Joaquim e a marca de Caim

Nas eleições passadas, a diretora da Associação de Jornais, sem meias palavras, disse que, diante da incapacidade dos partidos de direita no Brasil, a oposição eram eles, a mídia.

Como é óbvio, não funcionou.

O quadro de incapacidade da direita política, porém, não apenas continua como, sem dúvida, agravou-se.

A esta altura, há quatro anos, era possível dizer que seu candidato liderava as pesquisas.

Hoje, não há boa vontade que coloque seus nomes “postos” – Aécio Neves e Eduardo Campos – com mais da metade das intenções de voto, nas pesquisas, do que é indicado a Dilma Rousseff.

Serra, a sombra, também não dá sinais de que possa “pegar”. Marina esfumaça-se a olhos vistos.

Sim, sobrou ele, apenas ele.

Um homem com o physique du rôle para representar o vingador.

Um arrogante, autoritário, que não consegue agregar sequer os  pares que preside.

Que confunde valentia com prepotência.

Que fala como se fosse um “do povo”, mas o povo que a elite imagina, não o povo real.

Porque o povo brasileiro é bem melhor do que as elites o imaginam.

E tem mais percepção política do que eles suspeitam.

Não terá dificuldades em compreender o que poderá se dizer, pela boca que pode dizer, quando este homem descer de seu trono magistral.

Quando alguém puder falar: “eu o coloquei lá e a partir daí tudo o que ele quis foi o meu lugar”.

A UDN já vestiu muitas roupas, de batina até o quepe, passando pelas vassouras e das caçadas de marajás.

Vestir-se de negra toga não será difícil a quem só não pode aparecer nua, tamanhas as suas vergonhas.

Mas há algo diferente na fantasia que ensaia.

Diferente e fatal para os planos de que seja capaz de repetir Jânio Quadros ou Fernando Collor.

Jânio  e Collor fizeram por seus meios as suas trajetórias de ascensão e queda, seguinte e abrupta.

Não tinham o estigma do traidor, a marca de Caim.

E é essa que, quando o véu da hipocrisia romper-se, vai aparecer .

É ela que verá uma população que, por lúcida. é grata àquele que é a vítima da traição.

Quem não entende porque o silêncio de Lula é porque não entende que ele não atacará o cargo, atacará o homem que o ocupou por seu favor, quando isso já não for atacar a instituição judicial.

Barbosa, o que hoje aponta o dedo, é quem terá o dedo apontado.

A política, diversas vezes lembrei, ama a traição, mas abomina o traidor.

* Publicado no Conversa Afiada, durante a interrupção temporária do Tijolaço.
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