Economia: falta rumo e credibilidade. Ainda bem

O jornalista e assessor de investimentos Marcos de Vasconcellos, em artigo na Folha de hoje, toca no ponto que tem sido indicado aqui para sustentar que estamos metidos numa crise econômica com poucas possibilidades de ser revertida, no curto e no médio prazo: não só faltam projetos consistentes de política para a economia com falta credibilidade a Jair Bolsonaro, Paulo Guedes e até a Arthur Lira, que tem se assenhoreado de mudanças nos impostos e, com isso, virou um segundo ministro da Economia.

A falta de reação do mercado às falas de Bolsonaro, Guedes e Lira em relação à privatização da Petrobras lembra a fábula do Pastor Mentiroso e o Lobo, de Esopo. De tanto gritar “lobo!” só para chamar a atenção dos camponeses, o pastor perdeu a credibilidade e, no fim, assistiu suas ovelhas sendo devoradas, já que ninguém mais vinha ao seu socorro.

Dá-se o mesmo com a promessa de devolver ao “normal” o preço da energia elétrica e à tentativa de estrangular os Estado com a redução marota do imposto estadual sobre combustível que, se não cair no Senado, cairá na Justiça.

Além de serem medidas artificiais, porque não tocam na questão de refino e geração de energia, sofrem da agonia de um governo que entrará em seu último ano, com baixa possibilidade de reeleição e nenhuma de que venha apontar um rumo para o desenvolvimento do país que não seja vender, conceder e entregar o que resta de patrimônio e de reservas de riqueza nacionais e aprofundar o modelo agro-exportador que sofre com os sinais de exaurimento ambiental.

Há, porém, uma vantagem: a falta de credibilidade dificulta a consumação da liquidação do país. E deixa, para quem se aventurar, a perspectiva de que não há segurança em negócios que são feitos num quadro de “apagar das luzes” ensandecidos de um governo insustentável.

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