IBGE divulga PIB de 2020, mas o foco é no de 2021

Às nove da manhã, o IBGE divulga o resultado do Produto Interno Bruto do 4° trimestre de 2020 e há um consenso nas previsões de que, mesmo ligeiramente maior do que o do 3° trimestre (perto de 2%) ele fique 2,5% menor que o do último trimestre de 2019. o que levará a uma retração no ano pouco abaixo de 5%.

É melhor do que se esperou em boa parte do ano que passou mas é algo que, agora, já não tem muita importância.

Explico: a retração no consumo das famílias anotada desde o fim do auxílio emergencial e a queda muito forte do “PIB de verão” – viagens, hospedagens, bares, restaurantes e lazer em geral – aguçaram um período que foi ruim também para o “feijão com arroz” do comércio varejista de alimentos – super e hipermercados.

Ontem, o Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo registrou uma queda de 6,1% no faturamento do comércio em relação a fevereiro de 2020, Janeiro já tinha apresentado resultados ruins, segundo o levantamento da operadora de cartões de crédito Cielo, que apontava retração de mais de 10% em relação a janeiro de 2020.

Março, com o quadro que se desenha com a explosão de contaminação e mortes da pandemia que se desenha com cores muito fortes e o inevitável – embora incompleto – lockdown das principais cidades brasileiras oferece um panorama sombrio e quase que certamente manterá negativo o desempenho do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre do “ano da retomada em V“.

O segundo trimestre, claro, apresentará resultado positivo, porque a base de comparação será o trimestre áureo da pandemia, mas este crescimento, a depender da vacinação, pode ser de um crescimento pífio , deixando por conta apenas do segundo semestre a missão de arranjar para o ano o crescimento de 3,5% que o governo espera para a geração de riqueza no país.

E é claro que isso exigiria um “crescimento chinês” que, sem investimento público (não há orçamento) e privado (não há confiança interna e, sobretudo, externa) não vai acontecer.

Portanto, prepare-se para ver as previsões de crescimento econômico – que já andaram perto de 4% nas contas do Banco Central – irem desabando na direção de 2%.

A depender, claro, do quanto o Banco Central vá resistir às pressões pela elevação da taxa de juros, cada vez mais negativa nos seus imutáveis 2%, frente a taxas de inflação que vão aumentar no acumulado anual, por conta das taxas neutras ou negativas de março, abril e maio de 2020. Devem chegar ou passar de 6%, o que significa juros negativos de 4%, o que se traduz em fuga de capitais para fora do país ou para mercados especulativos.

Nem mesmo a doença crônica de nossos analistas econômicos, que passaram anos a fio prevendo que “a retomada agora vem” conseguiu resistir e não há um deles sequer gotejando o otimismo que antes jorravam todo o tempo.

 

 

 

 

 

 

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