Maduro deu oxigênio a Manaus; EUA, só vácuo

Da Folha de S. Paulo, para vermos quanto é estúpida a (anti)diplomacia do governo Bolsonaro:

O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tentou, por nove dias, garantir uma doação de oxigênio líquido dos Estados Unidos para o Amazonas. No entanto, como consta em documento da Casa Civil da Presidência sobre as ações para debelar a crise no estado, não obteve êxito até o fim da tarde desta segunda-feira (25). No mesmo período, a Venezuela —país sob o regime do ditador Nicolás Maduro e criticado pelo presidente e seus aliados— já fez três remessas do insumo a Manaus. Neste mês, a capital do Amazonas enfrenta um repique na pandemia da Covid-19.

O jornal conta que os pedidos aos EUA começaram ainda no Governo Trump, numa conversa do chanceler Ernesto Araújo com o secretário de Estado Mike Pompeo, aquele mesmo que elogiou o Brasil por ter sabotado o Brics, nos afastando da Rússia e da China, que, aliás, são nossas melhores possibilidades de obter vacinas.

Diplomacia não é ideologia – embora inclua princípios, como o da não-intervenção e o respeito às soberanias nacionais.

Imaginem o que se passa, agora, com a ultra-direita venezuelana, com as doações de oxigênio a Manaus. Não seria o mesmo que com nossos investimentos por lá, ou em Cuba, o no Peru, ou na Bolívia, com a essencial diferença de que eram lucrativos, enquanto as balas de O2 não são?

Há outros exemplos – e graves neste momento – como o fato de que na Argentina montou-se uma fábrica de insumos para a vacina da Astrazêneca que, por uma visão mesquinha que nosso país quis construir contra o vizinho, destinava-se a ser uma planta de exportação de vacinas para a América Latina, exceto para o Brasil, que quis um contrato de exclusividade.

Os organismos multilaterais latino-americanos que floresceram nos anos 2000 eram o foro para a articulação destas iniciativas de articulação sanitárias, sobretudo se somados aos Brics, da década seguinte.

Mas tudo foi destruído pelo ódio ideológico e pela “Internacional Direitista” que irrompeu entre nós.

 

 

 

 

 

 

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