Evo chama novas eleições. E o jogo vai ficar bruto

Evo Morales anuncia novas eleições na Bolívia, diante das contestações ao resultado que lhe deu a vitória duas semanas atrás.

Cumpre o compromisso que assumiu de aceitar a auditoria que chamou depois que a oposição não aceitou sua vitória por 47 a 37% dos votos.

A história lembra a metáfora a que recorreu Hugo Chávez quando teve de enfrentar o “referendo revogatório”, que permitia cassar mandatos a partir de eleições populares, algo que ele próprio havia introduzido na ordem constitucional venezuelana.

Ele foi buscar no folclore venezuelano – transformado em poesia por Alberto Arvelo Torrealba – a história do “catire” (sarará) Fiorentino, trovador que cavalgando pelas savanas da Venezuela como repentista, tão bom que se julgava capaz de vencer nos versos ao próprio diabo.

Que, um dia, após desafiado por Fiorentino a um duelo de trovas, revela-se ante o surpreso cantador que, honrando sua palavra, enfrenta o Cão nos seus improvisos.

Evo recusou a solução de força, ainda que isso fosse colocar-se nas mãos de uma OEA que, faz tempo, todos sabemos que se tornou um agente antiesquerda na América Latina.

Aceitou um duelo de morte político, no qual pode perder a vitória que está sendo contestada. E que, vencendo, ficará incontestável para estabelecer um governo com menos freios e contrapesos em relação a uma oposição que, há mais de uma década, assenta-se no tripé formado pelas oligarquias rurais de Santa Cruz de La Sierra, o apoio norte-americano e as minorias – minorias, mesmo – brancas do Altiplano.

Tanto que, há 20 anos atrás, quando estive lá com meu filho, então um adolescente, ele virou-se para mim e disse: “pai, você já reparou como aqui só tem branco na televisão?”

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18 respostas

  1. https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/18/Boliviamuni.png/617px-Boliviamuni.png

    Foi assim mes passado. Ganhou em boa parte do pais.
    No Google tem varias entradas da noticia.
    Como foram velozes… O pig todo divulgando essa noticia. Sobre a Bolivia. Que desespero.
    Sim eles vao ficar do lado de Bozo mesmo q isso custe o pais.
    A unica espetança e convencer o bozo q depois de se desfazer das estatais ele vira lixo. Entao ele tem dar “uma trepada”por mes como ele se referiu a vender estatais.

    1. É difícil que isto aconteça. As forças armadas da Venezuela, por exemplo, constituídas dentro da tradição independentista das guerras de Bolívar, jamais se venderiam a quem quer que seja. Já quanto à Bolívia, apesar de ser um país ao qual deram o nome do Libertador, ficava bem longe das batalhas centrais pela independência latino-americana. O mais provável é que esta figura de novo lutador riquíssimo de extrema direita, o tal Camacho, não estivesse blefando quando dava seus ultimatuns a Evo. As forças armadas da Bolívia, na mais provável das análises, estavam desde o início submetidas aos planos da elite econômica de Santa Cruz.

  2. Assistindo a midia boliviana, os opositores do governo nao querem novas eleições, eles querem a deposição de Evo. De dois depoimentos, um mineiro de Potosi fala em marchar pela democracia até La Paz e um jovem em outro lugar cita trecho da Bíblia e fala em manter-se resistente em continuar mobilizado contra Evo. Desandou-se a democracia na Bolívia. O problema, Evo reeleger-se sucessivamente. A confiança num governo capacita seu sucessor. será que Evo nao entende isso? Lula foi mais sábio. Embora no fim, comprovou-se aqui o temor de Evo. Entao, cada caso é um caso. A esquerda deve confiar à alternancia de poder suas conquistas sociais e políticas? Deve acreditar na democracia?

  3. Estava pensando aqui, se Dilma, no processo de impeachment tivesse renunciado e pedido novas eleições.

    O Lula poderia ter sido hoje nosso presidente.

    O PT não estava preparado para o que estava por vir.

    Agora é batata, se abrirem processo de impeachment para impor golpe. PEDE NOVAS ELEIÇÕES IMEDIATAMENTE.

    O Evo acertou em cheio. Se eleito novamente, vão enfranquecer absurdamente a oposição.

    1. “O PT não estava preparado para o que estava por vir.”
      Para falar a verdade, ninguém estava preparado e muito menos acreditava no êxito de um golpe

    2. “Se Dilma, no processo de impeachment tivesse renunciado”… a faixa iria para o Temer do mesmo jeito.

  4. Contestar eleições virou símbolo das “democracias” sul americanas. A inferência da OEA é inaceitável, sobretudo quando, no Brasil, não questionou a vitória Bolsonarista mesmo diante do descumprimento da recomendação da ONU para que o Lula participasse da eleição.
    Aliás, parece que o Lula voltou o Lulinha paz e amor. Onde já se viu dizer que o Bozo foi eleito democraticamente? Como. Pode ser democrático quando se descumpre a Constituição?

    1. Pois é, e Gilmar Mendes fez acordo e tudo com OEA, se nãoo me engano? E o TSE que jogou o processo da chapa de bolsonaro para 2024?? Vergonha. Como disse Brito, essa entidade, vizinha da Casa Branca, se especializou em combater governos de esquerda na AL.

  5. Evo foi muito prudente. Agora deve ter cuidado com as fake neus patrocinadas pelos perdedores donos da grana.

  6. Aceitou o golpe. Simples assim, mas talvez querendo permitir a “democracia”. Fatalmente será preso ou exilado.

  7. É isso vai se tornar costumeiro……a farsa eleitoral só foi aceita enquanto beneficiava os donos do poder, e tome voto de cabresto, fraudes e outros estratagemas…… contestar a vitória das esquerdas é o novo golpe na praça, já que nenhum êxito da direita foi questionada, mesmo aquelas em que a fraude era descarada… fiquemos de olho na Argentina…..

  8. Fraude eleitoral faz parte do cardápio da ditadura ultraliberal. Evo Morales vai ter que dar nó em pingo d’água, para vencer a gigantesca máquina de fraudes eleitorais baseada nas redes sociais de Zuckerberg e Steve Banon.

  9. Penso que ele deve se submeter a novas eleições. Caso ganhe terá pelo menos uma década de sossego político. Caso perca democraticamente, entregue o poder aos brancos da televisão e a sanha norte-americana e deixe que o povo sinta saudade da Democracia, como os brasileiros estão sentindo. E, como fez seu poeta, enfrente o capeta e o mande de volta para Washington. Que lá eles fiquem comemorando as façanhas do General Custer, que exterminou seus índios para ter espaço para criar gado e produzir o hamburguer do churrasco do fim de semana e de Búfalo Bill, que se vangloriava de haver matado 200 animais em uma única caçada.

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