, que em tese nada sabe sobre o que se passou, esmerou-se em descrever o que deve ter se passado:

“(…)se mataram os dois, se mataram, espero que não, eles estão dentro d’água e dentro d’água pouca coisa vai sobrar, peixe come, não sei se tem piranha lá no Javari.”

Não compete a um presidente da República adivinhar o modus operandi de assassinos nem fazer descrições mórbidas de um laudo de necropsia imaginário.

Ao culpar as vítimas, Jair Bolsonaro ultrapassa todos os limites da falta de humanidade, empatia, respeito e decência. Debocha da dor alheie porta-se como um verme que se alimenta, no sentido figurado e político, dos mortos.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email

Uma resposta

  1. A Fernando Brito,
    Sempre preciso na notícia, confiável nos comentários políticos e sociais, sensível e atento aos interesses da nação e aos valores universais, fazem da sua pessoa um grande humanista! Parabéns, mais uma vez!
    É de jornalistas com essa acuidade intelectual e serenidade, na crença de um mundo melhor e possível para todos nós, que o nosso Brasil precisa, quiçá, o mundo.
    Segue de Brasília o nosso desejo: continue sempre assim como você é, pela eternidade em que viver!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *