Lava Jato tentou comprar Pegasus, o superespião de Israel

Os procuradores da “Força Tarefa” da Lava Jato tentaram (não se sabe se com sucesso) comprar o programa espião Pegasus – da empresa israelense NSO, que é objeto de um escândalo mundial por invadir, sem autorização judicial, mais de 50 mil celulares de ativistas, políticos e governantes – com dinheiro desviado dos acordos de colaboração premiada negociados com os réus e investigados que tinha sob seu controle, informa o site Poder360.

Os diálogos colhidos na Operação Spoofing, a que a defesa do ex-presidente Lula teve acesso por decisão do ministro Ricardo Levandowski, mostram que foi comprado um primeiro sistema espião de Israel, o Cellebrite e que, antes disso se usava o “modelo” da Escola de Inteligência Militar do Exército (EsIMEx), que usa os programa de uma empresa denominada Dígitro Intelitotum. que trabalha acoplado ao Sistema Guardião, em tese usado em espionagem judicialmente autorizada.

Veja a troca de mensagens:

23 Nov 17
13:07:05 Januario Paludo Lembrete: A Paula já esta providenciando a compra do equipamento com o dinheiro liberado pelo Moro.
• 13:08:01 Januario Paludo Agora temos que ver o big data com o dinheiro do Danilo. Se não houver sugestões, vou usar o modelo da EsIMEX.
• 13:09:58 Januario Paludo Agora falta ver o Big data. Sugestões para compra. Podemos usar o mesmo da ESIMEX (acho que é Dígitro).
• 14:17:42 Deltan Jan estão dispostos a ceder? Vc chegou a falar algo?
• 14:18:23 Paulo Januario, pensamos em comprar o Celebrite, que o Rio está usando e gostando, mas colocar essa compra direto num acordo de colaboração vindouro
• 14:41:09 Januario Paludo Nao, passei para a Paula ver, mas existe essa possibilidade.
• 14:43:09 Januario Paludo Juridicamente complicado o colaborador “doar” num acordo. Teria que amarrar a clausula com o art. 7 da 9.613 e o Juiz decretar o
perdimento. Como o RJ fez?
• 14:45:48 AthaydeJan, no RJ foi pactuada a multa civil apenas. Na homologação foi pedido a autorização para q o colaborador adquirisse o big data como parte do pagamento da multa, com base em preço definido em “ata de registro de preços” em vigor.

E em 31 de janeiro de 2018:

•18:19:23 Julio Noronha Pessoal, a FT-RJ se reuniu hj com uma outra empresa de Israel, com solução tecnológica superavançada para investigações
• 18:19:33 Julio Noronha A solução “invade” celulares em tempo real (permite ver a localização, etc.). Eles disseram q ficaram impressionados com a solução, coisa de outro mundo.
• 18:19:42 Julio Noronha Há problemas, como o custo, e óbices jurídicos a todas as funcionalidades (ex.: abrir o microfone para ouvir em tempo real).
• 18:19:53 Julio Noronha De toda forma, o representante da empresa estará aqui em CWB [Curitiba], e marcamos 17h para vir aqui. Quem puder participar da reunião, será ótimo!
• 18:20:10 Julio Noronha (Inclusive serve para ver o q podem/devem estar fazendo com os nossos celulares)
• 18:20:49 Paulo 17h já passou!
• 18:21:04 Roberson MPF De amanha
• 18:21:04 Julio Noronha 17h de amanhã; sorry
• 18:30:08 Diogo to dentro
• 18:30:14 Diogo vi uma materia sobre este software
• 18:30:23 Diogo os italianos usam para escuta ambiental da mafia
(…)
• 19:41:04 Julio Noronha Esta matéria fala sobre:
• 19:41:06 Julio Noronha https://www.kaspersky.com.br/blog/pegasusspyware/7237/
• 19:52:00 Januario Paludo nós não precisamos dos celulares originais para fazer a extração?
• 19:53:52 Julio Noronha Neste caso, não; extração remota e em tempo real.
Preciso ver as funcionalidades, se é possível segregar, etc., sobretudo pensando nas limitações jurídicas. De toda forma, acho q é bom conhecermos pelo menos
• 19:55:00 Januario Paludo Está está bem. O Robson disse que O programa chegar de dia 22
• 19:55:29 Januario Paludo Dr. Robinho disse
• 19:55:57 Julio Noronha Qual programa? O Celebrite já chegou e o DT está para chegar; este é um novo!

Não seriam necesssárias mais provas de que se formou em Curitiba um núcleo conspirador, totalmente descontrolado em seus arreganhos ilegais.

Mas, agora, é possível ver que chegaram ao ponto de pretender comprar, no exterior, um programa de espionagem – que lhe daria o poder não só de acessar ilegalmente arquivos de conversas e fazer grampo telefônico sem autorização como de até filmar a intimidade de qualquer pessoa.

Os hackers não eram de Araraquara, eram de Curitiba.

 

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