Fim trágico de Bolsonaro abre busca de novo líder para direita

Não é possível acompanhar a avalanche de notícias agravando a situação dos grupos bolsonaristas depois da fracassada e tragicômica tentativa de golpe, que acaba de “ganhar” a companhia de torres de energia elétrica derrubadas e a prisão do ex-comandante da Polícia Militar do Distrito Federal, já decretado por Alexandre de Moraes.

O tom do discurso do ministro do STF na posse do novo diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues não deixa dúvidas do que vai acontecer e parecem ser só o início dos degraus em que esta escalada vai avançar. E que pode atingir não só integrantes do governo Bolsonaro como também parlamentares do grupo. que vão enfrentar tentativas de cassação de seus diplomas.

(Em tempo: acaba de ser decretada a prisão do ex-ministro da Justiça, Alexandre Torres)

Mas se pode antecipar em parte as consequência políticas e elas são, no primeiro momento, a ruína das estruturas políticas em que a extrema-direita ensaiava abrigar-se.

E não só o PL de Jair e Valdemar, mas também as figuras de Hamilton Mourão e Sérgio Moro, que ameaçavam tornarem-se núcleos de aglutinação no Senado e vão tomar posse já como párias, por sua adesão maldisfarçada aos golpistas de 8 de janeiro. Se ficar por aí, porque não se pode chamar de mal-informado o jornalista Elio Gaspari, que estima em 70% as chances de que o ex-juiz de Curitiba tenha seu mandato cassado pela Justiça Eleitoral.

Há um clima de “barata voa” e “salve-se quem puder” na direita. Os sinais são vários, inclusive na saída dos dirigentes da Jovem Pan, que era o veículo extraoficial do golpe. Ruiu a confiança de que o Judiciário funcionaria como um escudo de proteção à impunidade.

Isso vai se refletir na rearrumação de forças no Congresso e a imensa maioria de que dispunham Centrão e bolsonaristas se desfez. A pretensão de Sóstenes Cavalcanti (PL e agente de Silas Malafaia) de ser o vice de Arthur Lira na direção da Câmara dos Deputados está inviabilizada por sua defesa do golpismo.

Está aberta a vaga de chefe de uma oposição de direita não-bolsonarista no Brasil, mas faltam candidatos, por conta de seus currículos.

Surgirá, porque a política não tem vácuos.

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