Governo à ONU: 64 foi da ‘maioria do povo’. Ibope mostra o contrário

O Governo brasileiro mandou a Fabian Salvioli, relator especial da ONU sobre Promoção da Verdade, Justiça, Reparação e Garantias de Não Repetição telegrama dizendo que, em 1964, “não houve um golpe de Estado, mas um movimento político legítimo que contou com o apoio do Congresso e do Judiciário, bem como da maioria da população”.

Não dá nem para discutir o resto da delirante e estúpida manifestação do Itamarati.

Fiquemos na “maioria da população”  estar apoiando o golpe ou o tal “movimento político legítimo”.

O Ibope fez duas pesquisas, em fevereiro e no final de março de 1964. Poucos dias antes do 31 de março/1° de abril, portanto.

Faça um esforcinho, porque o material não está com boa qualidade no acervo digital da Folha, onde foi publicado na página F1 da edição de domingo, 9 de março de 2003.

O governo que foi derrubado tinha classificação de ótimo ou bom para 45% dos entrevistados e 16% de ruim e péssimo. Bem mais do que tem Jair Bolsonaro: 34%  de aprovação e 24% de rejeição, segundo o mesmo Ibope.

Só 14% achavam que Jango queria dar um golpe de Estado, o que acredito que vá dar mais se perguntarem o mesmo sobre o atual Presidente.

Se Jango pudesse ser candidato – ao que nunca se lançou – metade dos brasileiros (49,8%) estava disposta a dar-lhe o voto.

69%, radical ou moderadamente, apoiavam as reformas de base; 67% defendiam a reforma agrária, as principais bandeiras do trabalhismo e da esquerda.

E, afinal, 90% dos brasileiros queriam a eleição presidencial de 65, que a ditadura cancelou.

Maioria da população querendo golpe? Onde, sr. Bolsonaro?

Esta conversa só existe porque a mídia – esta, sim, querendo o golpe – usou as manifestações da direita para simular uma maioria golpista e repetiu a patranha durante mais de 30 anos. Para ela, aliás, o mundo se resumia e se resume à Zona Sul do Rio e aos Jardins paulistas.

Sugiro à Folha que, em lugar de ficar nestas discussões inócuas sobre “foi ou não foi”, recupere a pesquisa que publicou e, até, a disponibilize para que possa, também, ser enviada para a ONU.

Contra os delírios, o melhor remédio são os fatos.

 

 

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11 respostas

  1. Como bem disse sociólogo Boaventura Sousa Santos, o ÓDIO, o MEDO e a MENTIRA são os três componentes sempre presentes nos golpes capitalistas.

    #LulaLivre

  2. Um sujeito que se elegeu em cima de fake news, é natural que seu governo continue com as fake news – só que agora têm caráter “institucional”.

    Se a popularidade dele cair ainda mais, e a “deforma” da previdência não for aprovada, é possível que saibamos pelo PIG mais detalhes sobre o “esfakeamento” que sofreu durante a campanha. Sabe como é, o PIG também guarda seus “dossiês” apenas para serem usados no momento oportuno.

  3. O governo de um escroto, apoiado por uma massa de primatas e de imbecis adquirentes de terrenos divinos pela entrega do dízimo,produz o lixo que sofremos.
    Sou um eterno desconfiado das pesquisas,elas são como uma fotografía que mostram o que o fotógrafo quer mostrar,mas,digamos que neste caso o profissional mostrou (querendo ou não) que naquela época os brasileiros TINHAM CÉREBRO.
    Após décadas de lavagem cerebral ,lavaram tanto que este,o cérebro ,desapareceu.
    Hoje ,especialmente os jovens(não sei se dou azar) mas,competem na sua alienação .
    Nem todo tempo por pasado foi melhor,mas,até as pesquisas mostram ,a espécie humana já foi melhor.

