Escolas “cívico-militares” são “bico” para militares da reserva?

Está na Folha de S. Paulo:

Mais da metade do orçamento do governo Jair Bolsonaro para a implementação das escolas cívico-militares em 2020 será destinado ao pagamento de oficiais da reserva das Forças Armadas. Dos R$ 54 milhões reservados para a ação, R$ 28 milhões serão repassados para o Ministério da Defesa pagar pessoal.

Pronto, está aí para quem quiser ver o que é este projeto: criar vagas para que oficiais da reserva do Exército (e da PM, em alguns estados) possam desempenhar um “bico” no papel de inspetores superpoderosos em escolas públicas, uma vez que não estão – como regra – capacitados para o exercício de atividades pedagógicas.

Vão mandar formar no pátio, ensinar a fazer fila indiana, a cobrir (não se lembra? esticar a mão até tocar o companheiro da frente para uniformizar a distância entre as fileiras…), mandar cortar o cabelo mais curto e mandar cantar os hinos…

Um “de volta para o passado” das escolas públicas, onde fazíamos isso e – adivinhe – sem militar algum dentro delas.

Está certo, a vida é dura e os capitães e majores precisam não só dos caraminguás que o programa pingará em seus orçamentos domésticos como, também, do efeito terapêutico de ter alguém em quem mandar, depois que perderam os recrutas do quartel que lhes diziam “senhor, sim, senhor!”

E, claro, isso vai fazer minguar ainda mais a já hoje rala autoridade do professor: ou o militar sera seu “segurança” ou, claro, o seu “superior”.

E quando surgir um destes comuníssimos conflitos de escola, entre pais, professores e diretores, o que se vai dizer, que “é uma ordem, soldado”?

O projeto é algo destinado a virar algo como um “plano Recruta Zero”, onde não faltarão atrapalhados como os personagens dos quadrinhos.

Nada mal para um país que quer trocar Paulo Freire e Darcy Ribeiro pelo Capitão Durindana.

 

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