Negociar com ‘União Brasil’ é lenda. O negócio é Bivar

O fim de ano, na política, é o início da temporada das “flores do recesso”, como chamava Thales Ramalho, secretário-geral do velho MDB ,à época da ditadura de 64.

E, este ano, um dos canteiros mais propícios ao seu desabrochar o o inacreditável “União Brasil”, megapartido com N deputados e cerca de R$ 900 milhões de reais para gastar nas eleições.

N deputados, porque ninguém sabe quantos ficarão por lá em fevereiro, quando se abrir a “janela das trocas partidárias. Formalmente, são mais de 80, com a soma das bancadas do PSL e do DEM mas, na prática, duvida-se que vá além de 50, depois de escancarada a porteira, ou as porteiras, uma vez que há todos os rumos a tomar dali.

Luciano Bivar, presidente do partido e uma obscuridade da República, nem se importa com as defecções, porque não mudam o que vale na distribuição de recursos.

Tem poucos compromissos – o maior deles com ACM Neto, que levou o velho PFL a terminar nessa mixórdia – e um grande ativo para negociar: perto de 20% do tempo de televisão que é repartido de acordo com o tamanho das bancadas, considerados não os atuais deputados, mas os eleitos pelas duas siglas em 2018.

É este “pacote” vistoso com o qual Bivar desfila diante dos salivantes Moro, Doria, Tebet , porque Bolsonaro e Lula já têm o tempo que lhes basta.

Em 2018, Bivar fez o acordo que deu, temporariamente, o PSL a Bolsonaro, mas logo depois entrou em desavença com Gustavo Bebianno, que também entrou, por motivos que permanecem insolúveis com sua morte, em 2019 e depois em choque com o próprio presidente, que queria ter o controle das verbas -bem menores, à época – do Fundo Partidário.

Bolsonaro, presidente, perdeu a parada para o pernambucano Bivar.

Agora, que tem uma boca riquíssima, quase bilionária, nas mãos não vai dá-la a Moro ou a Doria, este não bobo o suficiente para pedi-la, ao contrário do primeiro. E tem a preocupação de “renovar o tíquete”, fazendo uma bancada de ao menos 40 deputados, o que é muito difícil para um partido que se liga a uma candidatura presidencial com menos de 10% dos votos.

São estes dois fatores que levará em conta: quem lhe faz a melhor proposta pelo tempo de TV e, ao mesmo tempo, quem não se torna um empecilho para acordos estaduais que garantam a eleição dos “seus” deputados.

Portanto, não acredite nestas histórias de que tal “União Brasil” está em entendimentos com o candidato tal ou qual. Quem negocia não é o partido, é Bivar, que não é homem de querer pouco.

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