No mundo do Luna, aumento da gasolina é bom, senão ela falta

Na Folha, Bruno Boghossian diz que a “preocupação com economia dispara no Brasil ‘bombando’ de Guedes e Bolsonaro“.

É rala e tardia percepção de algo que os olhos da classe média, restritos a um mundo onde os apertos são menos sentidos – pois o “caro” é restritivo, mas não proibitivo – do que vem ocorrrendo com os dois terços das famílias brasileiras que têm renda de 2 salários mínimos ou menos que isso.

Agora, porém, este medo chegou com força em toda a sociedade, como mostra a pesquisa Idea Big Data, que O Globo publica, na manchete de seu site. Perto de dois terços dos brasileiros (64%) dizem ter mudado padrões de consumo devido à inflação e sete em cada dez afirmam que o aumento de preços tem piorado a cada dia.

Na sexta-feira, quando o IBGE divulgar a inflação oficial de setembro, chegaremos a um acumulado no ano entre 10,3 e 10,4%, o maior desde fevereiro de 2016, crise que levou à derrunada do governo Dilma. A inflação dos mais pobres, medida pelo INPC ficar´mais alta ainda: tocando os 11%.

É um patamar a patir do qual os preços começam a se mover sem subordinação total a fatores objetivos – que eguem forte, porém – mas também por expectativas.

Sobre elas age a imprudência e a incapacidade do desgoverno que temos.

Veja o que é, por exemplo, para estas expectativas a declaração do general-presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna:

“Se preço [da gasolina] for represado, vai haver desabastecimento de combustível”

Para qualquer leitor médio, fica claro, portanto, que o preço será aumentado e, como “recompensa” não faltará combustível, problema que não está absolutamente colocado. É praticamente um sinal para que se lance um plus na planilha de custos qualquer coisa em que a gasolina pese no preço.

Diga-se em favor de Luna que, em matéria de estabelecer, Paulo Guedes é mais eficiente pois nem mesmo na questão da prorrogação do auxílio emergencial ou a entrada em vigor do tal “Auxpilio-Brasil”.

É possível, sim, que a inflação “baixe” nos índices em novembro e dezembro porque entram taxas pesasdas de 2020 (o,89% e 1,35%, respectivamente), mais isso não é baixar na realidade do supermercados e dos boletos.

E nada impede se for o contrário, por conta dos impasses que vivem os mercados mundiais em matéria de energia (gás e petróleo) e a ameaça iminente do fim dos estímulos econômicos nos EUA e a retração do crescimento chinês.

Não estamos tendo um surto inflacionário, mas uma linha consistente de elevação de preços que não dá nenhum sinal de parar.

 

 

 

 

 

 

 

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