Não é a eleição, é a crise

Popularidade de Bolsonaro cai em 23 das 26 capitais durante as eleições municipais, anuncia em manchete o site de O Globo.

É, mas não são as eleições que estão produzindo isso, tanto que onde houve polarização e 2° turno quase sempre o bolsonarismo está oculto em candidaturas que não o assumem e até o renegam, ainda que em vários casos de maneira cínica, pois lhe adotam o discurso do ódio ideológico.

A queda na popularidade de Jair Bolsonaro tem a mesma origem do crescimento que a aprovação a seu governo teve meses atrás, quando se começou a pagar o auxílio emergencial da Covid 19.

R$ 600 para 60 milhões de brasileiros, pesam – e com razão – na avaliação de um governo, mesmo que seja o de Belzebu em pessoa.

Só que, embora necessários, este dinheiro não é um programa sólido de transferência de renda: minguou para a metade – e não para todos – e vai terminar com a última folha do calendário.

O impacto da redução de R$ 600 para R$ 300 já impacta fortemente as periferias.

O que diz O Globo mostra, de forma mais consolidada, a pesquisa publicada pelo Poder360 e tudo vai piorar rapidamente quando, depois das eleições, os “pacotes de maldades” começarem a ser entregues, como num Natal perverso para a população.

De fato, todas as expectativas par o final do ano estão se deteriorando. Os índices de confiança das famílias e do comércio, medidos pela Fundação Getúlio Vargas, estão caindo outra vez, a inflação dos preços industriais está estratosférica (3,4% em outubro frente a setembro, a maior alta da série histórica, iniciada em janeiro de 2014), segundo os números divulgados hoje pelo IBGE.

Sem o 13° salário, antecipado no primeiro semestre, o Natal de aposentados e pensionistas será mais magro que o já habitual e o comércio, sobretudo o de alimentos e artigos mais modestos, vai sentir isso.

 

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