Minha fonte da juventude

A vida dá muitas voltas e, às vezes, nos recoloca em situações que põe à prova nossa capacidade de continuarmos, mesmo a poucas estações do destino final, continuarmos vivos e jovens.

Hoje é um destes dias, o de voltar 45 anos no tempo e lembrar do garoto de 18 anos, recém-chegado à universidade e a um caldo saboroso de gente.

Sopa que me ensinou a adorar diversidade da vida, sopa que pode ter de tudo e até mais um pouco, mas não de ser quente, espessa e saborosa, naquela mistura heterogênea.

O jovem radical, cabeludo, feroz dono de verdades absoluta, ali, naquele caldeirão de outros jovens, começou a aprender que luta não era briga, que diferença não era ódio, que diversidade não era exclusão e que política era a arte de convencer (ou não) pelos argumentos e de continuar vendo o outro não menos igual porque diferente.

A gente aprendeu biodiversidade muito antes da palavra virar moda.

O resultado disto foi minha vida, as amizades que até hoje sobrevivam – ainda que alguns dos amigos já se tenham ido – e o mundo de carinhos, liberdades e recordações que se reinventam em outras formas, como as lives semanais em que nos revemos e rimos, e os encontros que resistem ao desencontros e pandemias, em deliciosos natais comemorados em maio.

Vocês já viram que não quero falar agora no coiso, nem nos perigos que se erguem contra as liberdades que aqueles guris e gurias ajudaram a restabelecer em nosso país, mesmo que a gente não se dê muita importância a isso, porque desejar a liberdade é quase um pleonasmo para a condição de jovens.

Há muitos que podem fazê-lo, a começar pelo indignado artigo de Ruy Castro, na Folha, em protesto contra a imundície de palavras e de ideias que jorram do esgoto presidencial. Do presidente tarja preta, que é tirado do Youtube ou aparece com legendas pedindo que você vá checar as mentiras que ele diz.

Na manhã fria de hoje , permitam-me os leitores, prefiro aquecer o coração com estas lembranças cálidas, que permite a mim – e a alguns outros, talvez – sentir que ainda somos jovens dignos de amor, desejos, vontades que vão além do mesquinho inverno do tempo que nos quer sempre encolher.

E vou lá, na mesma PUC onde, em 1977, pela primeira vez falei a muitos, no ato que marcou a retomada do movimento universitário contra a ditadura militar.

Experimentar (melhor, voltar a sentir-lhes o gosto forte) os versos do Milton Nascimento, sobre alguma coisa que deve estar dentro do peito ou caminha pelo vento gelado: a folha da liberdade, juventude e fé.

Vem também.

PS: E se você não foi um dos 920 mil jovens corações a assinar a Carta às Brasileiras e Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito, ainda dá tempo.

PS2. E se não dá jeito de ir, assista aí embaixo, pelo Youtube

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