  4. Caro Brito,
    Muito obrigado pela informação. Eu nunca havia visto essa pesquisa e sequer imaginav,a tendo apenas 8 anos à época, que o apoio ao golpe era tão pífio.
    Que os golpistas afirmem ao contrário é explicável e, sob sua ótica, até justificável. Mas, o que essa informação trás é que foi a imprensa nacional, cooptada e venal como de hábito, quem construiu as falsas justificativas que não somente deram amparo ao golpe mas foram vitais para a narrativa que o acompanhou por décadas.
    O mesmo comportamento se viu no impeachment de Dilma e após, manipulando o cenário e transformando-o em um clamor popular, vontade majoritária do povo brasileiro, um basta à esquerda.
    Esses foram atos criminosos para os quais não houve punição e não creio que um dia haja. Mas, na memória das pessoas e para a história a reputação dessa gente está onde deveria estar, na lata de lixo.

  5. REFORMA DA PREVIDÊNCIA

    O governo pratica mesmices quando não maluquices ao tentar controlar e
    entorpecer o ânimo dos brasileiros com tanta pieguice e patacoadas para
    tentar aprovar a reforma da previdência e conter a insatisfação e
    impaciência dos brasileiros. Ora, ‘‘quem tem fome tem pressa’’, pior
    ainda se o indivíduo for pai de família e estiver desempregado. Talvez,
    os únicos sem pressa no momento são o atual governo e a sua equipe
    econômica, que de tão devagar, sem criatividade e sem um projeto de
    desenvolvimento nacional optaram pela continuidade de uma política
    econômica perversa, neoliberal, de juros altos e aumentos de impostos
    que espolia os trabalhadores e destrói a indústria nacional. Ter
    paciência nesse momento significa abnegação, subserviência e filiação a
    tudo de podre que aí está. Entretanto, o pensamento insígnio, uno de
    construir um Brasil nacional-desenvolvimentista não se curva e não se
    dobra tão facilmente à ‘‘comercialização da alma’’ como querem os
    truões. Muito menos engole goela abaixo a pseudomodernidade propalada
    por uma reforma da previdência que engana apenas os trouxas com o papo
    furado dela ser deficitária, pelo contrário, o que existe é um superavit
    previdenciário, sorrateiramente apropriado pelo próprio governo através
    da Desvinculação de Receitas da União (DRU): criada em 1994 com o nome
    inicial de Fundo Social de Emergência (FSE) para depois do famoso Plano
    Real, em 2000, adotar a denominação definitiva DRU – utilizada para
    pagamentos de juros oriundos do lançamento de títulos públicos federais
    para controlar a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia
    (SELIC) – a taxa básica de juros da economia brasileira. Destarte, o
    orçamento da seguridade social (Saúde Pública, Assistência e Previdência Social) que
    tem previsão constitucional de arrecadação (artigo 195, incisos I ao IV
    da CRFB) não foi, não é e nunca será deficitário. Deficitário – é o
    orçamento fiscal do governo que agora tenta a todo custo precarizar,
    carcomer e dilapidar a seguridade social para cobrir outros rombos da
    gastança governamental. Caso a reforma da previdência seja aprovada pelo
    congresso nacional com a ajudinha de um punhado de deputados e
    senadores que não gostam do Brasil será mais um fiasco, mais um engodo,
    mais uma desforma, igualzinha a trabalhista que o governo anterior
    empurrou goela abaixo com prejuízos incalculáveis para os brasileiros.
    Detalhe: antes da reforma da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) o
    governo da época prometeu mundos e fundos, retomada de empregos,
    crescimento e desenvolvimento econômico; depois da reforma, nada mudou,
    ficou pior – inflação galopante, PIB não cresce e aumento descontrolado
    da pobreza em geral; o que antes era para ser “novo”, agora ficou
    “velho”, acabou revelando-se uma tremenda vigarice, uma grande mentira
    como prova os altos e crescentes índices de desemprego no país
    divulgados recentemente pelo IBGE. Além disso, as doidices desse governo
    cresceram exponencialmente, tanto em solo nacional como em território
    estrangeiro, por exemplo, a bravata propalada de que o nazismo deriva de
    ideologia da esquerda – um completo nonsense, falácia ventilada por
    demagogos, indivíduos mal intencionados, de raciocínio curto e abaixo,
    muito abaixo do homem médio. Essas e outras patacoadas já encheram o
    saco dos brasileiros e os ânimos andam à flor da pele, como ficou
    evidenciado através do surto de um deputado da base ruralista e
    presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) esbravejando um
    sonoro “Chega! Chegamos ao limite! Não dá mais!”, quando este deixava o
    plenário da Câmara dos Deputados falando em alto e bom som: “Acabou a
    paciência!”. Pior: as bizarrices desse governo podem acabar destruindo a
    política do agronegócio brasileiro, por consequência, arruinar de vez
    às exportação de carne Halal – ritual islâmico especial para o abate de
    animais sem sofrimento, tanto de carne de frango quanto bovina para o
    consumo do mundo árabe; agravada pela postura infantil e hilariante ao
    atacar por postagem, em uma rede social e depois apagada, o grupo
    palestino Hamas – de forma ultrajante, totalmente desnecessária e
    inconsequente. Por exemplo, quem vai pagar a conta e os prejuízos
    somados em mais de US$ 3,2 bilhões em exportações somente de frango
    Halal segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA),
    caso os árabes parem ou dificultem a importação de frango Halal made in
    Brasil? Além disso, esse governo aderiu fortemente à ideologia dos
    “Chicago Boys” – economismo fajuta, ultrapassado, capenga e entreguista
    que poderá quebrar definitivamente a indústria nacional igual ao que
    foi praticado no Chile nos anos 70, logo após o golpe liderado pelo
    general Augusto Pinochet que derrubou o presidente eleito
    democraticamente Salvador Allende (morto em combate durante o cerco ao
    Palácio de La Moneda, em Santiago) – em favor de interesses
    financeiros-rentistas dos países ricos liderados pelos senhores de
    Washington. Por tudo isso, o povo brasileiro saberá dar o troco no
    momento propício: nas próximas eleições. Porém, de um jeito um pouco
    diferente: a paciência será mesclada com uma dose exagerada de
    indignação somada a uma pitada – que poderá se transformar numa
    enxurrada – de votos impacientes de pura decepção.

    ANTÔNIO SÉRGIO NEVES DE AZEVEDO – estudante – Curitiba – Paraná.

  6. ONU precisa de mais prova que Lula é alvo de perseguição política pelo Estado brasileiro? Já tem uma tonelada de provas.

  7. Brito, boa noite… Estou com uma forte impressão que, diante dos fatos negativos na Câmara ontem, dos encontros frustrados c/ partidos hoje, da repercussão mundial negativa sobre as besteiras ditas e repetidas associando socialismo com nazismo e a esquerda, a queda e inércia de ações perante as exigências do deus mercado, da “entrada” hoje do ministro “justo”no twitter após uma pesquisa mostrando o seu “valor” nacional, e por último, a denúncia do Noblat sobre pressão ao STF na questão da ADC/2ª instância, Eles devem estar preparando uma manobra golpista novamente… Tiram ou fazem o dom quixote renunciar e colocam o justo ministro em seu lugar, g-o-l-p-e civil e militar… Toda atenção será pouca para novos acontecimentos, creio eu. Abração.

  8. eles mentem por saberem que tem uma cambada de degenerados que vão acreditar em tudo

  9. Quem viveu aquela época sabe bem disto. Eu tinha 19 anos e presenciei as “Marchas da Família…” Um monte de beatas com terço na mão, com o patrocínio da Igreja Católica, o que revoltou figuras como Alceu Amoroso Lima que, em seu livro Cartas do Pai, em vários momentos, manifesta sua indignação. Uns 5 anos depois, “refugiado” numa comunidade religiosa em Santo André, SP, conheci um dos padres que aparecem nas fotos das marchas e ele disse-me então que daria dez anos de sua vida para desaparecer daquela imagem. Basicamente quem apoiou o golpe foi parte da classe média, como fez no nazismo, no fascismo italiano, na Guerra de Canudos, em 54,em 2016 e na eleição do Bolsonaro. E naturalmente nossa burguesia e o latifúndio. E, por incrível que pareça, essa mesma parcela da classe média apoia a reforma da previdência. Meu pai, que não era nenhum revolucionário e tinha ligações com o PDS, era fã de carteirinha do Jango, tendo votado contra o parlamentarismo.

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